Descoberta no Mar do Norte reúne dezenas de milhões de barris, infraestrutura offshore já instalada e um plano acelerado de desenvolvimento que pretende encurtar etapas tradicionais da indústria e transformar uma nova acumulação em produção comercial dentro de poucos anos.
Com recursos recuperáveis estimados entre 19 milhões e 50 milhões de barris de óleo equivalente, a nova descoberta da Equinor no Mar do Norte ganhou relevância pelo volume identificado e, principalmente, pelo plano de colocar os hidrocarbonetos em produção dentro de três anos.
Batizada de Grimsnes, a acumulação foi confirmada pelo poço exploratório 30/8-7 S, perfurado pela sonda Deepsea Bergen na licença de produção PL 190, aproximadamente 15 quilômetros a sudoeste da plataforma Oseberg Sør e cerca de 145 quilômetros a oeste de Bergen, na Noruega.
Em termos volumétricos, a estimativa preliminar divulgada pela companhia varia entre 3 milhões e 8 milhões de metros cúbicos padrão de óleo equivalente recuperável, faixa correspondente aos 19 milhões a 50 milhões de barris calculados depois da comprovação de hidrocarbonetos no reservatório.
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Grimsnes revela petróleo e gás em formação do Mar do Norte
Durante a perfuração, segundo o Diretório Offshore da Noruega, foi identificada uma coluna combinada de petróleo e gás de 54 metros na Formação Tarbert, composta por 39 metros de gás e outros 15 metros de petróleo em rochas do Jurássico Médio.
Na mesma formação, a espessura total chegou a 264 metros, dos quais 111 metros eram formados por arenito com propriedades de reservatório classificadas entre moderadas e boas, enquanto objetivos secundários também foram investigados nas formações Ness e Etive ao longo da campanha exploratória.
Ao atingir profundidade vertical de 3.752 metros abaixo do nível do mar, o poço foi encerrado na Formação Drake, do Jurássico Inferior, em uma área onde a lâmina d’água alcança aproximadamente 96 metros, conforme os dados técnicos divulgados pelas autoridades norueguesas.
Além do potencial volumétrico, a posição geográfica de Grimsnes favorece um modelo de desenvolvimento apoiado em estruturas já instaladas, reduzindo a necessidade de implantar uma plataforma independente exclusivamente para processar e escoar os novos recursos encontrados no Mar do Norte.

Infraestrutura de Oseberg pode acelerar produção de Grimsnes
Pelos planos apresentados pela operadora, Grimsnes deverá ser conectado à instalação submarina Stjerne, atualmente ligada à plataforma Oseberg Sør juntamente com os sistemas J e K, o que permitirá integrar a futura produção a uma estrutura operacional já consolidada naquela região offshore.
Esse aproveitamento de infraestrutura também sustenta um cronograma mais curto do que o observado em muitos projetos offshore, pois a Equinor espera que os parceiros tomem uma decisão de investimento no próximo verão do Hemisfério Norte e iniciem a produção dentro de três anos.
Antes mesmo da decisão definitiva sobre o empreendimento, parte da engenharia deverá avançar e a aquisição dos equipamentos submarinos está programada para começar antecipadamente, estratégia adotada para reduzir o intervalo entre aprovação, instalação dos sistemas e início da extração comercial.
Para limitar os riscos dessa antecipação, a companhia pretende utilizar equipamentos padronizados que possam ser direcionados a outros projetos caso Grimsnes não receba autorização para avançar, preservando a utilidade dos componentes comprados antes da aprovação final do desenvolvimento.
Na configuração considerada mais provável, o campo deverá contar com dois ou três poços conectados a uma estrutura submarina padronizada com quatro posições, solução que faz parte da política da Equinor para acelerar projetos e diminuir custos em descobertas próximas a ativos existentes.
Ao ampliar a padronização e simplificar etapas de desenvolvimento, a operadora pretende reduzir pela metade tanto o custo quanto o tempo entre descoberta e produção em seus novos projetos submarinos, recorrendo ainda a soluções repetíveis e padrões já utilizados pela indústria offshore.

Equinor divide licença com Petoro e TotalEnergies
Localizada cerca de 20 quilômetros ao sul do campo de Tune, Grimsnes ocupa o extremo sul da licença PL 190, concedida em 1993 e atualmente operada pela Equinor, que mantém participação de 50 por cento no empreendimento exploratório.
Na composição societária restante, a estatal norueguesa Petoro possui 40 por cento da licença, enquanto a TotalEnergies EP Norge controla os 10 por cento restantes, formando a parceria responsável por avaliar a viabilidade técnica e comercial da nova acumulação.
Já a infraestrutura escolhida para receber os recursos entrou em operação há décadas, pois Oseberg Sør começou a produzir em 2000 e reúne uma plataforma integrada destinada à perfuração, acomodação e processamento, além de sistemas submarinos conectados ao complexo instalado na região.
Depois do processamento, o petróleo produzido pelo sistema segue pelo Oseberg Field Centre e pelo Oseberg Transport System até o terminal de Sture, rota de escoamento existente que poderá receber também os volumes de Grimsnes caso o desenvolvimento seja efetivamente aprovado.

Estratégia submarina mira novos projetos na Noruega
Dentro de uma estratégia mais ampla de exploração próxima a campos em operação, a Equinor planeja perfurar 200 poços exploratórios desse tipo e entregar aproximadamente 75 desenvolvimentos submarinos até 2035 na plataforma continental norueguesa.
Nesse planejamento de longo prazo, a empresa pretende manter produção próxima de 1,3 milhão de barris de óleo equivalente por dia na plataforma continental da Noruega em 2035, sendo que aproximadamente 70 por cento desse volume deverá vir de novos poços e novos desenvolvimentos.
Com até 50 milhões de barris de óleo equivalente estimados e infraestrutura disponível nas proximidades, a estratégia de colocar Grimsnes em produção dentro de três anos poderá se tornar referência para outros projetos submarinos menores no Mar do Norte?
