Taras Zvir levava Justin Anderson ao novo emprego em 25 de fevereiro de 2025, na região da Filadélfia, quando o passageiro perdeu a consciência. O motorista chamou o serviço de emergência e fez RCP por até oito minutos; no hospital, uma tomografia revelou um grande sangramento no lado direito do cérebro.
O motorista de aplicativo Taras Zvir, de 38 anos, havia começado havia pouco tempo a trabalhar com a Uber como atividade paralela enquanto montava a própria empresa. Na manhã de 25 de fevereiro de 2025, ele recebeu uma corrida de Justin Anderson, de 41 anos, na Filadélfia, nos Estados Unidos.
Justin seguia para o trabalho em Bucks County. Durante a viagem, que duraria cerca de 45 minutos, os dois conversaram sobre música e sobre dirigir para a Uber, atividade que o próprio passageiro também conhecia. Perto do fim do trajeto, porém, Zvir percebeu que algo estava errado.
Motorista percebeu que passageiro estava piorando dentro do carro
Zvir contou à PEOPLE que a cabeça de Justin começou a pender e se movimentar de forma incomum. Apesar de ainda conseguir responder inicialmente, o passageiro parecia estar com dificuldade e foi ficando cada vez menos responsivo.
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O motorista abriu as janelas e aumentou o ar-condicionado, na tentativa de fazê-lo se sentir melhor. A medida não funcionou. Em pouco tempo, Justin parou de responder.
Uma reportagem da ABC acrescentou que o passageiro também suava intensamente antes de perder a consciência. Diante da rápida piora, Zvir interrompeu a corrida e ligou para o 911, número de emergência dos Estados Unidos.
Atendente do 911 orientou início imediato da RCP

Ao relatar os sintomas, Zvir recebeu a orientação para iniciar manobras de ressuscitação cardiopulmonar.
O motorista saiu do veículo, foi até Justin, retirou-o do carro e o colocou deitado. Ele tomou cuidado para que a cabeça do passageiro não atingisse diretamente o chão e começou as compressões.
Zvir estima que fez RCP durante cerca de seis a oito minutos, até ouvir as sirenes e ver a chegada das equipes de emergência.
Quando os paramédicos assumiram o atendimento, ainda não estava claro o que havia provocado a perda de consciência. Segundo o relato de Zvir à PEOPLE, a equipe chegou a administrar Narcan enquanto avaliava se estava diante de uma overdose ou de outra emergência médica.
Experiência anterior como motorista de ambulância ajudou na emergência
A orientação dada pelo 911 encontrou alguém que já conhecia o procedimento. Antes de trabalhar como motorista de aplicativo, Taras Zvir havia sido motorista de ambulância e sabia fazer RCP.
Ele continuou as compressões até os profissionais do serviço médico assumirem Justin.
O passageiro foi levado ao hospital. Somente depois dos exames ficou claro que o problema não estava relacionado a drogas: Justin havia sofrido uma grave hemorragia cerebral.
Tomografia encontrou grande sangramento no lado direito do cérebro
Deborah Anderson, mãe de Justin, explicou posteriormente na campanha criada no GoFundMe que uma tomografia revelou um grande sangramento no lado direito do cérebro.
A situação exigiu uma cirurgia de emergência. Justin passou por uma craniotomia, procedimento no qual parte do crânio é aberta para permitir a retirada do sangue e reduzir a pressão exercida sobre o cérebro.
Segundo a família, os médicos realizaram ainda uma embolização endovascular. Um cateter foi conduzido por uma artéria até a região cerebral para tratar a origem do sangramento, que inicialmente era difícil de localizar devido ao volume de sangue.
Fístula que Justin provavelmente tinha desde o nascimento causou a hemorragia
Os exames levaram ao diagnóstico de hematoma subdural provocado por uma fístula arteriovenosa, ou fístula AV, uma conexão anormal entre uma artéria e uma veia.
De acordo com Deborah, os médicos avaliaram que Justin provavelmente nasceu com a alteração, mas viveu durante décadas sem saber que ela existia.
