Gigante dinamarquesa fecha acordo com a britânica Anemoi para instalar rotor vertical na proa de cargueiro. Equipamento custa de US$ 600 mil a US$ 1,2 milhão, pode poupar cerca de 1 tonelada de combustível por dia e leva uma tecnologia antiga para uma indústria pressionada a reduzir emissões
A Maersk, segunda maior companhia de transporte de contêineres do mundo, decidiu testar uma solução que parece contraditória para uma indústria dominada por motores gigantes: voltar a aproveitar o vento. A empresa fechou um acordo para instalar uma vela rotativa de 35 metros de altura em um porta-contêineres de médio porte e avaliar se a tecnologia consegue reduzir de forma relevante o gasto com combustível e as emissões, conforme informações publicadas pelo Financial Times.
Entretanto, a vela não terá tecido, cordas ou o formato tradicional associado aos antigos veleiros. O equipamento desenvolvido pela britânica Anemoi será um grande cilindro vertical giratório, instalado na parte dianteira do navio.
Quando o vento passa ao redor da estrutura em rotação, o chamado efeito Magnus cria uma força adicional capaz de ajudar a empurrar a embarcação.
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Assim, os motores continuarão responsáveis pela propulsão principal. Porém, quando as condições forem favoráveis, o vento poderá assumir parte do esforço.
Estimativas citadas pelo FT indicam que sistemas modernos de propulsão eólica podem proporcionar economia de combustível entre 5% e 25%, dependendo principalmente do navio e da rota.
Além disso, a aposta ocorre justamente quando o transporte marítimo enfrenta pressão crescente para reduzir emissões. O setor responde por cerca de 3% das emissões globais de carbono, enquanto novas regras começam a tornar o combustível e o CO₂ ainda mais caros.
Vela de 35 metros ficará em pé na proa e não se parece com as estruturas dos antigos veleiros
O equipamento escolhido pela Maersk possui pouco em comum com a imagem clássica de uma vela branca inflada pelo vento.
Na prática, trata-se de um rotor cilíndrico de 35 metros, que ficará instalado verticalmente na região dianteira do porta-contêineres.
Além disso, a estrutura gira durante a navegação.
É justamente essa rotação que permite transformar o vento em força útil para o deslocamento.
O fenômeno físico recebe o nome de efeito Magnus. Quando um objeto gira dentro de um fluxo de ar, surgem diferenças de pressão ao redor de sua superfície.

Como consequência, aparece uma força perpendicular ao vento.
No caso de um navio, os engenheiros aproveitam essa força para ajudar a impulsionar milhares de toneladas pelo oceano.
Portanto, a tecnologia não tenta transformar novamente um cargueiro em veleiro.
Em vez disso, acrescenta uma segunda fonte de propulsão que trabalha ao lado dos motores convencionais.
Motor continua funcionando, mas o vento passa a fazer parte do trabalho
O princípio econômico é simples.
Um porta-contêineres precisa vencer constantemente a resistência da água e do ar para manter determinada velocidade.
Normalmente, seus motores fornecem praticamente toda a energia necessária.
Com o rotor funcionando, entretanto, parte dessa força passa a vir do vento.
Consequentemente, em determinadas condições, o motor pode consumir menos combustível para manter o mesmo deslocamento.
Essa redução pode parecer pequena em um único dia. Porém, navios comerciais passam centenas de dias navegando ao longo da vida operacional.
Assim, economias diárias podem se acumular durante milhares de quilômetros.
A tecnologia também foi projetada para operar em condições severas. Segundo a Anemoi, os rotores conseguem funcionar com ventos de até 35 metros por segundo, aproximadamente 126 km/h.
Ainda assim, esse valor representa um limite operacional, e não necessariamente a condição ideal para máxima economia.
Cada rotor pode poupar cerca de 1 tonelada de combustível e 3 toneladas de CO₂ por dia
Os números apresentados pela fabricante ajudam a explicar por que armadores começaram a observar a tecnologia com mais atenção.
Segundo estimativas da Anemoi citadas pelo Financial Times, cada rotor pode economizar aproximadamente 1 tonelada de combustível por dia.
