Com mais de 50.000 toneladas de gás liquefeito e sem tripulação desde 3 de março, o Arctic Metagaz segue à deriva no Mediterrâneo, expõe riscos ambientais e deixa autoridades sem solução prática para o impasse
O navio-bomba russo Arctic Metagaz segue à deriva no Mar Mediterrâneo desde 3 de março, sem tripulação, com mais de 50.000 toneladas de gás liquefeito e a menos de 200 quilômetros da costa da Líbia.
Segunda tentativa de reboque falha com mau tempo
Na semana passada, a segunda tentativa de controlar o avanço irregular do Arctic Metagaz terminou sem sucesso.
O mau tempo rompeu o cabo que ligava o navio ao rebocador responsável por levá-lo para longe da costa líbia.
-
Funeral do aiatolá Ali Khamenei reúne entre 15 e 20 milhões de pessoas em Teerã com gritos de vingança contra Trump, quatro meses após sua morte em ataque conjunto de Israel e Estados Unidos
-
EUA cravam presença definitiva em Jerusalém com nova embaixada permanente e reacendem debate internacional sobre a capital de Israel
-
O mundo possui quase 12 mil ogivas nucleares, e a maior parte delas está concentrada nos arsenais dos Estados Unidos e da Rússia; veja os números da China, França e Reino Unido
-
Venezuela enfrenta alerta da ONU por fome, doenças e colapso de serviços após terremotos causarem quase 2 mil mortes e US$ 6,7 bi em danos
Com o rompimento, o cargueiro voltou a se deslocar no Mediterrâneo. A situação permanece sem solução, enquanto autoridades líbias acompanham o risco representado pela carga explosiva e poluidora mantida a bordo.
Primeira operação já havia terminado da mesma forma
A primeira tentativa de evitar uma catástrofe também fracassou no mês passado. O problema foi o mesmo: os cabos usados na operação não resistiram ao esforço e arrebentaram antes que o navio fosse controlado.
Naquele momento, o rebocador Maridive 701, contratado pelo governo líbio, deveria conduzir o cargueiro para fora dos limites do mar territorial do país. Sem conseguir rebocá-lo, passou apenas a acompanhar sua movimentação.
O Arctic Metagaz seguiu em zigue-zague, empurrado pelas correntes marítimas. Quando o clima melhorou, uma nova amarração ao rebocador foi feita e, no início, a operação pareceu funcionar.
Dias depois, o mar voltou a ficar agitado e os cabos se romperam outra vez. O resultado foi o retorno do navio à deriva, situação que já dura quase dois meses.
Navio-bomba russo segue sem destino
Neste momento, o Maridive 701 voltou a monitorar o deslocamento do Arctic Metagaz, sem conduzi-lo a um destino concreto. O impasse persiste porque nenhum porto aceitou receber a embarcação.
O risco está no estado do navio e na carga. Trata-se de um cargueiro semidestruído, sem tripulação, com material explosivo e poluidor, o que afasta qualquer disposição de recebê-lo em instalações portuárias.
Quase dois meses depois, ainda não há uma solução prática para o caso. O navio-bomba russo continua sendo empurrado para longe, sem que exista uma estratégia operacional capaz de encerrar a emergência.
Navio-bomba russo: Emergência expõe vazio de responsabilidade
O caso passou a ilustrar falhas nas legislações marítimas quando a ameaça não cabe claramente a um único país.
Como envolve vários interesses, os atores apontam responsabilidades compartilhadas e evitam assumir o comando da solução.
O Arctic Metagaz aparece como uma embarcação sem dono efetivo. O armador não assumiu o controle do navio, o governo russo também não agiu para resgatá-lo e a União Europeia permanece sem resposta prática.
A emergência marítima envolve risco para outros navios, ameaça ambiental e uma situação política delicada.
A pergunta central continua sem resposta: quem deve assumir a resposabilidade e retirar o perigo do mar?
As alternativas citadas são poucas. Uma seria afundar o navio de forma segura e controlada, depois de transferir a carga para outra embarcação em alto-mar. A outra seria rebocá-lo até um porto disposto a recebê-lo.
Até agora, nenhuma dessas possibilidades avançou. Sem porto disponível e sem ação coordenada, o problema continua aberto, enquanto o cargueiro mantém sua carga expolsiva no Mediterrâneo.
Ligação com a Frota Fantasma
O Arctic Metagaz tem 277 metros de comprimento e integra a chamada Frota Fantasma. Essa rede reúne velhos cargueiros usados para transportar petróleo russo e derivados de forma clandestina.
O objetivo desse esquema é contornar sanções impostas por Estados Unidos e Europa depois da invasão russa da Ucrânia, quatro anos atrás. Essa ligação ajudaria a explicar a falta de ação do armador e do governo russo.
O navio havia partido de Murmansk, na Rússia, com destino ao Egito. Ele explodiu na costa da Líbia, e o governo russo atribuiu o caso a um ataque de drones ucraniano, classificado por Moscou como ato de terrorismo.
Os 30 tripulantes escaparam. Alguns sofreram queimaduras, mas conseguiram deixar a embarcação antes que o cargueiro passasse a vagar sem controle, como um barco-fantasma escoltado por um rebocador sem destino definido.
Caso lembra o ex-porta-aviões São Paulo
A situação do Arctic Metagaz lembra o episódio do ex-porta-aviões brasileiro São Paulo, ocorrido quatro anos atrás.
Naquele caso, o navio passou seis meses sendo rebocado, chegou a cruzar o Atlântico duas vezes e ficou sem solução.
A venda para desmanche na Turquia foi cancelada por causa da quantidade de material tóxico existente a bordo. Depois, a empresa turca que comprou o navio decidiu abandoná-lo no mar.
A Marinha do Brasil, que havia vendido a embarcação, acabou obrigada a assumir o problema. O caso terminou como um desastre citado agora como alerta para o destino do navio-bomba russo.
Enquanto não houver uma decisão sobre o Arctic Metagaz, a embarcação continuará como um impasse flutuante. A carga, a distância da costa líbia e a falta de destino mantêm a emergência sem resposta final.
Com informações de UOL.
