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Novo surto em um cruzeiro com destino à Espanha deixou mais de 1,7 mil pessoas em quarentena na França após a morte de um passageiro de 92 anos, e as autoridades francesas descartaram ligação com o hantavírus que matou três pessoas em outro navio

Publicado em 14/05/2026 às 19:29
Atualizado em 14/05/2026 às 19:31
Um surto de gastroenterite em um cruzeiro da Ambassador Cruise Line deixou mais de 1,7 mil pessoas em quarentena na França após a morte de um passageiro de 92 anos. Cerca de 50 viajantes apresentaram sintomas. Autoridades descartaram ligação com hantavírus.
Um surto de gastroenterite em um cruzeiro da Ambassador Cruise Line deixou mais de 1,7 mil pessoas em quarentena na França após a morte de um passageiro de 92 anos. Cerca de 50 viajantes apresentaram sintomas. Autoridades descartaram ligação com hantavírus.
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Um surto de gastroenterite a bordo de um cruzeiro da Ambassador Cruise Line deixou mais de 1,7 mil pessoas confinadas no navio atracado em Bordeaux, na França, após a morte de um passageiro de 92 anos. Segundo informações divulgadas pelo portal da NSC, cerca de 50 viajantes, em sua maioria britânicos e irlandeses, apresentaram problemas gastrointestinais, e as autoridades francesas confirmaram nesta quarta-feira (13) que o caso não tem ligação com o hantavírus.

Quem operava o cruzeiro era a Ambassador Cruise Line, companhia britânica cujo navio partiu das Ilhas Shetland, no Reino Unido, em 6 de maio com destino à Espanha. Quando o surto atingiu o pico: em 11 de maio, quando a embarcação fazia escala na cidade francesa de Brest, com passageiros apresentando vômitos e diarreia intensos. Como a situação evoluiu: o idoso de 92 anos morreu antes de o navio chegar ao porto, e as autoridades de saúde determinaram o confinamento de todos os 1,7 mil ocupantes a bordo enquanto análises eram realizadas no hospital de Bordeaux. Por que o caso ganhou repercussão: o surto acontece semanas após o episódio do MV Hondius, outro cruzeiro que registrou três mortes por suspeita de hantavírus na travessia entre a Argentina e a África, o que levou as autoridades a investigarem inicialmente se havia conexão entre os dois eventos.

Os testes iniciais a bordo descartaram a presença de norovírus, o patógeno mais comum em surtos gastrointestinais em navios de cruzeiro. As autoridades de saúde francesas encaminharam amostras para o hospital de Bordeaux, onde análises mais detalhadas estão sendo realizadas para identificar o agente causador da doença. Até quarta-feira, o navio permanecia atracado em Bordeaux sem medidas de segurança em terra, e alguns passageiros tiravam fotos da cidade do sudoeste da França a partir de um dos conveses, num contraste entre o confinamento sanitário e a paisagem turística ao redor.

A cronologia do surto no cruzeiro

O cruzeiro partiu das Ilhas Shetland em 6 de maio e deveria seguir rumo à Espanha com escalas em cidades francesas ao longo da costa atlântica. Os primeiros sintomas gastrointestinais entre os passageiros apareceram durante a navegação e se intensificaram nos dias seguintes, atingindo o pico em 11 de maio quando o navio fazia escala em Brest. Nesse momento, quase 50 pessoas já apresentavam vômitos e diarreia, e o passageiro de 92 anos que viria a falecer já se encontrava em condição grave.

A morte do idoso ocorreu antes de o navio chegar ao porto de Bordeaux, onde a embarcação atracou e permaneceu sob monitoramento das autoridades de saúde francesas. A decisão de manter os 1,7 mil ocupantes confinados a bordo foi tomada como medida preventiva enquanto os exames laboratoriais não identificassem o agente causador. Para os passageiros que planejavam desembarcar em Bordeaux e seguir viagem por terra, o confinamento transformou o que deveria ser uma parada turística em uma espera sanitária sem prazo definido.

Não é hantavírus: o que as autoridades descartaram

A primeira preocupação das autoridades francesas ao tomar conhecimento do surto no cruzeiro foi verificar se havia conexão com o hantavírus que matou três pessoas no MV Hondius. As autoridades descartaram essa possibilidade, afirmando que o caso no navio da Ambassador Cruise Line não tem ligação com o surto no cruzeiro que navegou entre a Argentina e Cabo Verde. O hantavírus provoca uma síndrome cardiopulmonar grave, distinta dos sintomas gastrointestinais predominantes no surto atual.