Ao mesmo tempo, a redução associada pode chegar a cerca de 3 toneladas de CO₂ diariamente por vela.
No entanto, esses valores não representam garantia para todas as viagens.
A direção do vento, intensidade, rota, velocidade do navio e o próprio projeto da embarcação interferem diretamente no desempenho.
Além disso, a fabricante costuma instalar seus equipamentos em grupos de três a cinco rotores.
Por isso, a escala do sistema pode mudar consideravelmente de um navio para outro.
No piloto da Maersk, porém, a companhia começará com uma vela rotativa.
Assim, poderá medir o desempenho real antes de decidir se vale ampliar a tecnologia para outros porta-contêineres.
Economia pode variar de 5% a 25%, e a rota escolhida faz enorme diferença
A amplitude das estimativas mostra que instalar uma vela não produz automaticamente o mesmo resultado em todos os navios.
Especialistas citados pelo FT estimam que tecnologias de propulsão eólica podem gerar reduções de combustível entre 5% e 25%, dependendo da embarcação e da rota.
Em condições particularmente favoráveis, o ganho pode até superar essa faixa.
Essa diferença acontece porque o vento não está igualmente disponível em todos os trajetos.
Um navio que percorre repetidamente uma região com ventos fortes e favoráveis pode aproveitar muito mais o equipamento.
Por outro lado, uma embarcação que opera em rotas menos adequadas pode apresentar economia consideravelmente menor.
É justamente nesse ponto que os porta-contêineres possuem uma vantagem importante.
Rotas previsíveis permitem escolher onde o vento pode render mais dinheiro
Grandes companhias de contêineres normalmente operam serviços regulares.
Os navios repetem determinadas rotas, visitam portos conhecidos e seguem cronogramas relativamente previsíveis.
Assim, a empresa consegue estudar anos de dados meteorológicos antes mesmo de instalar um equipamento.
Ela pode analisar direção histórica dos ventos, velocidade média, tempo de viagem e velocidade operacional do cargueiro.
Depois, consegue identificar quais trajetos oferecem maior potencial.
Dessa forma, o vento deixa de ser apenas uma variável meteorológica.
Também passa a entrar na matemática financeira da viagem.
Quase todo o convés de um porta-contêineres já está ocupado
Apesar dessa vantagem, existe um obstáculo físico enorme.
Basta observar um grande porta-contêineres para entendê-lo.
Praticamente toda a superfície disponível acima do convés serve para empilhar caixas.
Em alguns navios, os contêineres formam verdadeiros edifícios metálicos sobre a embarcação.
Cada espaço utilizado por outra estrutura pode interferir na capacidade de transportar carga ou na operação dos guindastes durante uma escala.
Por isso, instalar uma vela de 35 metros de altura não envolve simplesmente escolher um ponto vazio e fixá-la ali.
A falta de espaço é uma das razões pelas quais porta-contêineres ainda não lideram a adoção de sistemas modernos de propulsão eólica.
Petroleiros, por exemplo, oferecem muito mais área livre sobre o convés.
Consequentemente, fabricantes conseguiram avançar primeiro nesse tipo de embarcação.
Maersk terá de provar que a vela economiza combustível sem atrapalhar a carga
Esse detalhe transforma o teste em algo maior do que uma demonstração de física.
A Maersk precisa descobrir se o equipamento consegue gerar economia sem comprometer aquilo que torna o navio comercialmente útil.
Um porta-contêineres precisa transportar caixas.
Além disso, precisa entrar em terminais, posicionar-se junto ao cais e permitir que enormes guindastes alcancem rapidamente sua carga.
Qualquer sistema instalado no convés precisa conviver com essa operação.
Por isso, a vela da Anemoi ficará fixa e vertical na proa do navio escolhido.
A fabricante possui outras soluções que podem se dobrar durante determinadas operações.
Entretanto, essa não será a configuração do primeiro teste.
Cada vela custa entre US$ 600 mil e US$ 1,2 milhão antes mesmo da instalação
A força do vento pode ser gratuita.
O equipamento necessário para aproveitá-la, porém, não é.
Cada rotor produzido pela Anemoi custa aproximadamente US$ 600 mil a US$ 1,2 milhão.
