A Petrobras iniciou a produção de petróleo e gás da plataforma P-78 no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, ampliando a capacidade produtiva e a oferta de gás natural no Brasil.
O setor de petróleo brasileiro encerrou 2025 com um avanço relevante no pré-sal. No último dia do ano, a Petrobras iniciou a produção de óleo e gás da plataforma P-78 no campo de Búzios, localizado na Bacia de Santos. O projeto reforça a importância do campo, considerado o maior do país em volume de reservas e produção, além de ampliar de forma significativa a capacidade instalada da estatal.
Esse movimento ocorre em um contexto de busca por maior eficiência operacional e crescimento sustentado da produção de petróleo e gás natural. Ao mesmo tempo, a entrada em operação da P-78 fortalece a infraestrutura de exportação de gás para o continente, contribuindo para a expansão da oferta energética nacional.
Capacidade da P-78 amplia produção de petróleo em Búzios
A unidade Búzios 6, identificada como P-78, possui capacidade para produzir até 180 mil barris de petróleo por dia, além de processar 7,2 milhões de metros cúbicos de gás diariamente. Com isso, o FPSO eleva a capacidade instalada total do campo para cerca de 1,15 milhão de barris de petróleo por dia.
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Além da produção de óleo, o projeto se destaca pela possibilidade de exportar gás natural ao continente por meio da interligação com o gasoduto ROTA 3. Esse sistema pode ampliar a oferta de gás no Brasil em até 3 milhões de metros cúbicos por dia, fortalecendo o mercado interno e diversificando o aproveitamento dos recursos do pré-sal.
Metas da Petrobras e papel estratégico de Búzios
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o início da produção da P-78 marca um avanço direto nas metas da companhia para o ano seguinte. “Com o primeiro óleo da P-78, iniciamos o ano já avançando na principal meta que temos para 2026: o aumento da produção de petróleo e gás da Petrobrás. Projetamos produzir 2,5 milhões de barris de petróleo por dia ao longo desse ano e grande parte virá de Búzios, o maior campo do país em reservas e em produção. Além disso, estamos também ampliando a oferta de gás natural ao mercado brasileiro, outra meta expressa em nosso Plano de Negócios.”
A declaração reforça o protagonismo do campo de Búzios na estratégia de crescimento da estatal, especialmente no que diz respeito à consolidação do pré-sal como principal polo produtor de petróleo do Brasil.
FPSO inaugura nova geração de projetos próprios
A P-78 é uma unidade do tipo FPSO, sigla para sistema flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo. O navio-plataforma inaugura uma nova família de projetos próprios da Petrobras, desenvolvida a partir do PBRef, o Projeto Básico de Referência.
Esse modelo consolidou centenas de lições aprendidas com as primeiras unidades em operação no pré-sal. Como resultado, o projeto trouxe ganhos relevantes em segurança, confiabilidade e padronização operacional. Além disso, a plataforma passou por mudanças na estratégia de contratação, construção e montagem, alinhadas ao Programa FORTALECE, também conhecido como PROFORT.
Esse programa definiu requisitos técnicos de qualidade e eficiência para os estaleiros envolvidos, indo além das exigências tradicionais de conteúdo local. Ainda assim, o contrato da P-78 prevê um compromisso mínimo de 25% de conteúdo local, fortalecendo a cadeia produtiva nacional.
Construção, conteúdo local e participação de estaleiros brasileiros
Dos 23 módulos de topside da plataforma, 10 foram construídos no estaleiro BrasFELS, localizado em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro. Essa participação reforça a presença da indústria nacional em projetos de alta complexidade do setor de petróleo e gás.
A adoção de um modelo contratual mais rigoroso buscou garantir maior previsibilidade nos prazos, além de elevar o padrão de qualidade das estruturas entregues. Esse conjunto de fatores contribuiu para a robustez do projeto e para a eficiência da unidade desde o início da operação.
Tecnologias para eficiência e redução de emissões
A P-78 está equipada com tecnologias voltadas à redução de emissões e ao aumento da eficiência operacional. Entre os destaques estão o sistema de recuperação de gases de queima, a utilização de variação de rotação em bombas e compressores e a integração energética entre correntes quentes e frias no processamento de óleo e gás.
O projeto contempla ainda 13 poços, sendo seis produtores e sete injetores. Todos contam com sistemas de completação inteligente, que ampliam a capacidade de gerenciamento da produção e otimizam o aproveitamento dos reservatórios.
A unidade está interligada por dutos rígidos de produção, injeção e exportação de gás, além de dutos flexíveis para linhas de serviço. Tecnologias inovadoras foram empregadas na fixação desses dutos ao FPSO, permitindo operar em alta capacidade, conforme previsto para os poços do campo.
Chegada ao Brasil e importância histórica do campo de Búzios
Com 345 metros de comprimento e 180 metros de altura até o topo do flare, a P-78 chegou ao Brasil em outubro, vinda de Singapura. A embarcação já trouxe a bordo as equipes de comissionamento e operação, estratégia que permitiu avançar nos testes dos sistemas durante o translado.
Essa decisão eliminou a necessidade de parada em águas abrigadas no país, gerando ganhos de segurança, confiabilidade e prontidão operacional. Atualmente, a P-78 é a sétima plataforma em operação no campo de Búzios.
Descoberto em 2010 pelo poço 2-ANP-1-RJS, o campo está localizado a cerca de 180 quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro, em águas ultraprofundas da Bacia de Santos, a mais de 2 mil metros de profundidade. Em outubro de 2025, Búzios superou a marca de 1 milhão de barris de petróleo produzidos por dia, consolidando sua posição como o principal ativo do pré-sal brasileiro.


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