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18 caixões de concreto de 10 mil toneladas foram afundados no Mediterrâneo para Mônaco ganhar terra onde antes só havia mar e criar um novo bairro sobre uma muralha submersa

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 13/05/2026 às 16:41 Atualizado em 13/05/2026 às 16:48
18 caixões de concreto de 10 mil toneladas foram afundados no Mediterrâneo para Mônaco ganhar terra onde antes só havia mar e criar um novo bairro sobre uma muralha submersa
Imagem: Bouygues Travaux
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Gigantescos caixões de concreto foram instalados no fundo do Mediterrâneo para formar uma barreira marítima capaz de sustentar Mareterra, bairro sustentável construído sobre áreas recuperadas do mar em Mônaco.

No pequeno território de Mônaco, onde praticamente não existe mais espaço disponível para expansão urbana, engenheiros recorreram ao mar para resolver um problema histórico do principado: a falta de terreno. O resultado foi um dos projetos de engenharia costeira mais impressionantes da Europa, conhecido como Anse du Portier, também chamado de Mareterra.

Para criar um novo bairro avançando sobre o Mar Mediterrâneo, o projeto da Bouygues Travaux Publics utilizou 18 caixões gigantes de concreto, cada um pesando cerca de 10 mil toneladas e medindo aproximadamente 26 metros de altura. Essas estruturas foram afundadas no litoral para formar uma barreira marítima colossal que protege a nova área construída sobre o oceano. O empreendimento virou símbolo de engenharia extrema porque praticamente cria terra nova em um dos países mais densamente ocupados do planeta.

Mônaco decidiu avançar sobre o Mediterrâneo por falta de espaço físico

O território de Mônaco possui pouco mais de 2 km². Com uma das maiores densidades populacionais do mundo e forte valorização imobiliária, o principado enfrenta há décadas um problema simples e extremo: não há praticamente espaço livre para crescer. A solução encontrada foi expandir o território artificialmente sobre o mar.

O projeto, hoje conhecido como Mareterra, adicionou uma nova faixa urbana ao litoral de Mônaco. A expansão inclui residências de luxo, áreas verdes, espaços públicos, marina e infraestrutura costeira construída sobre plataformas artificiais. Na prática, partes do Mediterrâneo foram transformadas em novo território urbano.

18 caixões de concreto formam a muralha marítima do empreendimento

O coração estrutural do projeto é formado pelos chamados caixões marítimos. Cada unidade foi construída em concreto armado e posicionada estrategicamente no litoral para formar uma gigantesca barreira contra o mar. Segundo a Bouygues Construction, os caixões possuem cerca de 26 metros de altura e aproximadamente 10 mil toneladas cada.

Os caixões não foram construídos diretamente no litoral de Mônaco. As estruturas foram produzidas em instalações especiais, transportadas flutuando pelo Mediterrâneo e depois rebocadas até o local definitivo. Após o posicionamento preciso, cada unidade foi afundada cuidadosamente para formar a base da expansão marítima.

Concreto colossal protege nova área contra ondas e erosão marítima

A principal função dos caixões é atuar como proteção costeira. Eles absorvem impacto das ondas, reduzem erosão e estabilizam a nova área artificial construída sobre o mar. Sem essa barreira marítima, seria praticamente impossível manter a segurança estrutural da expansão urbana.

O Mareterra foi concebido como muito mais do que uma simples ampliação territorial. Além da engenharia costeira, o projeto inclui residências de alto padrão, áreas verdes, passeios marítimos e espaços urbanos sofisticados. Isso transformou a expansão em um dos empreendimentos imobiliários mais caros e exclusivos da Europa.

Novo bairro amplia território de um dos menores países do planeta

O aspecto simbólico do projeto impressiona. Mônaco literalmente aumentou seu território nacional criando uma nova área sobre o Mediterrâneo. Poucos países no mundo recorrem a esse tipo de expansão territorial artificial em escala urbana.

A construção enfrentou forte atenção ambiental. Como a região possui ecossistemas marinhos sensíveis, foram realizados estudos para tentar reduzir impactos sobre fauna, flora e qualidade da água. O projeto também incluiu transplante de espécies marinhas e monitoramento ambiental contínuo.

Engenharia costeira moderna permite criar terra nova sobre o oceano

Projetos de expansão marítima se tornaram mais sofisticados nas últimas décadas. Países e cidades costeiras usam diques, plataformas, aterros e caixões de concreto para criar áreas artificiais destinadas a portos, aeroportos e bairros inteiros. O caso de Mônaco está entre os exemplos mais extremos dessa tendência.

Durante as obras, o litoral de Mônaco passou a operar como um gigantesco ambiente de engenharia marítima. Guindastes, rebocadores, plataformas flutuantes e estruturas de concreto dominaram a paisagem da região. A operação exigiu precisão extrema devido ao espaço reduzido e à proximidade com áreas urbanas densamente ocupadas.

Expansão reforça valor imobiliário de uma das regiões mais caras do mundo

Mônaco possui alguns dos imóveis mais caros do planeta. Criar novas áreas urbanas no principado significa disponibilizar terrenos extremamente valiosos em um mercado imobiliário com espaço praticamente esgotado. Isso ajuda a explicar os investimentos bilionários envolvidos no projeto.

Os blocos de concreto utilizados no projeto atuam como fundações marítimas monumentais. Depois de posicionados, eles criam uma espécie de parede submarina estável capaz de sustentar as áreas aterradas posteriormente. Essa técnica é amplamente usada em grandes obras portuárias e expansões costeiras.

Projeto mostra até onde cidades costeiras podem remodelar seus próprios litorais

O Mareterra reforça uma tendência crescente de transformação artificial do litoral em regiões altamente valorizadas. Com tecnologia moderna, cidades conseguem alterar linhas costeiras inteiras para criar novas áreas urbanas sobre o oceano. Isso levanta debates sobre sustentabilidade, engenharia e ocupação marítima.

A expansão mostra como engenharia extrema pode literalmente criar novas áreas habitáveis. O que antes era apenas mar aberto agora abriga ruas, edifícios, jardins e infraestrutura urbana. Tudo sustentado por estruturas gigantes escondidas abaixo da superfície.

Grande parte da obra permanece praticamente invisível para quem visita o novo bairro. A muralha submarina responsável por sustentar a expansão está escondida sob o Mediterrâneo. Mas é justamente ela que permite que o novo território exista.

Projeto mostra como alguns países estão literalmente construindo terra nova sobre o oceano

O caso de Mônaco parece futurista porque altera algo normalmente considerado fixo: o próprio território nacional. Em vez de expandir para o interior, o principado decidiu avançar diretamente sobre o mar usando engenharia costeira colossal.

O resultado é um novo bairro construído onde antes existia apenas água. Você imaginava que um país inteiro poderia aumentar seu território afundando 18 estruturas gigantes de concreto no Mediterrâneo para criar um bairro completamente novo sobre o oceano?

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Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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