E esse valor ainda não inclui a instalação.
Como alguns sistemas utilizam de três a cinco unidades, uma instalação completa pode exigir vários milhões de dólares.
Portanto, reduzir combustível não basta.
A economia precisa ser grande o suficiente para recuperar o investimento dentro de um prazo comercialmente aceitável.
É nesse ponto que aparece um obstáculo menos visível do que a falta de espaço no convés.
Maior barreira pode estar nos contratos, e não na tecnologia
Segundo especialistas ouvidos pelo Financial Times, a principal barreira atualmente pode ser mais comercial do que técnica.
O problema aparece na forma como muitos navios são operados.
Frequentemente, o proprietário da embarcação paga pela instalação dos novos equipamentos.
Entretanto, quem paga a conta do combustível pode ser o afretador.
Nesse cenário, o dono desembolsa milhões para instalar as velas, enquanto outra empresa captura grande parte da economia obtida com menor consumo.
Além disso, o período necessário para recuperar o investimento pode ultrapassar a duração de um contrato típico de afretamento.
Assim, os incentivos não ficam naturalmente alinhados.
Essa situação ajuda a explicar por que uma tecnologia pode funcionar tecnicamente e, ainda assim, demorar para conquistar o mercado.
Custo maior do combustível começa a mudar a matemática das velas
Por outro lado, alguns fatores começaram a favorecer a propulsão eólica.
O primeiro é o preço do combustível.
Quanto mais caro fica abastecer um navio, maior se torna o valor financeiro de cada tonelada economizada.
Além disso, regras ambientais começam a transformar emissões em despesas mais diretas.
Consequentemente, a economia deixa de envolver apenas combustível.
Ela também pode atingir a conta associada ao carbono.
Por isso, uma tecnologia que parecia cara em um cenário de combustível barato pode ganhar atratividade quando os custos operacionais aumentam.
União Europeia já cobra o setor marítimo por parte das emissões
Desde 2024, a União Europeia incluiu o transporte marítimo em seu sistema de comércio de emissões.
Além disso, o bloco introduziu regras que exigem redução da intensidade de emissões dos combustíveis utilizados pelos armadores.
Na prática, isso acrescenta outro incentivo econômico.
Se uma companhia queima menos combustível, ela reduz emissões.
Consequentemente, também pode diminuir parte dos custos associados ao carbono.
Enquanto isso, a Organização Marítima Internacional continua discutindo novas regras globais para o setor.
Assim, tecnologias capazes de cortar consumo sem exigir uma troca completa dos motores ganham espaço.
Cerca de 110 navios comerciais já usam sistemas modernos de propulsão eólica
A Maersk não está entrando em uma tecnologia que existe apenas em laboratório.
Segundo dados citados pelo FT, existem aproximadamente 110 instalações comerciais em embarcações de grande porte.
Além disso, outras 80 a 90 unidades estão encomendadas.
Há ainda dezenas de projetos em desenvolvimento.
Nos últimos anos, o número de instalações cresceu rapidamente.
Entretanto, a maior parte desses sistemas apareceu em segmentos nos quais existe mais espaço disponível sobre o convés.
Petroleiros lideram esse movimento.
Graneleiros e navios transportadores de automóveis também começaram a receber diferentes tecnologias.
Agora, a Maersk quer descobrir se o mesmo avanço pode chegar aos cargueiros que transportam contêineres.
O vento retorna aos navios, mas agora conectado a sensores, automação e dados
A ideia de usar vento para atravessar oceanos possui milhares de anos.
Porém, a forma atual é completamente diferente.
O rotor não depende de marinheiros puxando cordas ou ajustando enormes pedaços de tecido.
Em vez disso, sistemas modernos controlam sua operação e aproveitam informações sobre vento, velocidade e rota.
Dessa maneira, uma tecnologia antiga passa a funcionar junto de automação, previsões meteorológicas e sistemas digitais de navegação.
O cilindro gira.
O efeito Magnus gera força.
Então, o motor pode reduzir parte do esforço.
Essa combinação mostra por que o retorno das velas não representa um retrocesso tecnológico.
Na realidade, a indústria tenta combinar um recurso usado há séculos com ferramentas que simplesmente não existiam nos antigos veleiros.
