Tecnologia desenvolvida por pesquisadores da USP utiliza nanofibras com compostos bioativos para melhorar a germinação da soja e otimizar o desempenho inicial das plantas
Uma inovação científica desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo passou a chamar atenção ao apresentar uma nova abordagem para a germinação de sementes de soja.
O estudo foi conduzido pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto e revelou que a nanotecnologia pode aprimorar o desenvolvimento inicial das plantas.
A pesquisa foi divulgada em publicação científica recente e também resultou em pedido de patente, indicando potencial de aplicação no setor agrícola.
O avanço demonstra uma estratégia voltada à eficiência produtiva, com base no uso de estruturas em escala nanométrica para transporte e liberação de compostos ativos.
Tecnologia de nanofibras redefine a germinação da soja
A proposta utiliza nanofibras curtas de acetato de celulose produzidas por eletrofiação, técnica que emprega alta voltagem para formar estruturas nanométricas.
Essas fibras possuem comprimento maior que o diâmetro, o que favorece sua aplicação como suporte para compostos bioativos.
Durante o processo, são incorporadas nanopartículas de óxido de zinco e ácido giberélico, substâncias associadas ao crescimento vegetal.
A combinação desses elementos permite que os compostos sejam liberados de forma controlada durante a germinação das sementes.
O sistema desenvolvido representa uma alternativa técnica para melhorar o desempenho inicial das lavouras.
Aplicação prática amplia eficiência no desenvolvimento das plantas
O método inclui a fragmentação mecânica das nanofibras, tornando-as dispersíveis em água e aptas para aplicação por pulverização.
Esse procedimento diferencia a técnica de métodos convencionais de revestimento de sementes.
Após a preparação da solução, o material é aplicado diretamente sobre os grãos, mantendo os compostos próximos durante a germinação
O experimento foi realizado com sementes posicionadas em placas de petri contendo substrato de celulose adequado para germinação.
Durante sete dias, a solução foi aplicada diariamente, permitindo o acompanhamento do desenvolvimento das plântulas e das raízes secundárias
Os resultados indicaram melhora no processo de germinação e no crescimento inicial das plantas, evidenciando a eficiência da abordagem.
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Controle de toxicidade garante estabilidade do processo
A pesquisa também considerou a avaliação de toxicidade dos compostos utilizados na formulação.
Esse cuidado é necessário porque concentrações inadequadas podem afetar o desenvolvimento das sementes.
O excesso de nanopartículas pode provocar aglomeração e reduzir a eficiência esperada do sistema
Os pesquisadores analisaram a germinação e o desenvolvimento das raízes para identificar possíveis efeitos negativos.
Sementes que não germinam ou apresentam deformações visíveis indicam potencial toxicidade.
No estudo, não foram observados sinais expressivos de toxicidade, o que sugere compatibilidade dos compostos com as sementes
Pesquisa avança com patente e potencial de mercado
O desenvolvimento da tecnologia resultou na criação de soluções com potencial de aplicação comercial.
Uma das inovações já foi licenciada pela startup InNanoTecnologia, fundada pelo pesquisador responsável.
Além disso, foi elaborado um pedido de patente relacionado ao sistema de dispersão das nanofibras e sua aplicação nas sementes
O estudo foi publicado na revista Reactive and Functional Polymers, com participação de pesquisadores da área.
A pesquisa recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo por meio do programa PIPE.
Uma segunda fase do projeto está prevista, com foco em ajustes técnicos e validação para uso no mercado
Expansão da tecnologia pode ampliar aplicações no agronegócio
Os resultados indicam que a tecnologia pode ser adaptada para outras culturas agrícolas.
A possibilidade de ampliar o uso reforça o potencial da inovação no setor produtivo.
O desenvolvimento de soluções baseadas em nanotecnologia pode contribuir para ganhos de eficiência no campo.
A continuidade do projeto deve aprofundar a análise dos parâmetros de aplicação e viabilidade comercial.

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