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Mineradora Vale e chinesa Shandong Shipping fecham a construção do primeiro navio transoceânico movido a etanol do mundo, um gigante de 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 10/04/2026 às 18:30
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A Mineradora Vale e a chinesa Shandong Shipping fecharam acordo para o primeiro navio transoceânico movido a etanol do mundo, um projeto com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas que pode reduzir em até 90% as emissões no transporte marítimo.

A Mineradora Vale e a chinesa Shandong Shipping fecharam um acordo para colocar em operação o primeiro navio transoceânico movido a etanol do mundo, uma embarcação com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas que começará a ser entregue a partir de 2029. O contrato inicial prevê dois navios Guaibamax de nova geração, com opção para mais unidades, em um arranjo de 25 anos que leva o etanol para o centro da navegação oceânica de grande porte. 

A novidade não é só tecnológica. É também simbólica. Pela primeira vez, o etanol entra como combustível principal em um navio transoceânico, em um setor que ainda depende fortemente do óleo combustível pesado.

Para a Vale, a mudança ajuda a atacar justamente uma das áreas mais difíceis da descarbonização: o transporte marítimo de longa distância, que responde por uma fatia relevante das emissões da cadeia de valor da companhia. 

Primeiro navio transoceânico movido a etanol do mundo sai do papel com a Mineradora Vale

Segundo a companhia, o uso do etanol pode reduzir em cerca de 90% as emissões de carbono em comparação com o óleo pesado usado hoje na navegação, considerando o ciclo completo do combustível.

O projeto avança num momento em que a IMO aperta as metas do setor, com corte de intensidade de carbono de pelo menos 40% até 2030, adoção crescente de combustíveis de baixa ou quase zero emissão ainda nesta década e meta de emissões líquidas zero por volta de 2050. 

O navio nasce dentro de uma estratégia que evita dependência de uma única rota tecnológica. Além do etanol, a embarcação poderá operar com metanol e óleo pesado.

O desenho também já prevê conversão futura para GNL ou amônia, o que dá flexibilidade para a frota atravessar a transição energética sem perder competitividade caso o mercado de combustíveis alternativos mude de direção nos próximos anos. 

Projeto de 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas nasce pronto para mais de um combustível

Os novos navios movidos a etanol serão semelhantes aos outros 10 Guaibamax de segunda geração já contratados pela Vale junto à Shandong, com entregas previstas a partir de 2027.

Essas embarcações foram desenhadas para incorporar tecnologias testadas no programa Ecoshipping, incluindo cinco velas rotativas, motores mais eficientes, dispositivos hidrodinâmicos, geradores de eixo, inversores de frequência e pintura de silicone para reduzir atrito.

Só esse pacote técnico tem potencial para cortar cerca de 15% das emissões em relação à geração atual do Guaibamax. 

A própria Vale vem preparando esse terreno há anos. Desde 2011, a empresa opera navios Valemax e, segundo a companhia, essas embarcações estão entre as mais eficientes do mundo, com potencial de reduzir emissões equivalentes de CO2 em até 41% frente a um capesize padrão.

Em 2024, Rodrigo Bermelho, diretor de Navegação da Vale, afirmou que “a energia eólica terá papel central” na descarbonização do transporte marítimo de minério de ferro, sinalizando que a empresa já vinha empurrando sua frota para soluções de menor carbono muito antes do anúncio do etanol. 

Chinesa Shandong Shipping entra em acordo de 25 anos e reforça plano climático da Mineradora Vale

A parceria com a chinesa Shandong Shipping também se encaixa no plano climático mais amplo da mineradora. Na sua estratégia de descarbonização, a Vale mantém a meta de reduzir em 15% as emissões líquidas de Escopo 3 até 2035, na comparação com 2018.

A empresa informa ainda que, desde 2020, os gastos para mitigar emissões de Escopos 1, 2 e 3 somam aproximadamente US$ 1,4 bilhão. Como o transporte marítimo pesa justamente nessa conta, o acordo deixa de ser apenas uma inovação de frota e passa a ser parte direta da estratégia financeira e ambiental da companhia. 

O movimento ainda ganha força porque o etanol já vinha sendo tratado como rota viável para a navegação pesada.

Em fevereiro, a Everllence, parceira tecnológica da Vale no desenvolvimento de motores marítimos a etanol, classificou a iniciativa como “um marco” na descarbonização do transporte marítimo de grande escala.

A avaliação ajuda a mostrar que o projeto não está sendo visto como teste periférico, mas como uma aposta com ambição industrial e potencial de escala internacional. 

Com esse acordo, a Mineradora Vale deixa de falar apenas em transição energética e passa a colocar uma embarcação concreta nessa disputa.

O resultado é um projeto que combina escala, flexibilidade e pioneirismo global: o primeiro navio transoceânico movido a etanol do mundo, construído com a chinesa Shandong Shipping, com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas, em uma rota que pode mudar o ritmo da descarbonização no transporte marítimo de minério de ferro. 

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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