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Brasil constrói navio de 103 metros para enfrentar águas da Antártica, com autonomia de 70 dias longe dos portos

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 28/10/2026 às 15:59 Atualizado em 28/10/2026 às 16:11
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Almirante Saldanha, navio polar da Marinha do Brasil com autonomia de 70 dias, vai substituir o Ary Rongel na Antártica e tem entrega prevista para 2026.
Almirante Saldanha, navio polar da Marinha do Brasil com autonomia de 70 dias, vai substituir o Ary Rongel na Antártica e tem entrega prevista para 2026.
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O Almirante Saldanha, primeiro navio polar fabricado no Brasil, está em construção no Estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo, com entrega prevista para 2026. Com 103,16 metros, o navio da Marinha do Brasil terá autonomia de 70 dias, capacidade para 95 tripulantes e vai substituir o Ary Rongel na Antártica.

A Marinha do Brasil constrói no Estaleiro Jurong Aracruz, em Aracruz (ES), o Navio Polar Almirante Saldanha. A embarcação terá 103,16 metros de comprimento e autonomia de 70 dias, e vai apoiar a Estação Antártica Comandante Ferraz. Será o primeiro navio polar construído no país e vai substituir o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel nas Operações Antárticas.

As informações foram divulgadas pela Agência Marinha de Notícias em duas publicações. A primeira, de 10 de maio de 2023, tratou do início da construção. A segunda, de 6 de março de 2026, assinada pelo Primeiro-Tenente (RM2-T) Stilben, foi publicada durante a celebração dos 40 anos da primeira invernada brasileira na Antártica.

Construção começou com corte de chapa em maio de 2023

Almirante Saldanha, navio polar da Marinha do Brasil com autonomia de 70 dias, vai substituir o Ary Rongel na Antártica e tem entrega prevista para 2026.
Almirante Saldanha, navio polar da Marinha do Brasil com autonomia de 70 dias, vai substituir o Ary Rongel na Antártica e tem entrega prevista para 2026.

O primeiro corte da chapa do casco foi feito na terça-feira, 9 de maio de 2023, nas instalações do estaleiro em Aracruz. Segundo a Marinha, a ação marcou o início da construção do novo navio que vai atuar no continente antártico.

Na época, a embarcação era chamada de Navio de Apoio Antártico (NApAnt). Na publicação de março de 2026, ela aparece como Navio Polar (NPo) Almirante Saldanha.

Casco e superestrutura serão formados por 12 blocos

A chapa de aço cortada em 2023 serviu para fabricar o primeiro de uma série de 12 blocos. Quando estiverem unidos, eles vão formar o casco e a superestrutura do navio.

Batimento de quilha colocou uma moeda na estrutura do navio

Em 2025, a Marinha do Brasil realizou no mesmo estaleiro a cerimônia de batimento de quilha do Almirante Saldanha. O ato representa o início efetivo da construção: um dos blocos principais que formam a “espinha dorsal” do navio é posicionado.

Na cerimônia, uma moeda foi colocada na estrutura correspondente à quilha. Segundo a Marinha, é uma tradição naval que simboliza sorte para o futuro da construção.

Navio terá 103,16 metros de comprimento e 6.804 toneladas

O Almirante Saldanha terá 103,16 metros de comprimento, 18,5 metros de largura e 6,3 metros de calado. O deslocamento previsto é de 6.804 toneladas.

A propulsão será diesel-elétrica, de acordo com a publicação de 2023.

Autonomia de 70 dias e espaço para 26 pesquisadores

Almirante Saldanha, navio polar da Marinha do Brasil com autonomia de 70 dias, vai substituir o Ary Rongel na Antártica e tem entrega prevista para 2026.
Almirante Saldanha, navio polar da Marinha do Brasil com autonomia de 70 dias, vai substituir o Ary Rongel na Antártica e tem entrega prevista para 2026.

O navio terá autonomia de 70 dias e capacidade para 95 tripulantes. Desse total, 26 vagas são para pesquisadores.

Segundo a Marinha, a embarcação terá tecnologias avançadas para dar mais segurança às operações e mais eficiência ao apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz.

Almirante Saldanha vai substituir o Ary Rongel

O novo navio polar vai cumprir as mesmas missões do Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel, mas com capacidades aprimoradas para atender à nova Estação Antártica Comandante Ferraz, na Ilha Rei George.

De acordo com a Marinha, isso vai aumentar a participação do Brasil nos processos de decisão sobre o destino da região.

Previsão de entrega passou de 2025 para 2026

Quando a construção começou, em maio de 2023, a Marinha informou que a entrega estava prevista para 2025. Na publicação de março de 2026, a previsão de entrega do Almirante Saldanha aparece como 2026.