Outros sistemas usam asas dobráveis e velas de sucção para perseguir o mesmo objetivo
Os rotores da Anemoi representam apenas uma das soluções disponíveis.
Empresas também desenvolvem velas dobráveis, asas rígidas e sistemas de sucção, entre outras alternativas.
Cada projeto tenta resolver problemas semelhantes de maneiras diferentes.
O sistema precisa gerar força suficiente.
Ao mesmo tempo, não pode comprometer estabilidade, carga, visibilidade ou operação portuária.
Além disso, precisa resistir durante anos à maresia, vibração, ondas e condições meteorológicas severas.
Por isso, não basta funcionar em testes controlados.
A tecnologia precisa continuar disponível depois de milhares de horas em alto-mar.
Petroleiros saíram na frente porque oferecem mais espaço livre no convés
A distribuição das instalações atuais mostra como a arquitetura do navio influencia a adoção.
Petroleiros possuem grandes áreas de convés sem pilhas de contêineres.
Assim, os engenheiros encontram mais pontos onde podem instalar rotores, asas ou velas sem retirar diretamente capacidade de carga.
Já os porta-contêineres enfrentam uma situação diferente.
Quase todo espaço superior possui função logística.
Além disso, guindastes precisam movimentar rapidamente as caixas durante as escalas.
Por isso, o piloto da Maersk pode responder a uma pergunta importante para todo o setor:
é possível fazer a propulsão eólica funcionar economicamente justamente no tipo de navio em que o espaço é mais disputado?
Rotas fixas podem transformar previsão do vento em ferramenta de investimento
Se a resposta for positiva, a adoção provavelmente não acontecerá da mesma forma em toda a frota.
Algumas rotas oferecem condições melhores do que outras.
Portanto, companhias podem analisar seus serviços e selecionar embarcações específicas para receber os sistemas.
Uma rota com ventos historicamente favoráveis pode gerar retorno mais rápido.
Já outra pode não justificar o investimento.
Nesse cenário, dados meteorológicos ganham uma nova função.
Eles deixam de ajudar apenas no planejamento seguro da viagem.
Também podem ajudar a determinar onde vale a pena investir milhões de dólares em equipamentos de propulsão.
Maersk quer saber se solução serve para uma frota muito maior
A companhia vê o piloto como oportunidade de ganhar experiência prática.
Além disso, quer avaliar a relevância da tecnologia para sua própria frota e para o transporte de contêineres de maneira mais ampla.
Esse ponto é importante.
O objetivo não consiste apenas em provar que um cilindro consegue gerar força usando vento.
Esse princípio físico já está estabelecido.
A pergunta é comercial e operacional.
Quanto combustível será realmente economizado?
Como o equipamento se comportará ao longo das viagens?
Qual será o impacto nos terminais?
Quanto custará manter o sistema?
E, sobretudo, quanto tempo será necessário para recuperar o investimento?
Teste ganha peso porque Maersk opera no centro do comércio mundial
O tamanho da empresa aumenta a importância do piloto.
A Maersk ocupa a posição de segunda maior transportadora de contêineres do mundo.
Portanto, qualquer tecnologia que demonstre resultados consistentes dentro de sua operação ganha uma vitrine global.
Além disso, os porta-contêineres formam uma peça essencial das cadeias internacionais de abastecimento.
Eles transportam eletrônicos, máquinas, roupas, alimentos, componentes industriais e milhares de outros produtos entre continentes.
Por isso, uma redução aparentemente modesta de combustível por viagem pode ganhar outra dimensão quando aplicada repetidamente em uma grande frota.
Ainda assim, primeiro será necessário provar que a solução funciona justamente onde o espaço vale tanto.
Navios e portos também precisam conviver com estruturas cada vez maiores
A integração não termina quando a embarcação chega ao destino.
Porta-contêineres precisam atracar junto a terminais equipados com enormes guindastes.
Assim, qualquer nova estrutura instalada acima do convés precisa ser considerada também durante a operação portuária.
Esse desafio ganha importância enquanto a própria infraestrutura marítima passa por grandes transformações.
Em diferentes países, novas áreas portuárias avançam para receber navios e operações cada vez maiores.
