Na construção de navios de guerra das Fragatas Classe Tamandaré, a Marinha do Brasil usa montagem por blocos: partes separadas recebem peças e equipamentos antes da montagem final, como num quebra-cabeça. A primeira fragata, a Tamandaré (F200), construída em Itajaí (SC), entrou na Esquadra em 24 de abril de 2026.
A Marinha do Brasil usa a montagem por blocos na construção de navios de guerra do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT). Cada navio é fabricado em partes separadas, que podem receber peças e estruturas com antecedência e só depois são unidas na montagem final, como num quebra-cabeça. A primeira fragata do programa, a Tamandaré (F200), foi incorporada à Esquadra em 24 de abril de 2026, no Rio de Janeiro.
As informações foram publicadas pela Agência Marinha de Notícias em 24 de abril de 2026, em texto da Primeiro-Tenente (RM2-T) Larissa Vieira. Os detalhes sobre o primeiro bloco da fragata saíram na mesma agência em 24 de março de 2023, em texto da Capitão-Tenente (RM2-T) Luciana Almeida sobre o batimento de quilha.
Blocos de aço são unidos só na montagem final

Segundo a Marinha, o programa prevê a transferência de tecnologia para construir navios com chapas de aço mais finas e montagem por blocos. Esses blocos são produzidos como partes separadas e, depois, unidos na montagem final.
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Na construção de navios de guerra por esse método, peças e estruturas podem ser instaladas com antecedência. A colocação de equipamentos também fica mais fácil, de acordo com a Força.
Partes separadas permitem várias etapas ao mesmo tempo
A divisão do navio em partes separadas torna possível trabalhar em diferentes etapas ao mesmo tempo. Cada bloco pode estar em uma fase diferente da obra, até que todos sejam encaixados como peças de um quebra-cabeça.
Espaços abertos por mais tempo aumentam a segurança
O processo também aumenta a segurança dos trabalhadores, segundo a Marinha. Isso porque os espaços do navio ficam mais abertos por mais tempo durante a construção.
Bloco de 52 toneladas marcou a quilha da Tamandaré em 2023
Na Fragata Tamandaré, o batimento de quilha foi marcado pelo posicionamento de um bloco estrutural de cerca de 52 toneladas no local de edificação. A cerimônia aconteceu em 24 de março de 2023, na thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul (tkEBS), em Itajaí (SC).
Esse bloco corresponde à praça de máquinas da parte de vante (frente) do navio. Ali, segundo a Marinha, seriam instalados dois motores, uma caixa redutora e diversas bombas e equipamentos auxiliares.
Quilha é a espinha dorsal que sustenta as outras partes
A Marinha e a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Águas Azuis apresentaram a quilha como a “espinha dorsal” da primeira fragata da classe. Ela é a parte estrutural que possibilita a montagem das demais partes e módulos do navio, a base desse quebra-cabeça.
Na construção naval, o batimento de quilha é considerado uma forma de trazer boa sorte. O evento de 2023 foi presidido pelo Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, e o CEO da SPE Águas Azuis, Fernando Queiroz, entregou moedas comemorativas às autoridades.
Produção dispensa o papel na linha de montagem
O PFCT trabalha com tecnologia paperless, com desenvolvimento totalmente digital e sem papel na linha de produção. Segundo a Marinha, a medida promove a preservação ambiental.
O projeto também prevê a gestão do ciclo de vida do navio, com investimentos projetados desde a construção até o desfazimento.
Projeto alemão MEKO já era usado em 82 navios de 15 países
As fragatas são baseadas no projeto alemão MEKO. Em 2023, a Marinha informou que esse projeto já era utilizado em 82 embarcações em operação em marinhas de 15 países.
Na construção de navios de guerra da classe, a tecnologia alemã é combinada com elevado índice de conteúdo nacional, resultado da transferência de tecnologia. Em 2023, a previsão era de pelo menos 30% de conteúdo local no primeiro navio e 40% a partir do segundo.
Cerca de 1.585 trabalhadores construíram a Tamandaré
A Fragata Tamandaré foi construída integralmente no Brasil. Ao longo do projeto, cerca de 1.585 trabalhadores participaram diretamente da obra, com predominância de mão de obra brasileira.
Segundo a Marinha, a construção em Santa Catarina reativou um estaleiro, gerou empregos e aumentou a renda na região.
Tamandaré foi incorporada em cerimônia na Base Naval do Rio
A incorporação aconteceu na sexta-feira, 24 de abril de 2026, durante a cerimônia de Mostra de Armamento na Base Naval do Rio de Janeiro. O evento transferiu o navio para o setor operativo da Marinha.
Na cerimônia, foi assinado o Termo de Armamento, que formaliza a incorporação. Depois vieram o descerramento da placa e o hasteamento, pela primeira vez após o ato, do Pavilhão Nacional e da Bandeira do Cruzeiro a bordo.
Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé assumiu o comando
A cerimônia também marcou a investidura do Capitão de Fragata Gustavo Cabral Thomé como comandante do navio. Em seguida, a flâmula de comando foi içada no mastro principal.
“O orgulho é imenso, ser comandante de uma tripulação muito competente, muito dedicada, com homens esforçados no seu dia a dia de trabalho. Agora é entregar para a Marinha o que é esperado”, afirmou o comandante.
Fragata detecta e neutraliza ameaças aéreas, de superfície e submarinas
Segundo a Marinha, a Tamandaré é capaz de detectar e neutralizar ameaças aéreas, de superfície e submarinas. O sistema de gerenciamento de combate integra, em tempo real, os dados de sensores e armamentos embarcados.
Com isso, o sistema identifica e classifica ameaças e apoia o operador na escolha da resposta mais adequada. A Marinha afirma que esse processamento contribui para mais rapidez e precisão nas decisões.
Canhão de 76 milímetros e torpedos estão no armamento
A fragata reúne mísseis antinavio, mísseis antiaéreos de lançamento vertical e torpedos contra ameaças submarinas. Na artilharia, tem um canhão principal de 76 milímetros de tiro rápido, um canhão de 30 milímetros e duas metralhadoras pesadas para defesa de curto alcance.
Os navios vão atuar na proteção da Amazônia Azul, no monitoramento das linhas de comunicação marítimas, na defesa de ilhas oceânicas e na proteção de infraestruturas críticas, segundo a Marinha.
Almirante cita míssil MANSUP e sistema Defensor, desenvolvidos no Brasil
Para o Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante de Esquadra Arthur Fernando Bettega Corrêa, a incorporação amplia capacidades operacionais, inclusive as desenvolvidas no Brasil, como o míssil antinavio MANSUP e o Sistema de Guerra Eletrônica Defensor.
“Cada etapa de sua construção incorporou um aprendizado institucional que permanece no País, fortalecendo as capacidades nacionais”, afirmou o almirante.
Embraer diz que fragata prova domínio de tecnologias complexas
O vice-presidente de Operações da Embraer Defesa e Segurança, Walter Pinto Júnior, destacou o peso do programa para a indústria. “A Fragata Tamandaré é a prova concreta de que o Brasil domina tecnologias complexas e é capaz de integrar sistemas de alto nível com padrão internacional”, disse.
Programa gera cerca de 23 mil empregos
Segundo a Marinha, a construção das fragatas gera cerca de 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. Em 2023, a previsão era de 2 mil empregos diretos e 6 mil indiretos no auge da produção.
“A construção impulsiona um número significativo de empregos diretos e indiretos, mobiliza ampla cadeia produtiva e promove capacitação de empresas brasileiras em tecnologias sensíveis e de alta complexidade”, afirmou o Comandante da Marinha, Almirante Olsen.
Programa começou em 2017 e contratos foram assinados em 2020
O Programa Fragatas Classe Tamandaré foi iniciado em 2017. Em 27 de março de 2019, a SPE Águas Azuis, formada por thyssenkrupp Marine Systems, Atech e Embraer Defesa e Segurança, foi anunciada como a melhor oferta.
Em 5 de março de 2020, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) e a SPE assinaram os contratos. Um deles trata da transferência de conhecimento e tecnologia do Sistema de Gerenciamento de Combate e do Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma. O programa faz parte do Novo PAC do Governo Federal.
Memorando prevê mais quatro fragatas da mesma classe
Durante a Mostra de Armamento, foi assinado um memorando de entendimento para viabilizar o contrato de construção, no Brasil, de um novo lote com mais quatro fragatas da Classe Tamandaré. O documento foi celebrado entre a União, representada pelo Ministério da Defesa, e as empresas da SPE Águas Azuis.
Segundo a Marinha, a iniciativa busca recompor o núcleo do Poder Naval brasileiro e dar continuidade à modernização da Esquadra.
Três fragatas seguiam em construção em Itajaí em abril
Em abril, a Marinha informou que outras três fragatas estavam em construção no estaleiro de Itajaí. A Jerônimo de Albuquerque (F201) deveria iniciar os testes de mar no segundo semestre de 2026.
A Cunha Moreira (F202) estava na fase final de montagem do casco, com lançamento ao mar previsto para 17 de junho. A Mariz e Barros (F203) teve a construção iniciada em janeiro de 2026, com batimento de quilha previsto para o mesmo ano.
Produção simultânea prevê entregas até 2029
Com os quatro navios em produção simultânea, a construção de navios de guerra do programa chegou ao auge, segundo a Marinha. Cada fragata segue o mesmo caminho: partes separadas fabricadas e equipadas antes da montagem final, como num quebra-cabeça.
As entregas são escalonadas e estão previstas até 2029.
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