Esqueleto de dingo ancestral achado às margens do rio Baaka indica sobrevivência a ferimentos graves, sepultamento ritual e uma relação contínua entre comunidades Barkindji, animais, ancestrais e Terra há quase mil anos
Um dingo ancestral encontrado às margens do rio Baaka, também chamado rio Darling, na Austrália, revelou uma relação de cuidado entre comunidades Barkindji e esses cães selvagens há 963 a 916 anos. O animal sobreviveu a ferimentos graves antes de ser enterrado deliberadamente em um sítio cerimonial ativo por séculos.

Dingo ancestral foi exposto pela erosão em 2020
Os ossos apareceram pela primeira vez em 2020, após a erosão expor parte do esqueleto ao longo de um corte na estrada, a cerca de 1.300 quilômetros a oeste de Sydney. A descoberta mobilizou anciãos Barkindji e pesquisadores do Museu Australiano.
O estudo foi publicado online em 18 de maio de 2026 na revista Australian Archaeology. A pesquisa foi conduzida em colaboração com o Conselho de Anciãos Aborígenes Menindee e guardiões Barkindji, incluindo Dave Doyle e a anciã Barb Quayle.
-
O primeiro trilionário da história, Elon Musk, abre o bolso e paga o equivalente a R$ 306 bilhões, ou US$ 60 bilhões, pela startup de programação com inteligência artificial Cursor, em mais uma aposta na IA feita por meio da SpaceX, sua empresa de foguetes
-
O futuro dos computadores pode mudar antes do esperado: Amazon aposta em computação quântica comercial em até sete anos, enquanto qubits, chip Ocelot, IA e simulações científicas entram no centro da nova corrida das big techs
-
O que uma vacina contra Covid-19 tem a ver com infarto e AVC? Estudo com mais de 1 milhão de veteranos revela uma ligação inesperada entre imunização, coração e idosos acima de 75 anos
-
Helicópteros despejam 6.000 troncos em 38 km de rios remotos de Washington para reverter décadas em que biólogos retiravam madeira da água achando que faziam o certo
Na cultura Barkindji, os garli, ou dingos, faziam parte da vida cotidiana e cerimonial. A análise do esqueleto trouxe evidências físicas que reforçam esse vínculo, já mantido pela memória e pelo conhecimento transmitido pelas comunidades locais.
Ossos mostram ferimentos graves que cicatrizaram
O dingo era macho e tinha entre quatro e sete anos quando morreu. Os dentes muito desgastados indicam que ele passou anos caçando. O esqueleto também apresentava costelas quebradas e uma fratura na parte inferior da perna.
Segundo os pesquisadores, essas lesões podem ter ocorrido durante uma caçada a cangurus. O ponto central da descoberta é que os ferimentos cicatrizaram, indicando que o animal sobreviveu por tempo suficiente após traumas sérios.
Na natureza, essa recuperação seria difícil sem algum nível de proteção e cuidado. Para o Dr. Loukas Koungoulos, da Universidade da Austrália Ocidental e do Museu Australiano, o caso mostra que esses animais não eram apenas tolerados perto dos acampamentos.
Ele afirmou que dingos como esse garli eram domesticados, viviam com as pessoas e estavam integrados ao cotidiano.
Para os pesquisadores, o achado amplia a compreensão sobre a convivência entre povos indígenas e dingos na região.

Enterro em sambaqui indica ritual prolongado
O dingo ancestral foi enterrado deliberadamente dentro de um sambaqui, estrutura formada por material orgânico e conchas, construída ao longo da margem do rio.
Os arqueólogos acreditam que o sambaqui foi criado especificamente para o sepultamento ou aproximadamente na mesma época.
O local continuou sendo usado depois da morte do animal. Conchas de mexilhão de rio foram adicionadas ao sambaqui por centenas de anos, o que chamou atenção dos pesquisadores pela continuidade do gesto cerimonial.
Anciãos Barkindji envolvidos no projeto disseram que essa prática fazia parte de um ritual de “alimentação”, destinado a honrar o dingo como ancestral.
O estudo afirma que esta é a primeira documentação científica desse tipo de ritual associado ao enterro de um dingo.

Pesquisa reforça conhecimento mantido pelos Barkindji
A Dra. Amy Way, do Museu Australiano, disse que a forma do sepultamento refletia o mesmo cuidado frequentemente destinado a ancestrais humanos respeitados.
Ela destacou que garli enterrados com esse respeito mostram que esses animais eram profundamente valorizados e amados.
Os pesquisadores enfatizaram que o esqueleto não revela uma tradição esquecida. O achado fornece evidências arqueológicas que corroboram o conhecimento que o povo Barkindji sempre manteve sobre sua relação com os dingos, os ancestrais e a Terra.
Depois da análise, os restos mortais do dingo foram devolvidos à sua “Terra”, termo usado na Austrália indígena para descrever a conexão espiritual, cultural e social com o território ancestral.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do material fornecido sobre o estudo publicado na revista Australian Archaeology, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

Seja o primeiro a reagir!