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Naufrágio de 600 anos encontrado na Coreia surpreende ao revelar inúmeros artefatos intactos, mastros raros e a pista de outro navio ainda mais antigo

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 18/11/2025 às 15:55 Atualizado em 18/11/2025 às 16:02
Naufrágio, Coreia, Navio
Foto: Yonhap
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Após quase dez anos de trabalhos em águas profundas, a recuperação do Mado 4 revela detalhes do transporte estatal de tributos, técnicas navais da era Joseon e a descoberta de um possível naufrágio ainda mais antigo próximo a Taean

Após quase dez anos de trabalhos em águas profundas, pesquisadores finalizaram a recuperação do Mado 4, um navio cargueiro da era Joseon. A embarcação estava no fundo do mar na região de Taean, no litoral oeste da Coreia, e permaneceu ali por cerca de 600 anos. O achado no naufrágio reacende debates sobre a organização estatal do período porque reúne peças que revelam como funcionava o transporte oficial de tributos.

O navio foi encontrado em 2015. Desde então, equipes especializadas trabalharam na coleta de mais de 120 artefatos.

Esse material inclui etiquetas de madeira usadas para identificar cargas, recipientes de arroz e porcelanas destinadas ao governo.

Origem do navio e sua função no transporte estatal

Os itens retirados do casco confirmam que o Mado 4 fazia parte do joun, o sistema responsável por levar grãos e mercadorias dos depósitos provinciais até Hanyang, atual Seul.

Esse transporte atendia demandas administrativas e ajudava a sustentar o funcionamento político da dinastia Joseon.

O Instituto Nacional de Pesquisa do Patrimônio Marítimo informou ao jornal The Korea Herald que o navio deve ter naufragado por volta de 1420.

A embarcação navegava em uma rota considerada difícil, que partia de Naju, no sul da península.

Correntes intensas e formações rochosas da costa oeste podem ter contribuído para o acidente. Portanto, o casco ficou protegido por camadas de areia durante séculos, o que explica o estado de preservação incomum.

Estrutura diferenciada e avanços na construção naval

Além disso, o Mado 4 trouxe novidades importantes sobre a engenharia daquele período. O navio possui dois mastros, diferente dos modelos de mastro único encontrados até agora em escavações semelhantes.

Essa configuração surpreendeu especialistas porque altera a compreensão atual sobre o desenvolvimento das embarcações coreanas.

Outro ponto marcante é o uso de pregos de ferro. Marcas no casco mostram reparos metálicos que não eram associados a técnicas tradicionais do país.

Esses elementos indicam que a construção naval da era Joseon pode ter incorporado tecnologias que antes não estavam documentadas.

Descoberta de um possível naufrágio ainda mais antigo

A recuperação da embarcação trouxe outro resultado inesperado. Durante a operação, mergulhadores localizaram um segundo navio nas proximidades.

Varreduras por sonar identificaram peças de cerâmica celadon datadas entre 1150 e 1175, o que sugere um naufrágio do reino de Goryeo.

Se confirmado, será o registro mais antigo já encontrado no território coreano. Os fragmentos apresentados ao público em Seul reforçam o interesse pela região.

Taean se tornou referência desde 2007, quando pescadores encontraram o naufrágio Mado 1.

Mais de dez embarcações já foram identificadas ali, revelando um corredor marítimo que movimentou mercadorias e informações ao longo de vários séculos.

Exposição e futuro da pesquisa em Taean

Enquanto passa por processos de dessalinização e conservação, o Mado 4 já faz parte de uma mostra especial no Museu Marítimo de Taean.

A exposição reúne os mais de 120 artefatos retirados do fundo do mar e ficará aberta até fevereiro de 2026.

A iniciativa é do Instituto Nacional de Pesquisa do Patrimônio Marítimo, ligado à Administração do Patrimônio Cultural da Coreia do Sul.

O objetivo é transformar Taean em um polo de pesquisa sobre arqueologia marítima no Leste Asiático.

Com informações de Revista Galileu.

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Romário Pereira de Carvalho

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