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No projeto Cactus Dome, os EUA enterraram cerca de 73 mil m³ de resíduos químicos e radioativos em ilhas do Pacífico — e agora o domo de concreto nas Ilhas Marshall começou a rachar com o avanço do mar

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 06/01/2026 às 15:23
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No projeto Cactus Dome, os EUA enterraram cerca de 73 mil m³ de resíduos químicos e radioativos em ilhas do Pacífico — e agora o domo de concreto nas Ilhas Marshall começou a rachar com o avanço do mar
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Projeto Cactus Dome enterrou 73 mil m³ de resíduos radioativos nas Ilhas Marshall; concreto racha, mar avança e risco ambiental preocupa cientistas.

Entre o fim da década de 1940 e os anos 1950, as Ilhas Marshall se tornaram um dos principais campos de testes nucleares dos Estados Unidos. No contexto da Guerra Fria, o arquipélago foi escolhido por sua localização remota no Pacífico e pelo controle político exercido por Washington sobre o território após a Segunda Guerra Mundial. Entre 1946 e 1958, os EUA realizaram 67 testes nucleares na região, muitos deles com potência equivalente a centenas de bombas de Hiroshima. O resultado foi um volume gigantesco de solo, estruturas, equipamentos e detritos contaminados por material radioativo.

Foi nesse contexto que nasceu o Cactus Dome, também conhecido como Runit Dome. Construído entre 1977 e 1980, o projeto tinha um objetivo claro: isolar os resíduos radioativos gerados pelos testes nucleares realizados principalmente nos atóis de Enewetak e Bikini. Em vez de remover o material contaminado para território continental, os EUA optaram por enterrá-lo localmente, selando-o sob uma cúpula de concreto.

O que existe dentro do Cactus Dome: números que impressionam

O Cactus Dome abriga aproximadamente 73 mil metros cúbicos de resíduos químicos e radioativos, segundo dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE).

Esse volume inclui solo contaminado com plutônio, césio-137, estrôncio-90, fragmentos de concreto, metais e restos estruturais provenientes das áreas atingidas pelas explosões nucleares.

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A cúpula tem cerca de 115 metros de diâmetro e cobre uma cratera deixada por um teste nuclear realizado em 1958.

O concreto foi colocado diretamente sobre o material contaminado, sem revestimento impermeável na base. Ou seja, o domo não foi projetado como um sistema hermeticamente selado, mas como uma solução de contenção considerada suficiente para a época.

Rachaduras, infiltração e avanço do nível do mar

Décadas depois, o que era visto como solução definitiva passou a ser encarado como um risco ambiental crescente. Estudos conduzidos por pesquisadores da Columbia University e análises técnicas do próprio DOE indicam que o concreto do Cactus Dome apresenta rachaduras visíveis, sinais de desgaste estrutural e infiltração de água do mar.

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O problema é agravado pelo aumento do nível do oceano Pacífico, um dos mais acelerados do planeta devido às mudanças climáticas.

As Ilhas Marshall estão entre os territórios mais vulneráveis à elevação do mar, com áreas que mal ultrapassam dois metros de altitude. Em períodos de maré alta e tempestades, a água já alcança a base da estrutura, aumentando o risco de corrosão interna e transporte de partículas radioativas para o ambiente marinho.

Por que o risco não é apenas local

Embora os níveis de radiação medidos fora do domo sejam, em geral, considerados baixos no curto prazo, cientistas alertam que o problema não é imediato, mas cumulativo e de longo prazo.

O material radioativo ali armazenado possui meia-vida que varia de décadas a milhares de anos. O plutônio, por exemplo, pode permanecer perigoso por mais de 24 mil anos.

Caso a estrutura sofra falhas mais severas, partículas contaminadas podem se dispersar no oceano, afetando ecossistemas marinhos, cadeias alimentares e populações humanas que dependem da pesca para subsistência. O Pacífico não reconhece fronteiras nacionais, o que transforma o Cactus Dome em um problema ambiental internacional.

A posição oficial dos Estados Unidos e as críticas

O governo dos EUA, por meio do DOE, reconhece a existência do domo e monitora sua condição estrutural, mas afirma que, até o momento, não há evidências de vazamento significativo que represente risco imediato à saúde humana.

Ainda assim, documentos oficiais admitem que o Cactus Dome não foi projetado para durar indefinidamente e que não há um plano claro de longo prazo para sua substituição ou reforço estrutural.

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Críticos apontam que a escolha de enterrar resíduos radioativos em um território insular vulnerável foi uma decisão política, não técnica.

Para a população local das Ilhas Marshall, o domo simboliza um legado imposto sem consentimento, cujas consequências ambientais e sociais recaem sobre comunidades que pouco se beneficiaram do programa nuclear americano.

Impacto humano e histórico nas Ilhas Marshall

Além do risco ambiental, o Cactus Dome carrega um peso histórico profundo. Comunidades inteiras foram deslocadas durante os testes nucleares, e muitos habitantes sofreram com doenças associadas à radiação ao longo das décadas seguintes. Até hoje, áreas dos atóis de Bikini e Enewetak permanecem inabitáveis ou com uso restrito.

O domo, visível por imagens de satélite, tornou-se um símbolo do custo oculto da corrida armamentista nuclear. Não se trata apenas de concreto rachando, mas de uma herança ambiental que atravessa gerações.

Um problema do passado que pressiona o futuro


O avanço do mar, a degradação do concreto e a longa vida útil dos resíduos radioativos colocam o Cactus Dome no centro de um dilema global: como lidar com o lixo nuclear produzido no século XX em um planeta que está mudando rapidamente? Cientistas alertam que ignorar o problema não o elimina — apenas transfere o risco para o futuro.

O projeto Cactus Dome foi pensado como solução definitiva. Hoje, ele expõe uma verdade incômoda: resíduos nucleares não desaparecem com o tempo político. Eles permanecem, pressionando estruturas, ecossistemas e decisões que ainda terão de ser tomadas.

E você, leitor: o mundo está preparado para enfrentar os passivos nucleares do século passado ou está apenas empurrando esse problema para as próximas gerações?

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Daniel
Daniel
09/01/2026 13:13

El número de 73m3 está mal, eso por ejemplo entra en un espacio de 5×5 metros con una altura de 3metros.

Krb
Krb
09/01/2026 12:46

Que lo mudan a los jardines de la casa blanca o acaso ya es la casa dorada del rey naranja.

Diego
Diego
09/01/2026 11:46

Es imposible de arreglar ahora el problema. Igual a ninguno de los gobiernos poderosos les interesa. Ya saben que todos prueban bombas nucleares en el mar y en las islas del pacifico sobre todo y les da lo mismo si hay o no radiactividad en la zona después. Es igual para ellos porque si muere gente es considerada de tercera clase. Lo que para ellos sería gente descartable. No tienen conciencia humana mucho menos ambiental.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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