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Nova ‘Muralha da China’ tem 3.046 km, cobre 30 milhões de hectares e usa palha, painéis solares e bombas fotovoltaicas para frear deserto; projeto bilionário quer deter o “Dragão Amarelo” até 2050

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 31/01/2026 às 20:15
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Cinturão verde de escala continental combina técnicas ancestrais e tecnologia solar para conter dunas, reduzir tempestades de areia e proteger cidades chinesas até meados do século, em um projeto iniciado nos anos 1970 que avança sobre áreas desérticas estratégicas e redefine o combate à desertificação no país.

A China concluiu, no fim de novembro de 2024, um cinturão verde de 3.046 quilômetros que circunda o deserto de Taklamakan, na região de Xinjiang.

O fechamento do anel foi divulgado por autoridades locais e pela imprensa estatal como um marco de uma campanha iniciada em 1978 para conter o avanço das dunas e reduzir tempestades de areia que atingem áreas populosas.

O empreendimento integra o Three-North Shelter Forest Program, considerado o maior esforço de combate à desertificação do país.

A estratégia combina técnicas tradicionais de estabilização de areia, plantio em larga escala e soluções de energia solar para irrigação e manutenção da vegetação.

Relatos divulgados por veículos internacionais associam o esforço a mais de 30 milhões de hectares reflorestados ao longo de décadas.

O horizonte do projeto segue fixado em 2050.

Taklamakan no centro da estratégia contra a desertificação

O Taklamakan é o maior deserto da China e uma das maiores áreas de dunas móveis do mundo.

A conclusão do cinturão de 3.046 km, anunciada como ocorrida em 28 de novembro de 2024, encerra uma etapa construída de forma gradual ao longo de décadas.

As intervenções se concentraram em pontos considerados mais vulneráveis à ação do vento e ao transporte de areia.

Apesar da imagem de um “cerco” verde, o projeto não se limita a uma faixa contínua de árvores.

Trata-se de um conjunto de medidas de contenção, com mosaicos de vegetação, estruturas de fixação do solo e corredores de proteção ao redor de estradas, assentamentos e áreas agrícolas.

Em paralelo, o governo chinês associa esse tipo de obra a metas nacionais de expansão da cobertura florestal e de redução de áreas afetadas pela desertificação.

Análises independentes, no entanto, registram questionamentos sobre a sobrevivência de mudas em regiões áridas.

Também há debate sobre o peso de fatores climáticos naturais na variação das tempestades de areia.

O “Dragão Amarelo” e o impacto das tempestades de areia

As tempestades de areia conhecidas localmente como “Dragão Amarelo” figuram como uma das principais ameaças ambientais do norte da China.

Esses eventos estão associados a ventos fortes que levantam poeira e grãos de areia.

Os efeitos incluem redução drástica da visibilidade, interrupções no transporte e aumento da concentração de partículas nocivas no ar.

As nuvens de poeira podem alcançar cidades distantes das áreas desérticas.

Esse alcance ampliado reforça a lógica de criar barreiras físicas e biológicas para limitar a mobilidade das dunas.

Especialistas lembram que a dinâmica das tempestades depende também de padrões atmosféricos sazonais e do uso do solo.

Por esse motivo, atribuir mudanças exclusivamente às obras de contenção segue sendo um desafio técnico.

Palha como base da engenharia para fixar dunas móveis

Uma das técnicas centrais adotadas no projeto é conhecida como straw checkerboard, ou grade de palha.

Em vez de plantar diretamente na areia solta, equipes instalam feixes de palha parcialmente enterrados.

Esses feixes formam quadrados no solo, geralmente com dimensões próximas de um metro por um metro.

A palha cria rugosidade na superfície e reduz a velocidade do vento junto ao chão.

Com menos energia, o vento perde capacidade de transportar os grãos de areia.

A areia passa a se acumular dentro dos quadrados, estabilizando o terreno.

Essa etapa inicial permite o plantio de mudas em um ambiente menos instável.

Com o tempo, as raízes das plantas assumem o papel de fixação permanente do solo.

Energia solar e irrigação em regiões sem eletricidade

Outra frente do projeto envolve a instalação de grandes áreas de painéis solares em regiões arenosas.

Iniciativas desse tipo se expandiram em áreas como o deserto de Kubuqi e zonas próximas ao Taklamakan.

Além de gerar eletricidade, os painéis funcionam como barreiras artificiais contra o vento.

Eles criam sombra, reduzem a evaporação do solo e alteram o microambiente local.

A energia produzida no próprio local substitui motores a diesel em sistemas de irrigação.

Essa eletricidade alimenta bombas usadas para captar água subterrânea e manter faixas de vegetação.

O uso de irrigação é considerado um dos pontos mais sensíveis do modelo.

Plantios em regiões áridas dependem de água, recurso limitado em áreas desérticas.

Por isso, autoridades destacam a seleção de espécies mais resistentes à seca e ao solo salino.

Metas até 2050 e o debate sobre eficiência do reflorestamento

Lançado em 1978, o Three-North Shelter Forest Program tem prazo oficial de execução até 2050.

Informações divulgadas por canais oficiais indicam que o programa abrange cerca de 42% do território chinês.

Dados apresentados pelo governo apontam aumento da cobertura florestal nas áreas atendidas.

O índice teria passado de 5,05% em 1978 para 13,84% em 2023.

Esses números são usados como evidência de avanço no controle da desertificação.

Pesquisadores, porém, alertam para desafios recorrentes, como mortalidade de mudas e risco de monoculturas.

Também há preocupação com a compatibilidade entre expansão vegetal e disponibilidade hídrica.

Com o cinturão de 3.046 km anunciado como fechado, a China sinaliza que seguirá ampliando a barreira ecológica.

A questão central passa a ser como medir, ao longo do tempo, o impacto real dessas intervenções sobre as tempestades de areia e sobre os ecossistemas locais.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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