Os testes iniciais realizados a bordo também descartaram a presença de norovírus, o patógeno responsável pela maioria dos surtos em navios de cruzeiro no mundo. O norovírus é altamente contagioso e se espalha rapidamente em ambientes fechados com grande concentração de pessoas, como navios, escolas e asilos. O fato de os testes terem dado negativo para norovírus levanta a questão de qual agente causou os sintomas em quase 50 passageiros e se o responsável é uma bactéria, outro vírus ou uma contaminação alimentar.

1,7 mil pessoas confinadas em Bordeaux

O confinamento de mais de 1,7 mil pessoas a bordo de um cruzeiro atracado em uma das cidades mais turísticas da França cria uma situação que mistura emergência sanitária com constrangimento logístico. Passageiros que pagaram por uma viagem de lazer pelas costas britânica e francesa se encontram impedidos de desembarcar, dependendo de resultados laboratoriais que estão sendo processados no hospital de Bordeaux. A incerteza sobre o agente causador do surto impede que as autoridades definam um prazo para a liberação.

Para a cidade de Bordeaux, que vive do turismo e do enoturismo, ter um cruzeiro em quarentena no porto não é exatamente o tipo de publicidade desejada. Ao mesmo tempo, a resposta das autoridades francesas ao confinarem o navio demonstra uma postura de precaução que se intensificou após o episódio do MV Hondius. Num momento em que surtos em navios estão sob escrutínio internacional, liberar um cruzeiro sem identificar o patógeno seria um risco que nenhuma autoridade sanitária europeia está disposta a correr.

Surtos em cruzeiros: uma sequência que preocupa

O surto no cruzeiro da Ambassador Cruise Line é o segundo episódio grave em navios de passageiros em poucas semanas. O MV Hondius, operado pela holandesa Oceanwide Expeditions, registrou três mortes com suspeita de hantavírus durante a travessia entre Ushuaia e o continente africano, levando ao envio de paraquedistas britânicos à ilha de Tristão da Cunha para atender um passageiro isolado. Agora, outro navio enfrenta um surto diferente, mas igualmente capaz de confinar centenas de pessoas e gerar repercussão internacional.

A sequência de episódios reacende o debate sobre protocolos sanitários em navios de cruzeiro. Embarcações que transportam milhares de pessoas em ambientes fechados por dias ou semanas são, por definição, ambientes propícios à disseminação de doenças infecciosas. A ventilação compartilhada, os refeitórios coletivos e as áreas de lazer comuns criam condições que favorecem a transmissão de patógenos entre passageiros. Quando um surto eclode em alto-mar, as opções de resposta são limitadas pela distância dos hospitais e pela impossibilidade de isolar completamente os doentes dentro do navio.

Um passageiro de 92 anos e uma viagem que não terminou como planejado

O passageiro de 92 anos que morreu durante o surto no cruzeiro é a face mais trágica de um episódio que afetou dezenas de pessoas. Idosos são particularmente vulneráveis a episódios graves de gastroenterite, pois a desidratação causada por vômitos e diarreia intensos pode comprometer rapidamente o funcionamento de órgãos já debilitados pela idade. Em um navio de cruzeiro, onde o acesso a cuidados hospitalares completos é limitado, a evolução de um quadro gastrointestinal pode se tornar irreversível antes que o paciente consiga chegar a um hospital em terra.

A morte ocorreu antes de o navio atracar em Bordeaux, o que significa que o passageiro faleceu em alto-mar ou durante a aproximação ao porto. Para a família da vítima e para os demais passageiros que testemunharam o agravamento da situação, a experiência transforma uma viagem de lazer em trauma. Para a Ambassador Cruise Line, a morte de um passageiro durante um surto a bordo levanta questões sobre os protocolos de resposta médica e sobre a capacidade do navio de lidar com emergências sanitárias que afetam dezenas de pessoas simultaneamente.

Um cruzeiro atracado e uma investigação em andamento

O cruzeiro da Ambassador Cruise Line permanece atracado em Bordeaux com mais de 1,7 mil pessoas a bordo, aguardando a conclusão das análises laboratoriais que identificarão o agente causador do surto. A morte de um passageiro de 92 anos, o adoecimento de quase 50 viajantes e o descarte de hantavírus e norovírus compõem um quadro que ainda não tem explicação definitiva. As autoridades francesas mantêm o confinamento como medida de precaução até que os resultados cheguem do hospital de Bordeaux.

Você embarcaria em um cruzeiro neste momento, considerando os surtos recentes? Conte nos comentários o que acha do confinamento dos passageiros em Bordeaux, se acredita que os protocolos sanitários em navios são suficientes e como avalia a sequência de episódios em cruzeiros nas últimas semanas. Queremos ouvir a sua opinião.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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