Uma imagem inédita capturada pela sonda Mars Odyssey revela o Monte Arsia emergindo de nuvens marcianas, oferecendo novas pistas sobre o clima do planeta
Pouco antes do amanhecer de 2 de maio, uma câmera a bordo da sonda Mars Odyssey registrou uma imagem única: o Monte Arsia, um dos maiores vulcões do sistema solar, aparecendo acima de um mar de nuvens em Marte. A cena lembra o Everest surgindo entre as nuvens do Himalaia. Mas neste caso, o cenário é marciano — e em escala planetária.
A imagem mostra nuvens cobrindo os flancos da montanha enquanto o cume se projeta com força. A cena foi capturada a cerca de 240 milhões de quilômetros da Terra. É a primeira vez que uma foto mostra um vulcão no horizonte de Marte desse modo, envolvido por nuvens formadas por gelo de água.
Uma visão inédita do Monte Arsia
A foto foi feita pela Mars Odyssey, uma sonda da NASA em órbita de Marte desde 2001. A operação da câmera THEMIS, que tirou a foto, é liderada pela Universidade Estadual do Arizona. A equipe mirou o Monte Arsia esperando que seu cume aparecesse acima das nuvens da manhã. E deu certo.
-
Uma startup alemã levantou €8 milhões para construir um robô que colhe tomate, pepino e pimentão 24 horas por dia sete dias por semana sem nenhum trabalhador na linha
-
O vidro farmacêutico que guarda quase toda vacina e remédio injetável do planeta foi inventado por um químico alemão em 1884, e na pandemia cerca de 75% dos projetos de vacina de covid do mundo dependeram desse material
-
Osso de dinossauro coletado em 1985 na Ilha James Ross passou 40 anos despercebido entre fósseis marinhos, até pesquisadores descobrirem que ele pertencia a um titanossauro, transformando um fragmento esquecido no primeiro osso de dinossauro confirmado da Antártida e em pista sobre um continente que já foi verde
-
Cientistas criam sistema que transforma água do mar em água potável usando apenas luz solar e sem consumir energia elétrica
“Escolhemos Arsia Mons na esperança de ver o cume se erguer acima das nuvens do início da manhã”, disse Jonathon Hill, responsável pelas operações da câmera. “E não decepcionou.”
O Monte Arsia tem quase 20 quilômetros de altura — mais que o dobro do Mauna Loa, maior vulcão da Terra. Ele está localizado na região de Tharsis, um planalto que abriga outros gigantes vulcânicos de Marte, como Monte Pavonis, Monte Ascraeus e o Monte Olimpo, o maior de todos.
Inovação na órbita de Marte

Para conseguir o registro, a Odyssey girou 90 graus em sua órbita, passando a mirar a borda do planeta em vez de observar diretamente o solo. Essa manobra, chamada de observação de “membro”, só começou a ser usada em 2023, mesmo com a sonda já operando há mais de 20 anos.
A imagem mostra a silhueta do Monte Arsia contra nuvens esverdeadas de gelo de água, captada em um momento em que Marte estava mais distante do Sol, numa fase chamada afélio. Nessa época, o clima marciano fica mais frio, e um cinturão de nuvens se forma ao redor do equador do planeta.
Embora essas nuvens do afélio já fossem conhecidas, é a primeira vez que cientistas veem o cume de uma montanha atravessando essa camada pelo horizonte. “Estamos observando diferenças sazonais realmente significativas nessas imagens do horizonte”, comentou Michael D. Smith, cientista da NASA.
Informações valiosas para futuras missões

Essas nuvens se formam quando o ar frio sobe pelas encostas do vulcão, se expande e esfria. No afélio, as nuvens se tornam mais espessas, ajudando os cientistas a entender como a atmosfera de Marte reage ao relevo.
A câmera THEMIS, além das imagens visíveis, também capta infravermelho. Isso permite identificar gelo de água sob o solo marciano — um recurso essencial para futuras missões humanas, já que pode virar água potável, oxigênio ou até combustível.
Além disso, a Odyssey também observa as luas Fobos e Deimos, e acompanha o comportamento da poeira e das nuvens marcianas ao longo das estações. Essa nova imagem do Monte Arsia é a quarta feita nesse novo ângulo.
Estruturas marcantes no vulcão
Enquanto isso, outra missão espacial, a Mars Express da ESA, identificou grandes colapsos nos flancos do Monte Arsia. São cavidades de até 2 quilômetros de profundidade. Elas surgiram quando a lava esvaziou câmaras subterrâneas, que depois desabaram, criando enormes buracos na superfície.
Esses dados ajudam a planejar futuras missões ao planeta vermelho. Saber como o clima, as nuvens e o relevo funcionam pode definir quando e onde pousar os próximos robôs — ou humanos.
Com informações de ZME Science.
