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No Canadá, uma mina subterrânea usa caminhões controlados por robôs, rocha congelada e jatos de água para retirar urânio sem expor trabalhadores à radiação extrema

Publicado em 04/05/2026 às 13:01
Atualizado em 04/05/2026 às 13:03
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Imagem: Ilustração
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Com congelamento artificial do solo, robôs subterrâneos e jatos de água de altíssima pressão, Cigar Lake extrai urânio em uma área instável, saturada de água e com radiação extrema no Canadá

A mina de urânio congelada de Cigar Lake, no norte de Saskatchewan, no Canadá, usa congelamento artificial, robôs e jatos de água de altíssima pressão para extrair minério em rocha instável, saturada de água e com radiação extrema.

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Congelamento torna a extração possível

Operada pela Cameco Corporation, Cigar Lake é reconhecida como depósito de urânio de alto teor e complexidade técnica. O minério fica em rocha instável, cercada por um aquífero pressurizado.

O depósito está em uma camada de arenito extremamente porosa e saturada de água. Nessa condição, a mineração convencional seria impossível, devido ao risco de inundações catastróficas no avanço subterrâneo.

Para resolver esse impasse, a operação usa congelamento artificial do solo em larga escala. A técnica transforma a rocha ao redor do minério em uma barreira sólida, impermeável e capaz de conter a água.

A mina de urânio congelada faz circular salmoura refrigerada por quilômetros de tubagens subterrâneas. A área ao redor do depósito vira um bloco de gelo que permite a retirada controlada do minério.

Sensores térmicos acompanham a temperatura do solo congelado. Esse controle confirma se a contenção permanece estável e se a barreira gelada continua protegendo a operação contra infiltrações.

Jatos de água substituem explosivos

Cigar Lake não utiliza explosivos nem escavação manual para retirar urânio. Os níveis extremos de radiação exigem distância entre trabalhadores e rocha, o que levou ao Método de Mineração por Jateamento, o JBS.

O equipamento é instalado em túneis abaixo da camada de urânio e opera de forma autônoma. Assim, nenhum operador precisa entrar em contato direto com o minério radioativo.

Um bocal giratório projeta jatos de água de altíssima pressão contra a rocha. As pressões superam mil bars e trituram o minério, transformando o urânio em uma lama espessa.

Na mina de urânio congelada, essa lama é recolhida por tubulações blindadas e enviada para a superfície. As linhas usam aço de parede dupla e alta resistência para impedir vazamentos e contato humano direto.

O posicionamento das máquinas de jateamento ocorre por sistemas de orientação laser subterrâneos. Essa precisão permite atingir o minério com controle, mantendo a operação automatizada em área de alta radiação.

Transporte blindado e robótica reduzem risco

A movimentação do material radioativo exige logística milimétrica e equipamentos pesados blindados. O objetivo é levar o minério da profundidade até a planta de processamento sem manuseio direto e sem contaminação.

Recipientes blindados são carregados em veículos operados remotamente, chamados AGVs. Esses veículos mantêm o fluxo de transporte sem expor trabalhadores às cargas e integram a cadeia automatizada subterrâena.

Ferramentas passam por descontaminação automatizada antes da manutenção preventiva. Esse procedimento evita que resíduos radioativos cheguem a áreas comuns e mantém equipamentos dentro dos padrões de segurança.

Os protocolos são monitorados por órgãos como a Comissão Canadense de Segurança Nuclear. Cada documento de trânsito e cada carga precisam seguir normas internacionais de radioproteçao.

A segurança também depende de sensores robóticos. Esses dispositivos medem radon e radiação gama em tempo real nas galerias, enviando alertas automáticos para a central de controle.

Com esses dados, as equipes ajustam ventilação e blindagem. A resposta rápida evita exposição acidental a partículas ionizantes perigosas e mantém a obra subterrânea dentro de limites rigorosos.

Veículos terrestres não tripulados realizam inspeções visuais e radiológicas. Eles substituem técnicos em áreas de alto risco e verificam condições das galerias sem colocar pessoas na frente do perigo.

Licenciamento acompanha água e impacto

O licenciamento ambiental de Cigar Lake envolve estudos de impacto profundos e planos de contingência. A proteção dos aquíferos é central, porque a mina opera em ambiente poroso, saturado e sensível.

A Cameco deve provar que o congelamento contém contaminantes e mantém a estabilidade da área de extração. Também precisa demonstrar que o fechamento futuro restaurará o ambiente original da região.

Auditorias regulares verificam bacias de contenção e tratamento de efluentes. A transparência dos dados operacionais sustenta a confiança das autoridades e das comunidades indígenas do norte de Saskatchewan.

A tecnologia aplicada em Cigar Lake mostra como automação, robótica e engenharia permitem operar em ambientes hostis.

O modelo abre caminho para outros depósitos difíceis e consolida o urânio canadense na geração nuclear limpa e segura.

Com informações de Monitor do Mercado.

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Romário Pereira de Carvalho

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