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No Sul do Brasil, um casal construiu uma estufa russa de 430 tijolos que aquece a casa de 90 m² a noite inteira queimando só 15 kg de lenha de uma vez

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 03/07/2026 às 20:54 Atualizado em 03/07/2026 às 20:57
Assista o vídeoEstufa russa: casal do Sul do Brasil aquece casa de 90 m² a noite toda com 15 kg de lenha e 430 tijolos; veja a construção e os erros em vídeo
Estufa russa: casal do Sul do Brasil aquece casa de 90 m² a noite toda com 15 kg de lenha e 430 tijolos; veja a construção e os erros em vídeo
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No vídeo do canal Recanto Curicaca, com mais de 137 mil visualizações, Rui mostra os canais internos do aquecedor de alvenaria, os erros que cometeu na obra e os termômetros provando 21,7°C dentro de casa com 3,7°C lá fora

A estufa russa saiu dos manuais antigos e entrou numa casa de madeira do Sul do Brasil, e o resultado está medido em vídeo publicado em 20 de junho de 2026 no canal Recanto Curicaca, no YouTube. Nele, Rui apresenta o aquecedor de alvenaria que construiu com as próprias mãos: queimando 15 kg de lenha numa única fornada, a estrutura mantém a casa de 90 m² aquecida durante a noite inteira e boa parte do dia seguinte.

O detalhe que muda tudo é a massa. Segundo o canal Recanto Curicaca, foram 430 tijolos só na parte de acumulação de calor, uma estrutura de mais de uma tonelada que absorve o calor do fogo e o devolve lentamente para a casa por horas, mesmo depois de a lenha virar brasa.

A casa que foi projetada para segurar o calor

Rui abre o vídeo com um alerta que derruba a expectativa de solução mágica: a maior parte do calor armazenado na estufa precisa ficar dentro da casa, e a construção dele foi feita para garantir isso. A casa é de madeira, com paredes duplas e grossas, elevada do chão frio, assoalho de madeira espesso, portas e janelas vedadas e subcobertura de madeira.

O mais surpreendente é o que não tem: nenhum isolante industrial, nem lã de vidro nem lã de rocha, só madeira e ar, segundo o canal Recanto Curicaca. Rui ainda cutuca um mistério nacional: com raríssimas exceções, o jeito de construir casa no Brasil é o mesmo de norte a sul, e assim quem mora no calor sofre e quem mora no frio também.

Os canais escondidos por onde o calor viaja

Fiadas de tijolos maciços formam os canais que conduzem o calor da fornalha até a chaminé.
Fiadas de tijolos maciços formam os canais que conduzem o calor da fornalha até a chaminé.

O que ninguém vê na estufa russa pronta é justamente o seu segredo: os canais internos. Conforme o canal Recanto Curicaca mostra na obra, o calor sai da fornalha, percorre uma sequência de canais formados por tijolos e estruturas soltas e só então escapa pela chaminé, entregando energia para a alvenaria a cada curva do caminho.

A versão de Rui tem até mais canais que o modelo grande do manual. Depois que se entende como os canais são feitos, a quantidade é decisão do construtor, explica ele no vídeo. A base foi feita com pedras e cimento, fora do assoalho da casa, com um suporte de tijolos preenchido com areia, e a estufa ocupa praticamente o centro da planta, para não desperdiçar calor aquecendo parede voltada para fora.

Um mês de obra nas mãos de quem nunca tinha assentado tijolo

A parte mais inspiradora da história é a inexperiência do construtor. Rui admite que tinha pouquíssima vivência de alvenaria e, por isso, montou a estufa inteira a seco, fiada por fiada, numerou todas as peças, desmontou tudo e só então remontou com argamassa.

A obra levou perto de 1 mês, entre conferências de esquadro e prumo e correções de erros. Alguém com experiência em alvenaria, garante ele no vídeo, construiria a mesma estufa em poucos dias. O material principal foram tijolos maciços comuns, com refratários apenas na base da fornalha, na base do forno e em um dos canais, e até os tijolos tortos e fora de padrão entraram na parede.

Os erros que ele confessa: argamassa refratária e tijolo do manual

O vídeo vale ouro pelos erros assumidos. A argamassa refratária usada em alguns pontos trincou ou soltou já no primeiro fogo, mesmo brando; onde Rui aplicou a mistura de cimento, areia e açúcar, o resultado foi melhor. E a regra de ouro que ele aprendeu: quanto mais fina a camada de argamassa, menor a chance de trinca, o que ficou difícil com tijolos irregulares.