Obra já gerou cerca de 600 empregos diretos e 6 mil indiretos

Em 2023, a previsão era de que a construção gerasse cerca de 600 empregos diretos e 6.000 indiretos. Em março de 2026, a Marinha informou que esse número já foi alcançado.

Segundo a Força, a obra também traz ganhos para a indústria naval e para a base tecnológica brasileira.

Proantar opera hoje com dois navios no continente gelado

O Programa Antártico Brasileiro (Proantar) conta atualmente com dois navios no ambiente antártico: o Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel e o Navio Polar Almirante Maximiano.

Eles apoiam a Estação Antártica Comandante Ferraz, reconstruída e reinaugurada em 2020, depois de um incêndio em 2012. A estação tem laboratórios de mudanças climáticas, oceanografia, biologia marinha, fisiologia, glaciologia e geociências.

Navios concentram cerca de 40% da pesquisa brasileira na Antártica

Segundo o comandante do Almirante Maximiano, Capitão de Mar e Guerra Carlos Eduardo Navazio de Oliveira da Silva, cerca de 40% da pesquisa científica brasileira na Antártica é feita a partir dos navios. O Almirante Maximiano concentra aproximadamente 80% dessa pesquisa embarcada, de acordo com o oficial.

Nos últimos dois anos, cerca de 300 pesquisadores passaram pelo navio, em mais de 20 projetos científicos. Na operação em curso em março de 2026, ele cruzou o Círculo Polar Antártico e fez pesquisas a mais de 400 milhas náuticas (cerca de 700 km) da estação.

Almirante Maximiano já ficou 47 dias seguidos no mar

Na atual comissão, o Almirante Maximiano permaneceu 47 dias ininterruptos no mar em uma ocasião e 44 dias em outra. Segundo a Marinha, a tripulação ainda enfrenta a exigência psicológica de trabalhar em ambiente confinado e inóspito por longos períodos.

“É o continente dos extremos: o mais frio, mais seco e mais ventoso. Além disso, há grandes variações meteorológicas ao longo do mesmo dia”, afirmou o comandante Navazio.

Navios da Marinha navegam em gelo de até 40 centímetros

Os navios da Marinha estão habilitados a navegar em áreas de gelo fragmentado com até 40 centímetros de espessura, o tipo de gelo comum no verão antártico. Muitos equipamentos são instalados em duplicidade, para garantir redundância.

Entre abril e setembro, as embarcações passam por manutenção preventiva e corretiva. A fase de verão das Operações Antárticas (Operantar) vai de novembro a março.

Marinha celebrou 40 anos da primeira invernada na Antártica

Em 1986, pesquisadores e militares da Marinha do Brasil passaram pela primeira vez todo o inverno antártico na Estação Comandante Ferraz, com temperaturas abaixo de 20 graus negativos. O grupo foi chefiado pelo então Capitão-Tenente (Fuzileiro Naval) José Henrique Salvi Elkfury, hoje Contra-almirante (Fuzileiro Naval, Reserva).

Em março de 2026, uma comitiva voltou à estação para marcar a data. Estiveram lá o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, o Contra-almirante Elkfury e representantes dos ministérios da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Comandante da Marinha liga Antártica à Estratégia Nacional de Defesa

Segundo o Almirante Olsen, a Estratégia Nacional de Defesa (END) define como área prioritária o entorno estratégico, que inclui a costa ocidental da África, a Antártica, o Caribe e a América do Sul. Ele também defendeu que a sociedade preste mais atenção ao uso do mar. “O Brasil é inviável sem o mar”, afirmou.

A Secretária-Geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo, disse que o Proantar é um instrumento estratégico de inserção internacional. Segundo ela, o programa garante uma presença qualificada do Brasil na governança da Antártica, onde o país é membro consultivo do Tratado da Antártica.

Pesquisa antártica influencia chuvas e agronegócio, diz coordenador

Para o coordenador do Projeto COM-Antar, professor Ronaldo Adriano Christofoletti, os estudos sobre atmosfera, calotas polares, oceano e Amazônia Azul ajudam a entender o que regula as chuvas e o agronegócio brasileiro. “A ciência é a base da sociedade, da economia à saúde das pessoas”, afirmou.

Margareth Alves Carvalho, coordenadora técnica do Programa de Pesquisa em Ciências Ambientais e do Mar do CNPq, disse que investir em ciência e tecnologia de qualidade faz o país deixar de ser apenas consumidor de conhecimento.

Almirante Saldanha tem entrega prevista para 2026

O Almirante Saldanha segue em construção no Estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo, com entrega prevista para 2026. Quando entrar em operação, o navio de 103,16 metros e autonomia de 70 dias vai assumir as missões do Ary Rongel no apoio à Estação Antártica Comandante Ferraz.

Na sua opinião, construir no Brasil os navios que vão à Antártica é o melhor caminho para manter a pesquisa brasileira no continente? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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