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Nem humano nem dinossauro: esqueleto ancestral de quase 1.000 anos é encontrado em estrada erodida na Austrália e intriga arqueólogos pela forma como foi enterrado

Publicado em 26/05/2026 às 15:08
Atualizado em 26/05/2026 às 23:38
esqueleto ancestral de quase 1.000 anos é encontrado em estrada erodida na Austrália e intriga arqueólogos pela forma como foi enterrado
© Arqueólogos encontraram um esqueleto de 1.000 anos em uma estrada australiana erodida, e não era nem humano nem dinossauro. Crédito: Dra. Amy Way, Museu Australiano.
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Esqueleto de dingo ancestral achado às margens do rio Baaka indica sobrevivência a ferimentos graves, sepultamento ritual e uma relação contínua entre comunidades Barkindji, animais, ancestrais e Terra há quase mil anos

Um dingo ancestral encontrado às margens do rio Baaka, também chamado rio Darling, na Austrália, revelou uma relação de cuidado entre comunidades Barkindji e esses cães selvagens há 963 a 916 anos. O animal sobreviveu a ferimentos graves antes de ser enterrado deliberadamente em um sítio cerimonial ativo por séculos.

esqueleto ancestral de quase 1.000 anos é encontrado em estrada erodida na Austrália e intriga arqueólogos pela forma como foi enterrado
Imagens em close-up dos ossos do antigo dingo, mostrando fraturas cicatrizadas e ferimentos identificados durante a análise arqueológica. Crédito: Arqueologia Australiana

Dingo ancestral foi exposto pela erosão em 2020

Os ossos apareceram pela primeira vez em 2020, após a erosão expor parte do esqueleto ao longo de um corte na estrada, a cerca de 1.300 quilômetros a oeste de Sydney. A descoberta mobilizou anciãos Barkindji e pesquisadores do Museu Australiano.

O estudo foi publicado online em 18 de maio de 2026 na revista Australian Archaeology. A pesquisa foi conduzida em colaboração com o Conselho de Anciãos Aborígenes Menindee e guardiões Barkindji, incluindo Dave Doyle e a anciã Barb Quayle.

Na cultura Barkindji, os garli, ou dingos, faziam parte da vida cotidiana e cerimonial. A análise do esqueleto trouxe evidências físicas que reforçam esse vínculo, já mantido pela memória e pelo conhecimento transmitido pelas comunidades locais.

Ossos mostram ferimentos graves que cicatrizaram

O dingo era macho e tinha entre quatro e sete anos quando morreu. Os dentes muito desgastados indicam que ele passou anos caçando. O esqueleto também apresentava costelas quebradas e uma fratura na parte inferior da perna.

Segundo os pesquisadores, essas lesões podem ter ocorrido durante uma caçada a cangurus. O ponto central da descoberta é que os ferimentos cicatrizaram, indicando que o animal sobreviveu por tempo suficiente após traumas sérios.

Na natureza, essa recuperação seria difícil sem algum nível de proteção e cuidado. Para o Dr. Loukas Koungoulos, da Universidade da Austrália Ocidental e do Museu Australiano, o caso mostra que esses animais não eram apenas tolerados perto dos acampamentos.

Ele afirmou que dingos como esse garli eram domesticados, viviam com as pessoas e estavam integrados ao cotidiano.

Para os pesquisadores, o achado amplia a compreensão sobre a convivência entre povos indígenas e dingos na região.

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Imagens em close-up dos ossos do antigo dingo, mostrando fraturas cicatrizadas e ferimentos identificados durante a análise arqueológica. Crédito: Arqueologia Australiana

Enterro em sambaqui indica ritual prolongado

O dingo ancestral foi enterrado deliberadamente dentro de um sambaqui, estrutura formada por material orgânico e conchas, construída ao longo da margem do rio.

Os arqueólogos acreditam que o sambaqui foi criado especificamente para o sepultamento ou aproximadamente na mesma época.

O local continuou sendo usado depois da morte do animal. Conchas de mexilhão de rio foram adicionadas ao sambaqui por centenas de anos, o que chamou atenção dos pesquisadores pela continuidade do gesto cerimonial.

Anciãos Barkindji envolvidos no projeto disseram que essa prática fazia parte de um ritual de “alimentação”, destinado a honrar o dingo como ancestral.

O estudo afirma que esta é a primeira documentação científica desse tipo de ritual associado ao enterro de um dingo.

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© Arqueólogos encontraram um esqueleto de 1.000 anos em uma estrada australiana erodida, e não era nem humano nem dinossauro. Crédito: Dra. Amy Way, Museu Australiano.

Pesquisa reforça conhecimento mantido pelos Barkindji

A Dra. Amy Way, do Museu Australiano, disse que a forma do sepultamento refletia o mesmo cuidado frequentemente destinado a ancestrais humanos respeitados.

Ela destacou que garli enterrados com esse respeito mostram que esses animais eram profundamente valorizados e amados.

Os pesquisadores enfatizaram que o esqueleto não revela uma tradição esquecida. O achado fornece evidências arqueológicas que corroboram o conhecimento que o povo Barkindji sempre manteve sobre sua relação com os dingos, os ancestrais e a Terra.

Depois da análise, os restos mortais do dingo foram devolvidos à sua “Terra”, termo usado na Austrália indígena para descrever a conexão espiritual, cultural e social com o território ancestral.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do material fornecido sobre o estudo publicado na revista Australian Archaeology, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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