O volume do sangramento elevou a pressão intracraniana e provocou um desvio da linha média cerebral, além de danos ao tecido cerebral. Uma ressonância realizada depois da cirurgia mostrou ainda três AVCs isquêmicos, de pequenos a moderados, sendo considerado especialmente preocupante um deles próximo ao tronco cerebral.
Justin estava indo para o segundo dia em um novo emprego
As circunstâncias daquela manhã fizeram a mãe considerar decisivo o fato de o filho ter solicitado uma corrida.
Justin, pai de uma adolescente de 17 anos, estava indo para o segundo dia em um novo emprego. Ele havia chamado o Uber porque deveria retornar para casa depois do trabalho utilizando uma van da empresa.
Deborah explicou que, em condições normais, o filho provavelmente estaria dirigindo o próprio carro. Para ela, se a hemorragia tivesse ocorrido enquanto Justin estivesse sozinho em casa ou ao volante, o resultado poderia ter sido muito diferente.
A mãe atribuiu parte da sobrevivência do filho à resposta rápida do motorista ao perceber que ele havia perdido a consciência.
Mãe de Justin encontrou o motorista semanas depois
Em 13 de março de 2025, a FOX 29 Philadelphia registrou um encontro entre Deborah e Taras Zvir.
A mãe agradeceu pessoalmente ao motorista e afirmou que ele não estava dando a si mesmo o devido crédito pelo papel desempenhado naquela manhã.
Zvir manteve a postura que repetiria posteriormente em entrevistas: disse que esperaria que outra pessoa agisse da mesma forma se estivesse diante de uma situação semelhante.
Justin começou a responder com piscadas durante a recuperação

O estado neurológico continuou grave depois da cirurgia. Justin permaneceu inconsciente, e a família foi informada de que a recuperação poderia ser longa, especialmente devido ao AVC que atingiu uma região próxima ao tronco cerebral.
Mesmo assim, apareceram pequenos sinais de resposta. Em uma atualização publicada em 29 de março, Deborah contou que fez duas perguntas ao filho e pediu respostas por meio dos olhos.
Justin conseguiu piscar duas vezes, comportamento que, segundo ela, ainda não havia ocorrido daquela maneira e aumentou a esperança da família.
Vaquinha para despesas médicas chegou a mais de US$ 30 mil
Deborah criou uma campanha no GoFundMe para ajudar a pagar despesas médicas não cobertas, custos pessoais de Justin enquanto um pedido de benefício por incapacidade não pudesse ser iniciado e outros gastos relacionados ao tratamento.
A mãe também relatou que vive no sul de Delaware e precisava percorrer cerca de 300 milhas, aproximadamente 483 quilômetros, em viagens de ida e volta para visitar o filho internado em Abington e cuidar dos animais dele.
Na consulta à campanha em 8 de setembro de 2026, o GoFundMe mostrava US$ 30.465 arrecadados de uma meta de US$ 35 mil, com 474 doações.
Motorista manteve contato com a família e queria encontrar Justin recuperado
Depois da emergência, Zvir continuou conversando com Deborah para receber notícias sobre a recuperação do passageiro.
À PEOPLE, afirmou que gostaria de encontrar Justin pessoalmente quando ele estivesse melhor. Também rejeitou a ideia de que tivesse feito algo extraordinário, dizendo que sua reação foi simplesmente ajudar alguém que precisava naquele momento.
Motorista de aplicativo transformou minutos de uma corrida em uma resposta de emergência
A corrida começou com uma conversa comum sobre música e trabalho e mudou quando Taras Zvir percebeu que o passageiro estava perdendo a consciência. Ele interrompeu o trajeto, chamou o 911 e manteve a RCP por até oito minutos enquanto esperava pelos paramédicos.
Depois vieram a descoberta da hemorragia cerebral, a cirurgia de emergência e um longo processo de recuperação. Para Deborah, o fato de Justin estar acompanhado justamente naquele momento e a reação rápida do motorista foram decisivos para que ele chegasse vivo ao hospital.
Se você percebesse que um passageiro começou a perder a consciência durante uma corrida, saberia como agir até a chegada do socorro? Conte sua opinião nos comentários.
