1. Início
  2. / Geopolítica
  3. / Mina de terras-raras em Goiás vendida aos EUA por US$ 2,8 bilhões nunca pertenceu ao Brasil, mas agora virou peça central da disputa global entre soberania mineral, influência geopolítica, indústria estratégica e corrida mundial por minerais críticos dominados pela China
Localização GO Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 7 comentários

Mina de terras-raras em Goiás vendida aos EUA por US$ 2,8 bilhões nunca pertenceu ao Brasil, mas agora virou peça central da disputa global entre soberania mineral, influência geopolítica, indústria estratégica e corrida mundial por minerais críticos dominados pela China

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 07/05/2026 às 17:39
Atualizado em 07/05/2026 às 17:41
Vista aérea da mineradora Serra Verde, em Minaçu (GO), destacando estrutura industrial de terras-raras, área de mineração, minerais críticos e elementos ligados à disputa estratégica entre Brasil, EUA e China.
Imagem aérea mostra a estrutura da mineradora Serra Verde, em Minaçu (GO), alvo de negociação bilionária envolvendo terras-raras e minerais críticos estratégicos para Brasil, Estados Unidos e China.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
55 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Venda da Serra Verde para a USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões expõe como a mina de terras-raras em Goiás, criada com capital estrangeiro desde 2010, virou peça central na disputa entre Brasil, Estados Unidos e China por minerais críticos, soberania mineral, indústria estratégica e controle da cadeia global de tecnologia.

A venda da mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, Goiás, para a norte-americana USA Rare Earth, por US$ 2,8 bilhões, colocou as terras-raras brasileiras no centro de uma disputa política, econômica e estratégica. A operação, anunciada em abril de 2026, ganhou peso às vésperas da reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcada para 7 de maio de 2026, na Casa Branca.

No entanto, apesar do discurso sobre entrega de uma empresa brasileira ao capital estrangeiro, a Serra Verde nunca pertenceu originalmente ao Brasil. A mineradora foi constituída em 2010 com capital da Denham Capital, de Boston, da Energy & Minerals Group, de Houston, e da Vision Blue Resources, do Reino Unido.

Assim, a operação representou uma troca de controle entre grupos estrangeiros, não a venda de uma empresa nacional. Na prática, o ativo saiu de uma estrutura euro-americana e passou para outra companhia dos Estados Unidos.

Venda da Serra Verde ganha peso político em meio à agenda Brasil-EUA

Nesse cenário, a exploração de minerais críticos em solo brasileiro entrou na pauta diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O tema será discutido por Lula e Trump em 7 de maio de 2026, segundo o texto-base.

Durante visita à Índia, em fevereiro de 2026, Lula defendeu que o Brasil use suas reservas para fortalecer a indústria nacional. A posição reforçou o discurso de que o país deve produzir mais internamente, em vez de apenas exportar matéria-prima.

Ainda assim, o governo federal já tinha conhecimento da operação envolvendo a Serra Verde. Segundo o texto-base, a União possuía competência para acompanhar, avaliar ou interferir no processo, mas não impediu a negociação.

Projeto aprovado na Câmara mira minerais críticos e capital estrangeiro

Diante da repercussão, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei para regulamentar o setor de minerais críticos. A Câmara aprovou a proposta em 6 de maio de 2026.

O texto permite que o governo vete a venda de mineradoras para empresas estrangeiras. Também autoriza incentivos fiscais para companhias que processem e transformem materiais dentro do Brasil.

Com isso, o Planalto tenta criar uma barreira regulatória após anos de indefinição. Porém, a medida chegou apenas depois da transferência da Serra Verde para o controle norte-americano.

Goiás não tinha competência para autorizar a operação

Apesar das críticas ao governo goiano, a venda não dependia de autorização estadual. O texto-base aponta que Goiás assinou apenas uma declaração de intenções de boa-fé com o governo dos Estados Unidos.

Pela Constituição Federal, o subsolo pertence à União. Portanto, concessões de lavra, transferência de titularidade e análise de capital estrangeiro em ativos estratégicos são temas federais.

Aos Estados, cabe principalmente o licenciamento ambiental. Por isso, a venda da Serra Verde passou pela esfera federal, enquanto o governo de Goiás não tinha poder decisório sobre a transferência.

Terras-raras viram peça estratégica na disputa global com a China

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos buscam novas fontes de terras-raras para reduzir a dependência da China. Segundo o texto-base, Pequim domina cerca de 90% do processamento e refino mundial desses minerais.

Por consequência, o Brasil passou a ser visto como alternativa estratégica. A mina de Minaçu ganhou relevância por estar ligada a materiais usados em tecnologia, indústria, defesa e transição energética.

Enquanto isso, o governo brasileiro tenta defender maior agregação de valor dentro do país. A contradição, porém, está no atraso regulatório: o Brasil teve diferentes governos desde a criação da Serra Verde, mas só reagiu agora.

O que a venda da Serra Verde revela sobre a política mineral brasileira

Portanto, o caso expõe uma disputa maior do que a compra de uma mineradora. A venda revelou falhas de planejamento, demora regulatória e divergências sobre o papel do Estado na proteção de ativos estratégicos.

Também mostrou que o debate sobre soberania mineral ganhou força apenas depois da mudança de controle. Antes disso, segundo o texto-base, o capital estrangeiro já comandava o empreendimento desde sua origem.

Assim, a Serra Verde se tornou símbolo de uma discussão urgente: como o Brasil pretende transformar terras-raras em indústria, tecnologia, empregos e influência geopolítica sem perder espaço na cadeia global?

Inscreva-se
Notificar de
guest
7 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Julio Cesar
Julio Cesar
14/05/2026 21:05

Se no Brasil até a agua de uma propriedade rural, mesmo sem receber abastecimento de rede publica, pertence ao Estado. E o cidadão tem que pagar imposto para uso, por que um minerio estrategico para o país não pertence a este mesmo país? Fala serio. Não é por que tem trairas facilitadores que vendem ilegalmente até a mãe, que a propriedade publica pode ser entregue de mão beijada.

Luiz Carlos Barbosa
Luiz Carlos Barbosa
14/05/2026 05:03

A empresa não é brasileira, mas o solo, subsolo pertence sim ao Brasil, são estes tipos de materiais que levam o país cada vez mais para submissão aos países como Estados Unidos,China, Japão, Canadá, França, Portugal que sempre colonizaram este Brasil por conta de governantes ganânciosos e parasitas !

Monica
Monica
13/05/2026 11:28

A manchete tá matéria está equivocada. A empresa pode não pertencer ao Brasil, e o que ela tem é uma autorização a minerar o que está no subsolo, que sim, pertence ao Brasil. O Sr Ronaldo Caiado é só um ****, que se não é um ****, sabe que não tinha essa autoridade. Mais um que quer ser um **** de americano!

Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

Compartilhar em aplicativos
7
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x