Fruta nativa do Cerrado ganhou espaço na culinária, tornou-se símbolo regional e chama atenção pela riqueza nutricional e cultural.
Uma fruta brasileira de aparência rústica, cheiro intenso e sabor adocicado continua surpreendendo quem ainda não conhece a biodiversidade do Cerrado.
A fruta também carrega uma forte ligação com a história, a culinária e a identidade de comunidades do sul de Minas Gerais.
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Em Paraguaçu, o fruto ganhou tanta importância que sua tradição passou a integrar o patrimônio cultural do município.
Fruta do Cerrado tem sabor forte e características próprias
O marolo pertence à família Annonaceae, a mesma da graviola e da pinha.
Sua aparência, no entanto, apresenta características próprias.
O fruto também recebe nomes como araticum, bruto, cascudo e pinha-do-cerrado, conforme a região brasileira.
A casca possui aspecto rústico, marcas visíveis e pequenos pelos em tons marrons-avermelhados.
Esses pelos desaparecem gradualmente durante o amadurecimento.
A parte interna guarda uma polpa amarelo-clara, espessa, macia e bastante cremosa.
O sabor é adocicado, com um fundo levemente terroso.
O perfume intenso costuma chamar atenção logo no primeiro contato com a fruta.

Vitamina C e antioxidantes despertam interesse nutricional
O perfil nutricional ajuda a explicar por que o marolo passou a despertar mais interesse.
A fruta pode integrar uma alimentação variada e reúne diferentes nutrientes e compostos naturais.
Entre os principais destaques estão:
- Vitamina C, importante para o funcionamento do sistema imunológico;
- Antioxidantes, associados ao combate à ação dos radicais livres;
- Fibras, que contribuem para o funcionamento intestinal;
- Compostos bioativos, estudados pelo possível potencial anti-inflamatório;
- Valor ambiental, relacionado à biodiversidade e à preservação do Cerrado.
A valorização do marolo também pode fortalecer pequenos produtores e a agricultura familiar.
O aproveitamento sustentável da fruta ainda amplia o reconhecimento das espécies nativas brasileiras.
Expansão cafeeira reduziu espaço do marolo
A expansão das plantações de café provocou a retirada de muitas árvores nativas em diferentes áreas do Cerrado.
Frutas regionais perderam espaço diante de culturas consideradas mais rentáveis.
O marolo chegou a ser tratado como um alimento de menor importância econômica.
Comunidades locais, entretanto, continuaram preservando receitas, histórias e conhecimentos ligados ao fruto.
A retomada do orgulho regional ganhou força a partir da década de 1980.
Em Paraguaçu, no sul de Minas Gerais, o marolo tornou-se um símbolo da identidade municipal.
A imagem da fruta também foi incorporada ao brasão da cidade.
Festa do Marolo virou patrimônio cultural
O projeto “Marolo: um fruto, várias ideias” reuniu, em 2008, histórias e conhecimentos relacionados à fruta.
A iniciativa foi realizada no Museu Municipal Alferes Belisário.
O reconhecimento oficial avançou em 24 de novembro de 2020.
Nessa data, a Festa do Marolo foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial de Paraguaçu pelo Decreto Municipal nº 133.
O reconhecimento preservou celebrações, saberes, receitas e tradições ligados ao fruto.
A medida também reforçou a relação entre o marolo, a memória regional e a resistência cultural do Cerrado.
Polpa cremosa rende doces, bebidas e sobremesas
O marolo maduro pode ser consumido ao natural.
Sua consistência cremosa também permite diferentes preparações culinárias.
A fruta costuma aparecer em sorvetes, mousses, geleias, licores, vitaminas, cremes, batidas e recheios.
Algumas pessoas misturam a polpa com leite, açúcar, creme ou outras frutas para suavizar o aroma.
Outros consumidores preferem manter o sabor original.
A intensidade do perfume e da polpa transforma o marolo em uma das frutas mais características do Cerrado brasileiro.
Você experimentaria o marolo ao natural ou escolheria provar primeiro um sorvete, doce ou licor feito com a fruta? Deixe sua opinião!