No caso da vela da Maersk, a escolha da proa busca integrar o rotor ao navio sem impedir a função principal da embarcação.
Entretanto, os testes reais serão fundamentais para revelar limitações que desenhos e simulações nem sempre conseguem antecipar.
Tecnologia pode reduzir combustível sem exigir troca completa do motor
Uma vantagem importante está justamente na possibilidade de adaptação.
O sistema não exige abandonar imediatamente os motores existentes.
Em vez disso, o rotor atua como complemento.
Portanto, a companhia pode instalar a tecnologia em um navio já construído e aproveitar parte da energia do vento durante determinadas viagens.
Esse modelo de retrofit pode acelerar a adoção caso os resultados financeiros sejam positivos.
Afinal, a frota mundial possui milhares de embarcações que continuarão operando por muitos anos.
Esperar que todos esses navios sejam substituídos por projetos completamente novos levaria décadas.
Por isso, soluções capazes de reduzir emissões em embarcações existentes despertam interesse.
Descarbonização marítima provavelmente dependerá de várias tecnologias ao mesmo tempo
A propulsão eólica não aparece como solução única para as emissões do transporte marítimo.
O setor também testa combustíveis alternativos, novos motores, otimização de cascos, sistemas digitais e diferentes formas de reduzir resistência.
Portanto, o futuro provavelmente envolverá uma combinação.
Um navio pode utilizar combustível com menor intensidade de carbono.
Além disso, pode navegar em velocidade otimizada.
Ao mesmo tempo, sistemas digitais podem escolher rotas mais eficientes.
Por fim, quando houver vento favorável, uma vela moderna pode retirar outra parcela da carga dos motores.
Dessa maneira, pequenas melhorias se acumulam.
Esse raciocínio ajuda a explicar por que uma tecnologia capaz de cortar uma fração do consumo ainda pode ter grande valor.
Indústria já constrói embarcações gigantes para a nova infraestrutura energética
Enquanto companhias buscam reduzir emissões dos cargueiros existentes, o setor naval também desenvolve embarcações especializadas para uma economia mais eletrificada.
Projetos recentes incluem navios gigantes capazes de trabalhar a milhares de metros de profundidade, transportar dezenas de milhares de toneladas de cabos e conectar parques eólicos offshore.
Ao mesmo tempo, a Maersk testa uma abordagem muito mais simples em princípio: aproveitar o ar que já passa pelo navio.
As duas tendências mostram como a engenharia marítima está mudando em direções diferentes.
De um lado, surgem embarcações extremamente especializadas.
Do outro, tecnologias antigas retornam completamente redesenhadas.
Pressão para reduzir emissões cresce porque transporte marítimo responde por cerca de 3% do carbono global
O tamanho do desafio ajuda a explicar a quantidade de alternativas em desenvolvimento.
O transporte marítimo responde por aproximadamente 3% das emissões globais anuais de carbono.
Essa participação parece pequena quando comparada ao conjunto da economia mundial.
Entretanto, trata-se de uma indústria fundamental para o comércio internacional.
Além disso, substituir combustíveis em navios oceânicos apresenta dificuldades particulares.
Uma embarcação precisa transportar energia suficiente para cruzar enormes distâncias.
O combustível também precisa estar disponível em diferentes portos.
Por isso, qualquer solução que reduza a quantidade necessária durante a viagem pode ajudar enquanto combustíveis de baixo carbono ainda ganham escala.
Investimento de até US$ 1,2 milhão por rotor precisa disputar espaço com outras soluções
A decisão final continuará dependendo da conta financeira.
Um rotor custa entre US$ 600 mil e US$ 1,2 milhão, antes da instalação.
Portanto, armadores precisam comparar esse investimento com outras alternativas disponíveis.
Se uma melhoria no casco proporcionar retorno mais rápido, ela pode receber prioridade.
Se um novo combustível se tornar competitivo, a estratégia também muda.
Por outro lado, caso os preços de combustível e carbono aumentem, o valor de cada tonelada economizada cresce.
Assim, uma tecnologia considerada cara hoje pode se tornar muito mais atraente alguns anos depois.
