Tecnologia da NYU detecta rastreadores GPS ocultos e pode ajudar vítimas de violência doméstica a identificar perseguição com um método simples e barato
Uma equipe de pesquisadores da Escola de Engenharia Tandon da NYU desenvolveu um novo método para identificar rastreadores GPS escondidos em veículos. A tecnologia oferece uma alternativa acessível e prática para vítimas de violência doméstica monitoradas por parceiros ou ex-parceiros.
Tecnologia contra a perseguição tecnológica
A pesquisa é liderada pelo professor assistente Danny Y. Huang, que supervisiona a equipe responsável pela inovação. O objetivo do grupo foi encontrar uma forma simples e barata de identificar rastreadores ocultos, muitas vezes usados por agressores para vigiar vítimas de forma clandestina.
De acordo com Huang, a indústria de tecnologia criou muitas ferramentas que acabam sendo reutilizadas para perseguir e espionar pessoas. “A indústria de tecnologia criou muitas ferramentas que podem ser reutilizadas para cyberstalking, mas investiu muito menos em tecnologias que protegem a privacidade”, afirmou. Ele acredita que a nova abordagem pode dar mais segurança e controle às vítimas.
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Rastreamento GPS: um problema comum
O candidato a doutorado Moshe (Mo) Satt, que trabalha com Huang, é o principal autor do estudo. Ele vai apresentar os resultados na conferência USENIX VehicleSec ’25, em Seattle, no mês de agosto.
Para Satt, a prática do rastreamento via GPS em casos de violência doméstica é comum. “Queríamos desenvolver uma ferramenta para combater esse problema que fosse barata e potencialmente muito fácil de usar”, afirmou.
Satt também é Diretor de Segurança da Informação do Departamento de Saneamento de Nova York e leciona cursos de segurança cibernética na própria NYU Tandon.
Dispositivo simples, resultado eficaz
A solução desenvolvida se baseia no uso do tinySA, um analisador de espectro portátil que custa em torno de US$ 150. Normalmente usado por entusiastas de rádio para testar antenas e corrigir falhas em equipamentos sem fio, o aparelho foi adaptado com um algoritmo especializado.
Esse algoritmo consegue identificar sinais fracos dos rastreadores em meio ao ruído das transmissões de celulares. Ele se concentra nas bandas de frequência uplink LTE IoT, que são usadas por muitos rastreadores GPS modernos.
Detecção durante a condução
Com a nova configuração, qualquer pessoa pode usar o tinySA como sistema móvel de detecção. Durante a condução, basta observar os picos regulares de sinal.
Caso apareçam com frequência, é possível que um rastreador esteja presente no veículo. A tecnologia funciona num raio de até 90 centímetros.
Segundo o estudo, mesmo quem não possui conhecimento técnico pode operar o sistema. Isso representa um avanço importante para quem precisa agir de forma discreta e rápida.
A pesquisa foi desenvolvida como resposta a um problema de segurança pública. Estima-se que 13,5 milhões de pessoas sofram perseguição nos Estados Unidos todos os anos.
Desses casos, 80% envolvem algum tipo de perseguição tecnológica. Em algumas situações, a vigilância por GPS já resultou em agressões físicas.
A equipe pretende expandir a utilidade do sistema. Entre os próximos passos estão o desenvolvimento de versões integradas a smartphones, modelos automatizados de detecção, parcerias com organizações de apoio a vítimas e até serviços móveis de assistência parecidos com os de guincho ou seguro. A proposta é tornar a detecção de rastreadores mais comum, segura e acessível para quem mais precisa.
Com informações de Tech Explore.

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