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Nova tentativa de conter navio-bomba russo com mais de 50.000 toneladas de gás liquefeito falha no Mediterrâneo e problema continua sem solução

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 29/04/2026 às 12:10 Atualizado em 29/04/2026 às 12:42
Navio-bomba russo
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Com mais de 50.000 toneladas de gás liquefeito e sem tripulação desde 3 de março, o Arctic Metagaz segue à deriva no Mediterrâneo, expõe riscos ambientais e deixa autoridades sem solução prática para o impasse

O navio-bomba russo Arctic Metagaz segue à deriva no Mar Mediterrâneo desde 3 de março, sem tripulação, com mais de 50.000 toneladas de gás liquefeito e a menos de 200 quilômetros da costa da Líbia.

Segunda tentativa de reboque falha com mau tempo

Na semana passada, a segunda tentativa de controlar o avanço irregular do Arctic Metagaz terminou sem sucesso.

O mau tempo rompeu o cabo que ligava o navio ao rebocador responsável por levá-lo para longe da costa líbia.

Com o rompimento, o cargueiro voltou a se deslocar no Mediterrâneo. A situação permanece sem solução, enquanto autoridades líbias acompanham o risco representado pela carga explosiva e poluidora mantida a bordo.

Primeira operação já havia terminado da mesma forma

A primeira tentativa de evitar uma catástrofe também fracassou no mês passado. O problema foi o mesmo: os cabos usados na operação não resistiram ao esforço e arrebentaram antes que o navio fosse controlado.

Naquele momento, o rebocador Maridive 701, contratado pelo governo líbio, deveria conduzir o cargueiro para fora dos limites do mar territorial do país. Sem conseguir rebocá-lo, passou apenas a acompanhar sua movimentação.

O Arctic Metagaz seguiu em zigue-zague, empurrado pelas correntes marítimas. Quando o clima melhorou, uma nova amarração ao rebocador foi feita e, no início, a operação pareceu funcionar.

Dias depois, o mar voltou a ficar agitado e os cabos se romperam outra vez. O resultado foi o retorno do navio à deriva, situação que já dura quase dois meses.

Navio-bomba russo segue sem destino

Neste momento, o Maridive 701 voltou a monitorar o deslocamento do Arctic Metagaz, sem conduzi-lo a um destino concreto. O impasse persiste porque nenhum porto aceitou receber a embarcação.

O risco está no estado do navio e na carga. Trata-se de um cargueiro semidestruído, sem tripulação, com material explosivo e poluidor, o que afasta qualquer disposição de recebê-lo em instalações portuárias.

Quase dois meses depois, ainda não há uma solução prática para o caso. O navio-bomba russo continua sendo empurrado para longe, sem que exista uma estratégia operacional capaz de encerrar a emergência.

Navio-bomba russo: Emergência expõe vazio de responsabilidade

O caso passou a ilustrar falhas nas legislações marítimas quando a ameaça não cabe claramente a um único país.

Como envolve vários interesses, os atores apontam responsabilidades compartilhadas e evitam assumir o comando da solução.

O Arctic Metagaz aparece como uma embarcação sem dono efetivo. O armador não assumiu o controle do navio, o governo russo também não agiu para resgatá-lo e a União Europeia permanece sem resposta prática.

A emergência marítima envolve risco para outros navios, ameaça ambiental e uma situação política delicada.

A pergunta central continua sem resposta: quem deve assumir a resposabilidade e retirar o perigo do mar?

As alternativas citadas são poucas. Uma seria afundar o navio de forma segura e controlada, depois de transferir a carga para outra embarcação em alto-mar. A outra seria rebocá-lo até um porto disposto a recebê-lo.

Até agora, nenhuma dessas possibilidades avançou. Sem porto disponível e sem ação coordenada, o problema continua aberto, enquanto o cargueiro mantém sua carga expolsiva no Mediterrâneo.

Ligação com a Frota Fantasma

O Arctic Metagaz tem 277 metros de comprimento e integra a chamada Frota Fantasma. Essa rede reúne velhos cargueiros usados para transportar petróleo russo e derivados de forma clandestina.

O objetivo desse esquema é contornar sanções impostas por Estados Unidos e Europa depois da invasão russa da Ucrânia, quatro anos atrás. Essa ligação ajudaria a explicar a falta de ação do armador e do governo russo.

O navio havia partido de Murmansk, na Rússia, com destino ao Egito. Ele explodiu na costa da Líbia, e o governo russo atribuiu o caso a um ataque de drones ucraniano, classificado por Moscou como ato de terrorismo.

Os 30 tripulantes escaparam. Alguns sofreram queimaduras, mas conseguiram deixar a embarcação antes que o cargueiro passasse a vagar sem controle, como um barco-fantasma escoltado por um rebocador sem destino definido.

Caso lembra o ex-porta-aviões São Paulo

A situação do Arctic Metagaz lembra o episódio do ex-porta-aviões brasileiro São Paulo, ocorrido quatro anos atrás.

Naquele caso, o navio passou seis meses sendo rebocado, chegou a cruzar o Atlântico duas vezes e ficou sem solução.

A venda para desmanche na Turquia foi cancelada por causa da quantidade de material tóxico existente a bordo. Depois, a empresa turca que comprou o navio decidiu abandoná-lo no mar.

A Marinha do Brasil, que havia vendido a embarcação, acabou obrigada a assumir o problema. O caso terminou como um desastre citado agora como alerta para o destino do navio-bomba russo.

Enquanto não houver uma decisão sobre o Arctic Metagaz, a embarcação continuará como um impasse flutuante. A carga, a distância da costa líbia e a falta de destino mantêm a emergência sem resposta final.

Com informações de UOL.

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Romário Pereira de Carvalho

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