A Horse Powertrain, joint venture entre Renault e Geely, apresentou o motor H12 Concept que gasta menos de 3,3 litros a cada 100 km, redução de 40% no consumo, e funciona com gasolina 100% renovável da Repsol disponível por 10 centavos de euro a mais que a convencional.
O motor que todo motorista gostaria de ter debaixo do capô já existe e não é elétrico. A Horse Powertrain, empresa criada pela parceria entre Renault e Geely, desenvolveu o H12 Concept, motor a combustão interna de 1,2 litro e três cilindros que consome menos de 3,3 litros a cada 100 quilômetros no ciclo WLTP, desempenho que representa redução de 40% no consumo em relação à média dos veículos a gasolina novos registrados nos últimos dois anos. O motor foi projetado na Espanha, onde a Horse mantém sede operacional em Madri, fábricas de motores em Valladolid e unidades de câmbio em Sevilha, e funciona com gasolina totalmente renovável produzida pela Repsol em sua planta industrial de Tarragona.
O combustível que alimenta esse motor é tão relevante quanto a própria engenharia mecânica. A Repsol já fabrica gasolina 100% renovável em escala industrial sob a marca Nexa, produto disponível em 30 postos de abastecimento na Espanha que é compatível com qualquer veículo a gasolina sem necessidade de modificações, e cujo custo é de apenas 10 centavos de euro a mais por litro em comparação com combustíveis convencionais. A empresa também produz diesel renovável que promete reduzir as emissões líquidas de CO₂ em até 90%, combinação que mantém o motor a combustão relevante num momento em que a Europa debate o fim dos carros não elétricos até 2035.
O que torna o motor H12 Concept tão eficiente com tão pouco combustível
O H12 Concept não nasceu do zero. A base do motor é o HR12, propulsor de 1,2 litro e três cilindros já em produção na Romênia e utilizado em modelos como o Dacia Duster, o que significa que a tecnologia parte de uma plataforma comprovada e refinada ao longo de milhares de unidades em circulação. A versão Concept acrescenta três inovações ao conjunto original: sistema avançado de recirculação de gases de escape, que reintroduz parte dos gases combustos na câmara para reduzir perdas térmicas; sistema de ignição especialmente calibrado para maximizar a eficiência de cada ciclo de combustão; e uma caixa de câmbio híbrida que otimiza a relação entre rotação do motor e consumo de energia.
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A combinação dessas tecnologias num motor compacto de três cilindros é o que permite alcançar os 3,3 litros por 100 km. Para contextualizar, a média de consumo dos carros novos a gasolina na Europa gira em torno de 5,5 litros por 100 km, o que significa que o motor H12 Concept percorre a mesma distância usando quase metade do combustível que um veículo equivalente consumiria. Num cenário de preços elevados nos postos, essa eficiência se traduz em economia real para o motorista que roda longas distâncias diariamente, argumento que a Horse Powertrain utiliza para justificar que o motor a combustão ainda tem espaço no mercado.
Como funciona o combustível renovável da Repsol que alimenta o motor
A gasolina Nexa produzida pela Repsol em Tarragona é fabricada a partir de matérias-primas renováveis em processo industrial que a petroleira espanhola afirma ser escalável. O diferencial desse combustível é que ele não exige nenhuma adaptação nos veículos existentes: qualquer carro a gasolina pode abastecer com Nexa sem alterações no motor, nos injetores ou no sistema de alimentação, característica que elimina a principal barreira para adoção em massa de combustíveis alternativos. A compatibilidade universal é o que separa a gasolina renovável de outras soluções como hidrogênio ou GNV, que exigem veículos específicos ou conversões caras.
O custo adicional de 10 centavos de euro por litro posiciona o combustível renovável como alternativa acessível. Para um tanque de 50 litros, a diferença representa cerca de 5 euros a mais que a gasolina convencional, valor que muitos motoristas considerariam aceitável em troca de redução significativa na pegada de carbono. O diesel renovável da Repsol segue lógica semelhante e promete cortar até 90% das emissões líquidas de CO₂, número que, se confirmado em escala, tornaria o motor a combustão alimentado por combustível renovável uma alternativa ambientalmente viável enquanto a infraestrutura de recarga elétrica não atinge cobertura universal.
Por que Renault e Geely apostam nesse motor enquanto a Europa discute o fim da combustão
A decisão de criar a Horse Powertrain como empresa dedicada ao desenvolvimento de motores a combustão e híbridos reflete a avaliação de que veículos elétricos não substituirão completamente os motores convencionais no curto prazo. A Renault e a Geely continuam investindo em eletrificação por meio de suas divisões principais, mas a joint venture permite que explorem o motor a combustão do futuro sem comprometer seus planos de transição energética, estratégia que funciona como apólice de seguro caso a adoção de elétricos seja mais lenta do que os reguladores europeus projetam.
O debate sobre o banimento de novos carros a combustão na Europa até 2035 está longe de ser consensual. Fabricantes como a Geely, que controla a Volvo, e a Renault argumentam que motores ultra-eficientes alimentados por combustíveis renováveis podem atingir metas de emissão sem eliminar completamente a combustão interna, e o motor H12 Concept é exatamente o tipo de evidência técnica que sustenta essa posição. Se um motor consegue consumir 40% menos combustível e rodar com gasolina que reduz drasticamente as emissões de CO₂, o argumento de que a combustão está morta perde força diante dos números.
O que o motor H12 Concept significa para o futuro dos carros a gasolina
O motor da Horse Powertrain demonstra que eficiência extrema e combustão interna não são conceitos incompatíveis. Menos de 3,3 litros a cada 100 km num motor a gasolina posiciona o H12 Concept no mesmo patamar de economia de muitos híbridos plug-in, sem a complexidade de baterias pesadas, pontos de recarga ou ansiedade de autonomia que acompanham veículos eletrificados. Para mercados onde a infraestrutura elétrica ainda é insuficiente, incluindo boa parte da América Latina, África e Ásia, motores como esse podem representar a solução mais pragmática para reduzir emissões sem exigir investimentos massivos em rede de carregamento.
A parceria entre Horse e Repsol mostra que a resposta para a crise de combustíveis fósseis pode não ser binária. Em vez de “motor elétrico ou nada”, a combinação entre engenharia de combustão avançada e combustíveis renováveis acessíveis oferece uma terceira via que aproveita a infraestrutura existente de postos de abastecimento e mantém funcionando uma indústria automotiva que emprega milhões de pessoas em fábricas de motores, câmbios e componentes mecânicos. O H12 Concept é a prova de conceito. Se chegar ao mercado de massa com os números que apresenta, o motor a combustão ganha sobrevida que muitos já consideravam impossível.
E você, trocaria um carro elétrico por um motor a gasolina que consome 40% menos e usa combustível renovável? Acha que a combustão ainda tem futuro? Deixe sua opinião nos comentários.

Fala fala mas não diz o custo dessa gasolina, deve ser mais cara que o etanol. Tirando algum país rico ninguém mais vai querer
Nunca vai dar certo, gasolina renovável é muito cara. As pessoas já se queixam do preço da gasolina comum, imagina se alguém vai migrar pra essa. O futuro é o carro elétrico mesmo
O Problema é que esse Motor no Brasil com essa nossa Gasolina cheia de Etanol , perderia uns 30% de eficiência