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Megacidade de 140 hectares perdida há 3.500 anos surge no Cazaquistão e revela centro urbano e industrial da Idade do Bronze

Publicado em 18/11/2025 às 16:29
Megacidade, Idade do bronze
O antigo assentamento de Semiyarka incluía residências, produção de metal em larga escala e um edifício central para uso ritual ou governamental — Foto: Universidade de Durham
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Nova análise arqueológica mostra que Semiyarka tinha estruturas planejadas, produção de bronze em larga escala e papel estratégico no comércio regional há 3.500 anos

Arqueólogos identificaram em Semiyarka uma megacidade que altera a compreensão da pré-história da Ásia Central porque apresenta características muito diferentes das aldeias conhecidas. As pesquisas começaram nos anos 2000 e agora revelam um quadro amplo.

O local tem cerca de 140 hectares. Essa dimensão supera em muito outros povoados da mesma época e indica que Semiyarka funcionava como uma capital regional, com funções políticas e econômicas relevantes para seus habitantes.

Datado de aproximadamente 1600 a.C., o assentamento não parece ter sido temporário. Pelo contrário, tudo aponta para uma ocupação estável, organizada e com planejamento físico visível nas estruturas. Semiyarka era muito maior do que se imaginava.

A posição estratégica acima do rio Irtysh

A cidade ficava em um promontório no nordeste do Cazaquistão. Essa localização é considerada privilegiada porque dava amplo domínio visual do rio Irtysh, que era rota essencial de circulação e comércio para comunidades da região.

Além disso, o nome Semiyarka faz referência a “Sete Ravinas”, que formam uma rede de vales ao redor do sítio. Essa característica sugere que o espaço oferecia proteção natural e boa capacidade de controle territorial.

Os arqueólogos usaram drones para mapear o terreno. As imagens revelaram fileiras de montes retangulares angulados entre si que mais tarde foram confirmados como estruturas de casas. Um padrão que impressionou a equipe.

Estruturas residenciais e um edifício singular

As escavações mostraram que os montes serviam como bases de residências com vários cômodos, construídas com paredes de tijolos de barro. O arranjo formava corredores e pontos de encontro entre as moradias.

No cruzamento dessas fileiras, surgiu um edifício maior do que todos os outros. Ele tinha o dobro do tamanho das casas.

Por isso, os pesquisadores acreditam que ali aconteciam atividades comunitárias, cerimônias ou tarefas de governo. A arquitetura planejada reforça a ideia de organização interna. Um traço raro para aquela região.

A zona industrial e a produção de bronze na megacidade

O diferencial de Semiyarka está na produção em escala de metal. Na parte sudeste do assentamento, a equipe encontrou uma área interpretada como setor industrial, concentrando escória, cadinhos e peças de bronze.

Esse material indica a produção de uma liga de cobre e estanho. É uma das primeiras provas concretas de fabricação de bronze estanhífero em grande volume na estepe eurasiática, o que muda parte do panorama histórico da região.

A proximidade com as montanhas Altai facilitava o acesso a depósitos de cobre e estanho. Portanto, o assentamento tinha acesso direto às matérias primas essenciais para manter sua indústria ativa. Isso fortalecia as rotas de comércio pela estepe.

Revisão do que se sabe sobre sociedades da Idade do Bronze

Até hoje, muitos estudos defendiam que a Ásia Central era dominada por pequenos grupos nômades, com pouca ou nenhuma permanência em estruturas fixas.

Semiyarka desafia essa visão porque demonstra que populações locais podiam construir cidades estáveis.

A pesquisadora Miljana Radivojević, da University College London, afirmou que o sítio mostra como comunidades nômades também criavam centros permanentes e bem organizados.

A estrutura indica atividade econômica ampla e uma forma de urbanização.

Dan Lawrence, da Universidade de Durham, reforçou que a escala de Semiyarka é diferente de qualquer outro sítio das estepes.

Segundo ele, o conjunto retilíneo e o tamanho das edificações sugerem desenvolvimento urbano comparável ao de regiões consideradas clássicas na Antiguidade.

As descobertas apontam para uma sociedade mais complexa do que se imaginava.

Próximos passos das escavações na megacidade encontrada

As pesquisas ainda estão em andamento. A expectativa é que novas áreas sejam abertas nos próximos meses para entender a fundo como esse grande assentamento influenciou relações econômicas e políticas na Eurásia antiga.

Os especialistas acreditam que a chamada “megacidade” pode revelar informações sobre abastecimento, comércio e interação entre povos. Novos achados devem ampliar o debate. Semiyarka promete remodelar parte da história da Idade do Bronze.

Com informações de Revista Galileu.

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Romário Pereira de Carvalho

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