Subespécie dos Pirineus desapareceu em 2000, voltou por clonagem em 2003 e morreu poucos minutos depois por falha pulmonar
O bucardo, também conhecido como cabra-montês dos Pirineus, entrou para a história da ciência por um motivo raro. Afinal, ele é considerado o único animal conhecido extinto duas vezes.
Primeiramente, a subespécie Capra pyrenaica desapareceu oficialmente em janeiro de 2000, após a morte da última fêmea conhecida. Depois, em julho de 2003, voltou brevemente à vida por meio de clonagem. No entanto, o clone morreu poucos minutos após o nascimento.
Como o bucardo foi clonado
Antes da extinção oficial, cientistas preservaram células da última fêmea de bucardo em laboratório. Em seguida, pesquisadores da Espanha e da França usaram esse material genético em um experimento de clonagem.
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De acordo com o estudo publicado na revista científica Theriogenology, a técnica usada foi a transferência nuclear de células somáticas. Esse mesmo princípio ficou conhecido mundialmente com a ovelha Dolly.
Na prática, o núcleo de uma célula adulta do bucardo foi colocado em óvulos de cabras domésticas. Esses óvulos, anteriormente, tiveram o próprio DNA removido.

Etapas do experimento científico
O procedimento seguiu uma sequência técnica bastante delicada. O objetivo era recuperar a configuração genética do bucardo usando cabras domésticas como receptoras.
As principais etapas foram:
- coleta e congelamento de células da fêmea de bucardo;
- remoção do núcleo de óvulos de cabras domésticas;
- inserção do DNA do bucardo nesses óvulos vazios;
- cultivo dos embriões clonados em laboratório;
- implantação dos embriões em fêmeas receptoras.
Mesmo com centenas de embriões formados, apenas uma gestação chegou ao fim.
Nascimento e segunda extinção
Posteriormente, em 30 de julho de 2003, o clone nasceu por cesariana. Segundo os relatos científicos, o filhote tinha aparência externa normal.
Além disso, análises de DNA nuclear confirmaram que o animal era geneticamente idêntico à fêmea doadora. Porém, poucos minutos depois, o clone morreu.
Assim, o bucardo se tornou o primeiro animal extinto a ser clonado com nascimento vivo. Ao mesmo tempo, tornou-se também o único caso conhecido de extinção registrada duas vezes.
Por que o clone morreu tão rápido
Logo após o parto, o filhote apresentou grave dificuldade respiratória. Apesar do acompanhamento veterinário, ele não resistiu.
A necropsia apontou malformações nos pulmões, problema que impediu as trocas gasosas adequadas. A revista Theriogenology registrou que a morte ocorreu por defeitos físicos pulmonares.
O que o caso revelou sobre clonagem
A experiência mostrou que a clonagem pode preservar material genético, mas ainda apresenta riscos importantes. Entre os principais problemas estão:
- baixa taxa de sucesso gestacional;
- grande perda de embriões;
- alterações epigenéticas;
- anomalias em órgãos internos;
- complicações em fêmeas receptoras.
O caso do bucardo permanece como um marco científico. Ele mostrou, ao mesmo tempo, o potencial e os limites da clonagem em espécies ameaçadas.
