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Yara supera US$ 500 milhões em lucro no trimestre apesar da queda nas entregas

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 17/07/2026 às 16:45 Atualizado em 17/07/2026 às 16:47
A Yara registrou alta de 32% no lucro no segundo trimestre de 2026, mesmo com queda na produção e nas entregas de fertilizantes.
Foto: Divulgação/Yara
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A Yara registrou alta de 32% no lucro no segundo trimestre de 2026, mesmo com queda na produção e nas entregas de fertilizantes.

A Yara, uma das maiores fabricantes globais de fertilizantes, encerrou o segundo trimestre de 2026 com resultados financeiros mais robustos, apesar da retração nos volumes produzidos e comercializados. A companhia registrou aumento de 32% no lucro líquido em comparação com o mesmo período de 2025, reflexo da melhora das margens operacionais e da estratégia de eficiência adotada pela empresa.

Ao mesmo tempo, o desempenho operacional foi impactado pela menor demanda sazonal e pelo adiamento das compras em importantes mercados do agronegócio, cenário influenciado pela volatilidade internacional.

Os resultados foram divulgados nesta sexta-feira (17) pela empresa, que também informou estar observando uma retomada gradual das compras desde meados de julho. Segundo a companhia, a expectativa é que essa recuperação contribua para um ambiente mais favorável nos próximos meses.

Lucro e Ebitda avançam com melhora das margens

Entre abril e junho, a Yara registrou lucro líquido de US$ 545 milhões, superando os US$ 413 milhões obtidos no mesmo intervalo do ano passado. A receita alcançou US$ 4,43 bilhões, ante US$ 3,95 bilhões em igual período de 2025.

O Ebitda atingiu US$ 1,06 bilhão no trimestre, evidenciando uma forte evolução em relação aos US$ 645 milhões registrados um ano antes. O desempenho foi impulsionado principalmente por margens mais favoráveis em praticamente todos os segmentos da companhia, além da continuidade das iniciativas voltadas para eficiência operacional e controle de custos.

No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido chegou a US$ 872 milhões, crescimento de 23,2% sobre os US$ 708 milhões registrados no mesmo período de 2025. A receita totalizou US$ 8,69 bilhões, enquanto o Ebitda alcançou US$ 1,96 bilhão.

Produção e entregas de fertilizantes recuam

Apesar da evolução financeira, os indicadores operacionais apresentaram retração. A produção global de fertilizantes caiu de 4,85 milhões para 4,62 milhões de toneladas no segundo trimestre. No semestre, o volume produzido passou de 9,77 milhões para 9,51 milhões de toneladas.

As entregas também diminuíram. Entre abril e junho, foram comercializadas 5,18 milhões de toneladas, frente às 6,22 milhões registradas um ano antes. Nos seis primeiros meses do ano, o volume entregue recuou para 11,14 milhões de toneladas.

No Brasil, um dos mercados mais relevantes para o agronegócio, as entregas somaram 1,34 milhão de toneladas, ligeiramente abaixo das 1,38 milhão de toneladas registradas no segundo trimestre de 2025.

Operação nas Américas sofre impacto da entressafra

A divisão das Américas também apresentou desempenho distinto entre os indicadores financeiros e operacionais.

O Ebitda ajustado da região ficou em US$ 209 milhões no segundo trimestre, representando queda de 13% na comparação anual. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado principalmente pela redução de 14% nas entregas, consequência das paradas programadas para manutenção e da menor demanda típica do período de entressafra.

Mesmo assim, no acumulado do primeiro semestre, o Ebitda ajustado das operações nas Américas atingiu US$ 438 milhões, avanço de 11% sobre o mesmo período do ano anterior, favorecido pela recuperação das margens.

Mercado internacional continua pressionado

A companhia destacou que o mercado global de fertilizantes permaneceu marcado por forte volatilidade durante o trimestre.

O conflito no Oriente Médio elevou a instabilidade no mercado internacional de energia e influenciou diretamente os preços da ureia. Além disso, o bloqueio inicial do Estreito de Ormuz e uma importante licitação de importação realizada pela Índia contribuíram para alterações nos preços internacionais e levaram muitos compradores a adiarem suas aquisições.

Segundo a avaliação da empresa, parte da redução nas vendas ocorreu justamente em função dessa postergação da demanda.

Empresa vê retomada gradual das compras

Mesmo diante das incertezas, a Yara informou que identificou sinais de recuperação da demanda desde a segunda quinzena de julho.

A companhia acredita que ainda existem volumes significativos de compras a serem realizados em diversos mercados estratégicos, especialmente porque os níveis globais de importação de fertilizantes nitrogenados permanecem reduzidos.

Em comunicado, o presidente e diretor executivo da empresa, Svein Tore Holsether, afirmou:

“A Yara registrou margens mais elevadas e retornos sólidos em um mercado caracterizado por elevada volatilidade de preços e demanda. Embora a incerteza do mercado tenha levado a uma redução na atividade de compras devido ao atraso na demanda para a nova safra, continuamos a aproveitar nossa presença global no setor de downstream para otimizar volumes e manter níveis elevados de produção.”

Estratégia mira crescimento do Ebitda até 2030

Como parte do planejamento de longo prazo, a empresa anunciou uma nova etapa do programa de melhorias operacionais.

A meta é elevar o Ebitda em US$ 200 milhões até o fim de 2027 e acrescentar mais US$ 150 milhões até 2030. Para alcançar esse objetivo, a companhia pretende ampliar a utilização de seus ativos, otimizar a logística, aproveitar oportunidades comerciais e direcionar investimentos para operações consideradas mais rentáveis.

Outro movimento estratégico foi a aquisição de uma planta de amônia localizada na Costa do Golfo dos Estados Unidos. Segundo a empresa, o investimento amplia a diversificação dos custos de energia, fortalece a competitividade da operação e aumenta a flexibilidade da produção.

Custos de energia devem aumentar nos próximos trimestres

Apesar das perspectivas de recuperação da demanda, a empresa estima que os custos com gás natural serão superiores aos registrados em 2025.

Com base nas cotações futuras de julho de 2026, a expectativa é de aumento de aproximadamente US$ 75 milhões no terceiro trimestre e de US$ 115 milhões no quarto trimestre, considerando volumes estáveis de aquisição.

Ao final de junho, a companhia informou ainda que a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado permaneceu em 0,93, enquanto o índice de dívida líquida sobre patrimônio líquido foi de 0,34, indicadores que demonstram uma estrutura financeira considerada sólida para sustentar seus planos de crescimento.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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