Moeda fenícia cunhada há cerca de 2 mil anos na antiga colônia de Gadir, na atual Cádiz, foi usada como pagamento em ônibus de Leeds, na Inglaterra, na década de 1950, antes de ser identificada e doada a museu
Uma moeda fenícia de cerca de 2 mil anos, cunhada em uma antiga colônia no sul da Espanha, foi usada como pagamento de passagem em um ônibus em Leeds, na Inglaterra, na década de 1950, antes de ser identificada décadas depois e incorporada a um museu.
Descoberta da moeda fenícia em caixa de transporte
A história começou na década de 1950, quando James Edwards trabalhava como chefe de caixa da empresa Leeds City Transport, responsável por recolher o dinheiro pago por passageiros de ônibus e bondes na cidade inglesa de Leeds.
Durante o trabalho, Edwards costumava separar moedas consideradas falsas ou estrangeiras que surgiam entre os pagamentos entregues pelos motoristas.
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Em vez de descartá-las, ele levava essas peças para casa e as mostrava ao neto, Peter Edwards.
Entre os objetos acumulados estava uma moeda fenícia que despertou especial curiosidade no garoto. Na época, o item parecia apenas mais uma moeda incomum encontrada entre as passagens pagas no transporte público.
Origem antiga da moeda
Anos depois, Peter decidiu investigar os símbolos presentes na peça. Ao pesquisar as inscrições e imagens gravadas no metal, ele percebeu que o objeto não era apenas uma moeda estrangeira, mas um artefato cunhado há cerca de dois milênios.
A análise revelou que a moeda havia sido produzida em Gadir, antiga colônia fenícia localizada onde atualmente está a cidade de Cádiz, no sul da Espanha.
Gadir foi fundada pelos fenícios por volta do século XII a.C. e se tornou uma das primeiras colônias desse povo no oeste do Mediterrâneo. Posteriormente, passou ao controle cartaginês após a Primeira Guerra Púnica.
Mais tarde, a cidade acabou integrada ao Império Romano, ampliando sua importância histórica na região mediterrânea.
Características do artefato
A moeda fenícia é feita de bronze e apresenta detalhes associados à cultura da cidade onde foi cunhada. Em um dos lados aparece a figura do deus fenício Melqart.
A divindade era associada diretamente à cidade e costuma ser representada usando uma pele de leão, referência ao herói mitológico Hércules.
No verso da peça aparecem dois atuns-azuis. A imagem pode indicar a relevância da pesca para a economia local de Gadir durante a Antiguidade.
Mistério sobre como a moeda chegou à Inglaterra
Mesmo após a identificação da peça, permanece sem resposta como a moeda fenícia acabou sendo usada como pagamento em um ônibus no norte da Inglaterra quase dois mil anos após sua cunhagem.
Uma hipótese levantada pela família de Edwards sugere que o objeto pode ter sido trazido por soldados britânicos que retornaram da Europa após a Segunda Guerra Mundial.
Segundo essa possibilidade, o artefato teria sido guardado como lembrança ou curiosidade e, em algum momento, acabou entrando em circulação sem que seu valor histórico fosse reconhecido.
Doação ao museu
Décadas depois da descoberta, Peter Edwards decidiu doar a moeda fenícia ao Leeds Museums and Galleries. Especialistas da instituição analisaram o objeto e confirmaram sua autenticidade histórica.
Hoje a peça integra o acervo da instituição. Para os curadores, o artefato não apenas possui valor histórico, mas também representa um caso curioso de como objetos antigos podem surgir em contextos inesperados.
Mesmo com estudos arqueológicos e históricos, o percurso completo da moeda permanece incerto. A jornada entre a Antiguidade mediterrânea e um ônibus britânico provavelmente nunca será totalmente conhecida, o que torna a história ainda mais intrigante.
Com informações de Aventuras na História.