É por isso que a Maersk precisa de dados reais.
O piloto ajudará a substituir projeções por experiência operacional.
A física é conhecida, mas o desafio agora é provar que a conta fecha
O efeito Magnus não representa uma descoberta recente.
Tampouco existe dúvida de que o vento consegue gerar força sobre uma estrutura rotativa.
A incerteza está em outro ponto.
Quanto essa força vale financeiramente em um porta-contêineres moderno?
Para responder, a companhia precisa considerar combustível economizado, emissões evitadas, custo do equipamento, manutenção, interferência operacional e vida útil.
Além disso, precisa analisar a rota.
Um resultado excelente em um corredor marítimo não garante desempenho igual em outro.
Portanto, o piloto representa uma tentativa de transformar física conhecida em uma decisão de investimento baseada em dados reais.
De 110 instalações atuais para uma possível nova geração de porta-contêineres
O mercado de propulsão eólica ainda é pequeno diante da frota marítima mundial.
Porém, os números indicam crescimento.
Existem cerca de 110 instalações comerciais, outras 80 a 90 encomendadas e dezenas de projetos em desenvolvimento.
Além disso, as instalações cresceram rapidamente nos últimos anos.
Até agora, porém, os porta-contêineres ficaram relativamente atrás.
A falta de espaço explica boa parte dessa diferença.
Assim, o projeto da Maersk pode funcionar como um teste importante para determinar se o segmento consegue acompanhar petroleiros, graneleiros e transportadores de automóveis nessa tendência.
Vento gratuito encontra uma indústria em que cada metro quadrado custa dinheiro
Essa talvez seja a contradição mais interessante do projeto.
A fonte de energia é gratuita.
O vento atravessa o oceano independentemente de o navio aproveitá-lo ou não.
Entretanto, capturar essa energia exige uma estrutura que custa até US$ 1,2 milhão por unidade e ocupa um espaço extremamente valioso.
Em um porta-contêineres, esse detalhe pesa ainda mais.
Cada metro disponível pode interferir na capacidade de transportar mercadorias.
Portanto, a Maersk precisa encontrar um equilíbrio.
A vela deve ser grande o suficiente para gerar economia.
Porém, não pode prejudicar significativamente a função comercial da embarcação.
Depois de séculos de evolução, navios modernos voltam a olhar para o vento
A ironia histórica é evidente.
Durante milhares de anos, embarcações dependiam do vento porque não existia alternativa.
Depois, motores a vapor e, posteriormente, motores movidos a combustíveis fósseis permitiram viagens mais rápidas e previsíveis.
Assim, grandes navios comerciais praticamente abandonaram as velas.
Agora, a pressão para reduzir combustível e emissões faz a indústria olhar novamente para o mesmo recurso.
Porém, ninguém pretende retornar ao modelo antigo.
A vela tradicional dá lugar a um cilindro de 35 metros controlado por tecnologia moderna.
O vento não substitui o motor.
Em vez disso, ajuda o motor a trabalhar menos.
Maersk testa se uma ideia antiga consegue sobreviver à matemática do transporte moderno
No fim, o piloto será decidido por números.
O rotor terá 35 metros de altura.
Cada equipamento da Anemoi custa entre US$ 600 mil e US$ 1,2 milhão, antes da instalação.
A fabricante estima economia próxima de 1 tonelada de combustível e 3 toneladas de CO₂ por vela diariamente, dependendo das condições.
Enquanto isso, especialistas calculam que a propulsão eólica pode reduzir o consumo entre 5% e 25% conforme o navio e a rota.
Agora, a segunda maior transportadora de contêineres do mundo precisa descobrir se esses ganhos compensam o investimento, a manutenção e, principalmente, o espaço ocupado em um convés projetado para carregar o máximo possível de caixas.
Se a conta fechar, uma indústria que passou mais de um século substituindo velas por motores poderá chegar a uma conclusão curiosa:
o futuro dos navios pode incluir novamente uma força que os movimentava muito antes da invenção dos combustíveis modernos.
Você acredita que velas modernas de 35 metros podem se tornar comuns em porta-contêineres ou o custo e a falta de espaço no convés ainda vão impedir que essa tecnologia ganhe escala?
