Embarcações serão produzidas no Estaleiro São Miguel, em São Gonçalo, para ampliar a capacidade de atendimento da empresa em sete portos brasileiros
Segundo reportagem publicada pelo Petronotícias em 1º de outubro de 2026, a Navemestra, empresa de bunkering do Grupo Bravante, pretende iniciar ainda neste ano a construção de seis novos rebocadores portuários no Estaleiro São Miguel, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. O projeto conta com financiamento aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e representa a retomada de novas construções no estaleiro após mais de cinco anos.
A confirmação reforça um movimento de recuperação da construção naval brasileira. Em agosto, o SINAVAL já havia informado que a Navemestra construiria as seis embarcações no Estaleiro São Miguel, integrante do Grupo Bravante. Na ocasião, a entidade também destacou a aprovação do financiamento pelo BNDES com recursos do FMM.
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Seis rebocadores serão construídos em São Gonçalo
As novas embarcações terão como objetivo ampliar a capacidade operacional da Navemestra no mercado de bunkering, atividade ligada ao abastecimento de navios com combustíveis marítimos. A companhia atualmente atende clientes em sete portos brasileiros.
De acordo com Thiago Lemgruber, diretor de Novos Negócios do Grupo Bravante, a empresa espera iniciar as obras ainda em 2026. A companhia relaciona a expansão ao aumento contínuo da movimentação portuária e à necessidade de ampliar sua capacidade de atendimento.
Atualmente, a Navemestra movimenta mais de 4 milhões de toneladas de MGO e VLSFO por ano. Com a nova frota, a expectativa da empresa é reduzir o tempo de resposta no abastecimento e aumentar a agilidade na entrega de combustível marítimo aos clientes.
Fundo da Marinha Mercante viabiliza novo ciclo de construção
O financiamento do projeto ocorre por meio do Fundo da Marinha Mercante, mecanismo federal destinado a apoiar a construção, modernização, reparação e ampliação de embarcações e estruturas da indústria naval.
O FMM também pode financiar diferentes tipos de embarcações, incluindo rebocadores, empurradores, balsas e embarcações de apoio. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o fundo existe desde 1958 e movimenta uma cadeia que envolve estaleiros, fornecedores de equipamentos, serviços especializados e trabalhadores.
Nesse cenário, o projeto da Navemestra conecta o financiamento à construção efetiva de novas embarcações. Além disso, a iniciativa contribui para manter atividades industriais em um estaleiro localizado no Rio de Janeiro.
Estaleiro São Miguel retoma novas construções após mais de cinco anos
Para o Grupo Bravante, a retomada das construções representa uma oportunidade de recuperar parte da atividade naval no estado. O Estaleiro São Miguel também integra a estratégia de manutenção da frota do grupo.

Segundo Thiago Lemgruber, a unidade realiza mais de 70 docagens por ano. A empresa também vem renovando equipamentos para acelerar esses serviços, que envolvem manutenção e preparação de embarcações.
O movimento ocorre enquanto outros estaleiros brasileiros ampliam suas próprias capacidades. No Porto de Santos, por exemplo, a Wilson Sons prepara uma expansão que pode elevar a produção de rebocadores de quatro para até oito unidades por ano.
Ao mesmo tempo, a indústria naval internacional amplia investimentos em novas embarcações e tecnologias. A Mitsubishi Heavy planeja investir cerca de US$ 640 milhões na ampliação de um estaleiro no Japão, movimento que acompanha o crescimento da demanda por capacidade de construção naval.
Grupo Bravante pretende continuar investindo na frota
A construção dos seis rebocadores não aparece como um projeto isolado. O Grupo Bravante informou que pretende manter investimentos na renovação e expansão de sua frota, além de buscar melhorias operacionais em seus negócios.
A empresa também planeja ampliar a atuação da Hidroclean, companhia do grupo voltada à resposta a emergências ambientais. O plano inclui a aquisição de novos equipamentos e a retomada da expansão de bases, que atualmente somam mais de 30 unidades no Brasil.
No segmento offshore, o grupo também afirma investir na modernização da frota para atender aos requisitos operacionais dos clientes. A companhia avalia que o mercado possui potencial de expansão em diferentes regiões e atividades relacionadas ao setor de petróleo e gás.
Novas tecnologias também entram na agenda da indústria naval
A retomada da construção de rebocadores ocorre em um momento de transformação tecnológica no transporte marítimo. Armadores de diferentes países passaram a encomendar embarcações preparadas para combustíveis alternativos.
Levantamento da DNV mostrou que 52 navios preparados para combustíveis alternativos foram encomendados somente em agosto de 2026. O GNL concentrou a maior parte dos pedidos, enquanto etanol e hidrogênio também apareceram entre as novas encomendas.
Esse cenário interessa ao Brasil porque a renovação da frota nacional pode incorporar diferentes soluções de eficiência energética e redução de emissões. Além disso, estaleiros e fornecedores precisam acompanhar a evolução de motores, sistemas de armazenamento, equipamentos de segurança e tecnologias de controle.
Construção naval brasileira ganha novas oportunidades
Outro segmento que pode ganhar espaço com a expansão de novas cadeias marítimas envolve embarcações especializadas. Em setembro, a Roberta Souza mostrou o avanço de um projeto japonês para um navio de 42 mil m³ destinado ao transporte de CO₂ liquefeito, tecnologia associada ao crescimento dos projetos de captura e armazenamento de carbono.
No caso brasileiro, a retomada das obras no Estaleiro São Miguel representa uma demanda concreta por construção naval. A iniciativa também movimenta fornecedores, serviços de engenharia, manutenção e mão de obra especializada.
Por enquanto, a Navemestra confirmou a construção das seis unidades e a intenção de começar as obras ainda em 2026. O valor do financiamento e as especificações técnicas dos novos rebocadores não foram informados na reportagem do Petronotícias consultada.
Com isso, o projeto passa a integrar uma nova etapa de investimentos do Grupo Bravante, enquanto o setor naval brasileiro busca ampliar novamente sua capacidade de construção, manutenção e operação de embarcações.
