Inspirado na imigração italiana, Clésio Mondini ergueu manualmente um castelo no quintal em Ascurra, Santa Catarina, transformando pesquisa genealógica, reaproveitamento de materiais e memória familiar em espaço Vale do Itajaí
Clésio Mondini, de 59 anos, idealizou, desenhou e ajudou a construir com as próprias mãos um castelo no quintal de casa, em Santa Catarina, inspirado na Itália, transformando memória familiar em patrimônio simbólico que hoje atrai visitantes e eventos no Vale do Itajaí.
Raízes italianas como ponto de partida do projeto
Descendente de imigrantes da região de Verona, Clésio sempre manteve forte ligação com a história familiar, o que o levou a pesquisar documentos antigos.
A investigação permitiu reconstruir a árvore genealógica dos Mondini, com registros que alcançam o ano de 1750, conectando gerações e territórios.
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Esse resgate histórico funcionou como base conceitual do projeto, unindo memória, identidade cultural e trabalho manual em uma iniciativa pessoal.
A família se estabeleceu em Ascurra, no Médio Vale do Itajaí, em uma rua chamada Via Vêneto, referência direta à origem italiana.
Foi nesse contexto que Clésio passou a pensar em uma construção que materializasse a trajetória dos antepassados no Brasil.
Um castelo inspirado em Verona, mesmo sem conhecer a Itália
Quando iniciou a obra, Clésio nunca havia visitado a Itália, mas buscou referências em filmes, livros e imagens de castelos medievais.
O foco principal foi a arquitetura da região de Verona, cenário associado à história de Romeu e Julieta, presente em vários detalhes.
Segundo Clésio, a posição das janelas foi inspirada na famosa janela de Julieta, adaptada ao espaço disponível no terreno.
Cada elemento foi pensado para remeter ao estilo medieval, respeitando proporções e formas observadas nas referências estudadas.
Essa etapa conceitual orientou toda a construção, mesmo sem a existência de um projeto técnico formal.
Obra iniciada em 2006 no quintal da própria casa
O castelo começou a tomar forma em abril de 2006, no bairro Guaricanas, em um terreno de mais de 5 hectares.
A área era ocupada por cerca de 10 mil parreiras de uva, além da casa da família e outras estruturas.
No mesmo espaço vivia a nona, como são chamadas as avós em italiano, além de um altar e um lago.
Clésio desenhou tudo à mão, acompanhando cada etapa ao lado de um pedreiro e de familiares próximos.
Ele relata que fazia os desenhos no papel e repassava as orientações diretamente para execução no local.
Materiais reaproveitados reforçam autenticidade medieval
Para garantir fidelidade estética, a obra utilizou principalmente materiais reaproveitados de construções antigas da região.
Cerca de 50 mil tijolos de demolição, com mais de 100 anos, foram usados na primeira fase do castelo.
Portas de um hotel desativado, madeiras de barricas de vinho e argolas metálicas de tonéis integram a estrutura.
As peças de ferro foram moldadas artesanalmente, reforçando o caráter manual e histórico da edificação.
Cada material incorporado carrega uma origem específica, contribuindo para a narrativa construída no espaço.
Castelo italiano: De projeto pessoal a cenário para eventos no Vale do Itajaí
Com o tempo, o castelo deixou de ser apenas um projeto familiar e passou a despertar curiosidade de visitantes.
Inicialmente, parte do espaço foi usada em atividades ligadas à vinícola da família, sem foco comercial amplo.
A partir de 2007, o local começou a receber casamentos, evento, ensaios fotográficos e celebrações temáticas.
O visual diferenciado transformou o castelo em um dos cenários mais curiosos do Vale do Itajaí.
Mesmo assim, Clésio afirma que o projeto nunca foi pensado apenas como negócio, mas como expressão de história.
Um legado em constante transformação
Mais de 18 anos após o início da obra, o castelo segue em permanente transformação e ampliação planejada.
As novas etapas respeitam o estilo medieval e mantêm o uso de materiais reaproveitados como princípio central.
Para Clésio Mondini, a construção representa uma forma de eternizar a trajetória da família no Brasil.
O espaço preserva vínculos com a imigração italiana e reforça a identidade construída ao longo das gerações.
No quintal de casa, ele criou um legado pessoal que conecta passado, memória e pertencimento cultural.
Com informações de ND Mais.


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