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Cada pá mede mais de 150 metros, o rotor completo tem o diâmetro de três campos de futebol e uma única unidade gera energia para 30 mil casas — a China está construindo a turbina eólica mais poderosa do mundo, com 22 megawatts

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 22/04/2026 às 19:00
Atualizado em 22/04/2026 às 22:51
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Cada pá mede mais de 150 metros e o rotor completo tem o diâmetro de três campos de futebol — a China está construindo a turbina eólica mais poderosa do mundo, com 22 megawatts, e uma única unidade pode abastecer 30 mil casas

A Mingyang Smart Energy, uma das maiores fabricantes de turbinas eólicas da China, anunciou o desenvolvimento da MySE 22 MW — a turbina eólica mais poderosa já projetada no planeta.

Segundo a Wind Industry, a turbina tem diâmetro de rotor superior a 310 metros. Para ter uma ideia: três campos de futebol lado a lado. As pás, cada uma com mais de 150 metros de comprimento, são maiores que a envergadura de qualquer avião já construído.

Uma única turbina de 22 MW gera energia suficiente para abastecer aproximadamente 30 mil residências por ano. Uma única máquina. No meio do oceano.

A MySE 22 MW foi projetada especificamente para resistir a tufões e operar em parques eólicos flutuantes offshore — dois dos maiores desafios da indústria eólica global.

A corrida pela turbina mais poderosa: quem lidera e quem persegue

A competição por turbinas offshore de alta potência se intensificou nos últimos anos. A China lidera, mas europeus tentam acompanhar.

  • Mingyang MySE 22 MW — 310m rotor, em desenvolvimento (China)
  • Mingyang MySE 20 MW — 292m rotor, protótipo instalado em 2024 (China)
  • CSSC Haizhuang 18 MW — protótipo offshore instalado em 2024 (China)
  • Siemens Gamesa SG 21 MW — protótipo em desenvolvimento (Alemanha)
  • GE Vernova Haliade-X 14 MW — em operação comercial no Dogger Bank (EUA)
  • Vestas V236 15 MW — em produção comercial (Dinamarca)

Em 2024, a Mingyang instalou o protótipo de 20 MW com rotor de 292 metros, que na época foi proclamada “a turbina eólica mais poderosa do mundo em operação”.

A versão de 22 MW, com rotor de 312 metros na variante mais avançada, deve ser a próxima a ser instalada. Quando operacional, vai superar todas as rivais por uma margem significativa.

Pá de turbina eólica gigante sendo transportada por caminhão especial
Cada pá da MySE 22 MW tem mais de 150 metros de comprimento — maior que a envergadura de qualquer avião comercial, e precisa de caminhões especiais para transporte.

Para entender a escala: o rotor é maior que a Torre Eiffel deitada

O rotor da MySE 22 MW tem mais de 310 metros de diâmetro. A Torre Eiffel mede 330 metros de altura. Ou seja, se você deitasse a Torre Eiffel, ela caberia quase inteira dentro do círculo que as pás desenham ao girar.

A altura total da turbina — da superfície do mar até a ponta da pá mais alta — ultrapassa 280 metros. É mais alto que praticamente qualquer arranha-céu do Brasil.

Cada rotação das três pás varre uma área de mais de 75 mil metros quadrados — equivalente a 10 campos de futebol.

E a estrutura inteira fica plantada no oceano, suportando ondas, correntes, sal e ventos de mais de 200 km/h em tempestades tropicais.

Projetada para sobreviver a tufões — algo que suas rivais não fazem

A Ásia enfrenta tufões violentos todos os anos. Em 2024, o Tufão Yagi destruiu várias turbinas eólicas offshore na região, causando perdas de milhões de dólares.

A Mingyang projetou a MySE 22 MW especificamente para resistir a ventos de tufão. O sistema de controle ajusta automaticamente o ângulo das pás e o travamento do rotor quando sensores detectam ventos acima do limite operacional.

Além disso, a turbina é compatível com plataformas flutuantes — fundações que não são fixadas ao leito marinho, mas ancoradas com cabos. Isso permite instalação em águas profundas onde turbinas convencionais não chegam.

Para países da costa do Pacífico, como Japão, Filipinas, Taiwan e a própria China, essa resistência a tufões não é um diferencial — é uma necessidade.

Trabalhadores montando nacelle de turbina eólica gigante em alto-mar
A nacelle (gerador) da MySE 22 MW pesa centenas de toneladas e precisa ser posicionada com precisão milimétrica no topo de uma torre de 150+ metros por navios-guindaste especializados.

A China já domina: de copiadora a líder mundial em turbinas

Há dez anos, a China comprava turbinas europeias e americanas. Hoje, lidera em potência, escala e velocidade de inovação.

A Mingyang, Dongfang Electric e CSSC Haizhuang produzem turbinas que rivalizam — e em muitos casos superam — GE, Vestas e Siemens em capacidade.

A estratégia chinesa é direta: produzir turbinas maiores, mais rápido, e em volumes que reduzem custos unitários. A Mingyang já opera fábricas na Mongólia Interior para abastecer projetos onshore no Deserto de Gobi.

Para a Europa, que inventou a indústria eólica, ver a China liderando a corrida por turbinas de 20+ MW é um alerta estratégico. A dependência de tecnologia chinesa em energia limpa pode se tornar tão problemática quanto a dependência de petróleo russo foi.

O futuro: quando uma turbina vai gerar mais que uma usina inteira?

Se a trajetória continuar — de 14 MW em 2023 para 22 MW em 2025 e talvez 30+ MW em 2028 — estamos nos aproximando de um ponto em que uma única turbina eólica pode gerar mais energia que muitas usinas de pequeno porte.

Trinta megawatts em uma turbina equivaleriam a energia para mais de 40 mil casas. Dez turbinas desse tipo = uma cidade de 400 mil habitantes.

A escala é vertiginosa. E a velocidade com que a China avança sugere que esse futuro pode chegar mais cedo do que a Europa e os EUA gostariam.

Cidade costeira iluminada à noite com turbina eólica gigante no horizonte
Uma única turbina de 22 MW gera energia para 30 mil casas — no futuro próximo, turbinas de 30+ MW poderão abastecer cidades inteiras a partir do oceano.

Ainda é um projeto — e a distância entre anúncio e realidade é grande

A MySE 22 MW ainda está em desenvolvimento. Nenhuma unidade de 22 MW foi instalada comercialmente até abril de 2026.

A versão de 20 MW tem protótipo montado, mas falta histórico operacional de longo prazo. Turbinas de ponta sofrem com problemas de confiabilidade nos primeiros anos — pás que racham, geradores que superaquecem, rolamentos que falham.

A Siemens Gamesa, que anunciou protótipo de 21 MW, pode ultrapassar a Mingyang se for a primeira a instalar comercialmente nessa faixa de potência.

E há uma ironia: enquanto a China quebra recordes de potência em turbinas, a fabricação das pás de 150 metros depende de materiais como fibra de carbono e resinas epóxi — cuja cadeia de suprimentos está concentrada em poucos países.

A corrida por turbinas maiores está longe de terminada. Mas uma coisa é certa: o vento já não é fonte alternativa de energia. Com 22 MW por turbina, é força bruta industrial.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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