Uma impressora 3D de concreto fabricada pela dinamarquesa Cobod chegou à América Latina por meio da startup argentina Grondplek e promete transformar o canteiro de obras. A impressora ergue a estrutura de uma casa de 120 metros quadrados em 48 horas, com paredes duplas resistentes a terremotos e custo 30% inferior ao da construção tradicional. A máquina tem 11 metros por 11 metros e 7 metros de altura, molda concreto camada por camada e desperdiça apenas o material estritamente necessário para cada etapa. No Japão, uma estação de trem foi impressa em seis horas, e nos Estados Unidos já existem condomínios inteiros construídos com essa impressora.
Uma impressora de concreto do tamanho de um pequeno galpão está mudando as regras da construção civil na América Latina. A máquina, fabricada pela dinamarquesa Cobod e descrita por seus operadores como “a Ferrari das impressoras 3D de concreto”, foi trazida para a Argentina pela startup Grondplek, cofundada por Mateo Salvatto. A impressora ergue a estrutura completa de uma casa de 120 metros quadrados em apenas 48 horas, moldando concreto camada por camada a uma velocidade que transforma semanas de trabalho braçal em dois dias de operação automatizada.
O equipamento não constrói casas prontas para morar: ele produz a chamada “estrutura bruta”, que inclui paredes, escadas, canteiros e bancadas de concreto. Acabamentos, instalações elétricas e hidráulicas e detalhes finais ainda exigem trabalho manual. Mas a impressora elimina a etapa mais pesada e demorada da obra, reduzindo o custo total em 30% em relação ao preço de mercado e praticamente zerando o desperdício de material, já que a máquina bombeia apenas o concreto necessário para cada camada.
Como a impressora de concreto funciona

imagem:.www.gira.com
A impressora tem aproximadamente 11 metros por 11 metros e 7 metros de altura. O sistema conta com uma central de mistura compacta conectada a uma bomba e uma mangueira especial que alimenta a cabeça de impressão. O material é concreto convencional combinado com 2% de aditivos, como plastificantes e aceleradores, que estão facilmente disponíveis no mercado e são ajustados conforme a temperatura e as condições da máquina.
-
Megaestádio de R$ 2,5 bilhões financiado pela China fecha estrutura metálica perimetral a 40 metros do solo em El Salvador, com arquibancadas e sistemas internos avançando em paralelo rumo à entrega em 2027
-
Incomodada com milhões de tijolos descartados todos os anos na Noruega, empresa corta peças velhas em fatias finas, prende com sistema metálico e transforma demolição em fachada nova de 1.800 m²
-
Taiwan ergue muralha marítima de 4 km no Porto de Taipei, instala caixões de concreto contra ondas de até 7 metros e transforma sedimentos dragados em nova terra para expandir um dos portos mais estratégicos da ilha
-
Enquanto bitucas de cigarro aparecem em calçadas, praias e bueiros, pesquisadores testaram o lixo em tijolos de argila e calcularam economia de 10% na queima com apenas 1% na mistura
A estrutura é construída camada por camada. Durante a impressão, são feitos cortes entre as camadas para permitir que o material endureça antes de receber a próxima camada. O resultado são paredes duplas com uma camada de ar no meio, o que garante isolamento térmico superior e resistência estrutural. Salvatto afirma que as casas são resistentes a terremotos e que “você não consegue quebrá-las com nada”, destacando que a impressora permite curvas e contracurvas que melhoram o aproveitamento do espaço.
O que já foi construído com impressora 3D no mundo
A tecnologia de construção com impressora 3D de concreto já saiu da fase experimental. Em 2025, uma unidade do Starbucks construída com esse método foi inaugurada no Texas, e no Japão uma estação de trem foi impressa em apenas seis horas. Nos Estados Unidos, condomínios inteiros estão sendo erguidos com casas feitas por impressoras de concreto, demonstrando que a escala comercial já é viável.

imagem: www.gira.com
A tendência está presente na Ásia, Europa e América do Norte, e agora chega à América Latina por meio da Grondplek. A empresa se tornou distribuidora oficial da Cobod para Argentina, Uruguai e Paraguai após uma viagem pela Europa em busca dos melhores fabricantes. “Eles fabricam as Ferraris das impressoras 3D de concreto”, descreveu Salvatto sobre a Cobod, cuja tecnologia é referência mundial no setor.

imagem: .www.gira.com
O que a impressora não substitui na obra
A tecnologia não busca substituir os trabalhadores da construção civil, mas alterar suas tarefas. A impressora elimina o levantamento de cargas pesadas e a montagem manual de paredes, mas a operação da máquina, a supervisão e os acabamentos finais continuam exigindo intervenção humana em cada etapa.
Os retoques finais, a instalação elétrica, o encanamento e os acabamentos internos e externos são feitos da forma tradicional. A diferença é que, com a estrutura pronta em 48 horas, a equipe de acabamento pode entrar na obra dias depois do início, em vez de semanas. Salvatto descreve a impressora como “uma fábrica portátil de concreto pré-moldado: você pode levá-la para qualquer lugar, basta nivelá-la no chão e ela começa a imprimir”.
As limitações e o futuro da impressora de concreto
A principal limitação atual é a altura: o modelo utilizado pela Grondplek permite construir edifícios de até três andares. No entanto, já estão surgindo máquinas com guias horizontais capazes de realizar impressão em série, permitindo fazer cinco lotes lado a lado e imprimir um após o outro, o que viabiliza a construção de bairros inteiros com a mesma impressora.
A aplicação também vai além da habitação. A impressora pode ser usada em projetos de engenharia civil e mineração, onde estruturas de concreto são necessárias em locais remotos sem acesso a fábricas de pré-moldados.
Com custos 30% menores, construção em 48 horas em vez de meses e desperdício próximo de zero, a impressora de concreto da Cobod não é mais uma curiosidade tecnológica: é uma alternativa real que está começando a competir com o canteiro de obras tradicional.
Você moraria em uma casa construída por uma impressora 3D de concreto em 48 horas? O que mais impressiona: a velocidade, o desconto de 30% ou a resistência a terremotos? Conta nos comentários.

Qual o preco desta impressora?
Moraria sim, sem problemas.
Seria interessante se os governos estaduais adquiram estas maquinas para programas sociais, podendo reduzir o tempo de espera das pessoas sem moradia.