O outro arrependimento foi seguir as medidas do manual antes de escolher os tijolos. Se fosse construir de novo, ele primeiro selecionaria o material, montaria duas fiadas de teste e só então ajustaria as dimensões, cortando muito menos peça. As trincas que ficaram, garante, não comprometem nem a segurança nem a eficiência.

Os termômetros não mentem: 21,7°C dentro, 3,7°C lá fora

Estufa de alvenaria pintada com cal irradia calor na sala da casa de madeira em noite gelada.
Estufa de alvenaria pintada com cal irradia calor na sala da casa de madeira em noite gelada.

A prova de desempenho vem em números, com data e hora. Segundo o canal Recanto Curicaca, no dia 16 de junho, às 21h17, o termômetro marcava 23,7°C subindo dentro de casa e 8,4°C descendo lá fora. Na manhã seguinte, dia 17, às 5h, ainda havia 21,7°C no ambiente interno contra 3,7°C no exterior.

Na parede da própria estufa, a medição chegou a 42,6°C e seguia subindo, com pontos onde não dá para encostar a mão. A estufa leva cerca de 2 horas para esquentar e, depois disso, o casal apaga o fogo antes de dormir, fecha a entrada de ar e o registro da chaminé, e a alvenaria segue irradiando calor a noite toda. A sensação, descreve Rui, é a de entrar num lugar onde o calor envolve o corpo, como ficar no sol, sem o clássico problema do fogão a lenha de esquentar as costas e gelar o peito.

Porta de ferro fundido, forno de pão e chaminé acima da cumeeira

As adaptações locais são a parte mais técnica do vídeo. No lugar da porta de aço sugerida pelo manual, que empena com o calor prolongado, Rui garimpou uma porta de ferro fundido de 34 por 26 centímetros, material que não deforma, e repetiu o tamanho na porta do forno.

Sim, tem forno: empurrando as brasas para o compartimento, sobra calor de sobra para assar pão e fazer cozidos, um opcional que ele decidiu incluir porque forno é sempre útil. A chaminé, encomendada num modelo antirretorno, sobe cerca de 1,10 metro acima da cumeeira e não devolve fumaça nem com vento forte, instalada sobre placa de concreto em vez da chapa de aço do manual. A fornalha, com quase 1 metro de profundidade, engole lenha irregular e pedaços grandes, sem exigir corte miúdo.

O que a estufa russa exige em troca

Nem tudo é conto de fadas, e o vídeo não esconde. Como todo equipamento a lenha, a estufa exige limpeza periódica da chaminé e dos dutos de fumaça, com pontos de acesso que normalmente pedem a desmontagem de alguma parte, e o intervalo depende da lenha: madeira resinosa suja mais rápido.

O calor forte também seca o ar. O casal dorme com a porta dos quartos fechada, mantendo o ambiente de dormir cerca de 5°C mais frio e com umidade perto de 70%, um arranjo que junta conforto térmico na sala e ar respirável no quarto. A serpentina para aquecer água era possível, mas Rui desistiu do peso da caixa d’água e do boiler no sótão.

A tecnologia centenária que o Brasil frio ignora

O arremate do vídeo é uma provocação. Nada ali é invenção nova: o projeto da estufa russa é público, o manual está disponível, e Rui repete que não era pedreiro quando começou e talvez ainda não seja. Uma estufa dessas pode atender dois andares e até ser acoplada a um fogão.

Mesmo assim, uma solução simples, barata e comprovada em regiões frias do mundo continua praticamente desconhecida por boa parte de quem vive no frio brasileiro, onde o inverno do Sul castiga casas construídas no mesmo padrão do Nordeste. A estufa de 430 tijolos do Recanto Curicaca funciona como um recado: o problema do frio dentro de casa no Brasil não é falta de tecnologia, é falta de informação.

Assista à estufa russa por dentro em vídeo

A construção completa, dos canais internos escondidos aos termômetros medindo o desempenho na madrugada gelada, está no canal Recanto Curicaca, no YouTube.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Depois de ver 15 kg de lenha aquecerem 90 m² a noite inteira, fica a pergunta: por que o Sul do Brasil, que se veste de inverno todos os anos, ainda constrói casa como se morasse no verão eterno? Conta pra gente nos comentários: você construiria uma estufa russa na tua casa?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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