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Agrion anuncia fábrica de R$ 46 milhões dentro de usina em Frutal para transformar resíduos da cana em fertilizantes, com capacidade prevista de 70 mil e expansão para 205 mil toneladas por ano

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 26/10/2026 às 16:13 Atualizado em 26/10/2026 às 16:15
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Ilustração digital de fábrica de fertilizantes com silos e estruturas industriais perto de lavouras ao pôr do sol
Ilustração digital de uma fábrica de fertilizantes integrada à atividade agrícola. A imagem não retrata a futura unidade da Agrion em Frutal.
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Em Frutal (MG), Agrion prevê R$ 46 milhões para produzir fertilizantes com resíduos da cana dentro de uma usina. A primeira fase pode entregar 70 mil toneladas ao ano em 2027, com expansão planejada para 205 mil.

A Agrion Fertilizantes anunciou R$ 46 milhões para a primeira etapa de uma fábrica em Frutal, no Triângulo Mineiro, com capacidade inicial de produzir 70 mil toneladas de adubos por ano. A unidade ficará dentro do complexo da Cerradão Açúcar, Etanol e Bioenergia e transformará resíduos da cana-de-açúcar em insumos para lavouras.

O empreendimento tem lançamento da pedra fundamental previsto para 28 de outubro de 2026, conclusão da primeira fase projetada para junho de 2027 e uma segunda expansão que poderá elevar a produção a 205 mil toneladas anuais. A instalação aproxima a fabricação de fertilizantes da matéria-prima gerada pela usina.

Primeira fase prevê 6,5 mil metros quadrados e 50 empregos em Frutal

O cronograma divulgado prevê aproximadamente 6,5 mil metros quadrados de área construída quando a primeira etapa estiver pronta. A estimativa apresentada nessa fase é de 50 postos de trabalho, vinculados a uma estrutura capaz de produzir 70 mil toneladas de fertilizantes por ano.

A previsão de junho de 2027 marca a meta para a entrega da primeira etapa industrial. Até lá, as 70 mil toneladas anuais permanecem uma capacidade planejada, vinculada à conclusão das obras e à entrada em operação dos equipamentos.

Resíduos da produção de açúcar e etanol voltarão ao campo como fertilizantes

A matéria-prima virá da atividade sucroenergética que já movimenta a região. No modelo industrial apresentado pela Agrion, as unidades são instaladas junto às usinas e utilizam subprodutos como torta de filtro e vinhaça, materiais resultantes do processamento da cana.

Após tratamento e processamento, esses materiais integram a fabricação de fertilizantes organominerais, que combinam componentes orgânicos e minerais destinados à nutrição das plantas. A estrutura industrial permite dar uso comercial a resíduos gerados no mesmo complexo produtor de açúcar e etanol.

O arranjo também encurta parte do caminho entre a origem desses resíduos e o local de fabricação do adubo. Para a Cerradão, a parceria cria uma destinação produtiva para materiais associados à atividade da usina; para a Agrion, garante proximidade com a fonte de matéria-prima.

Expansão poderá praticamente triplicar a capacidade e elevar empregos para 90

Uma segunda fase está no planejamento da empresa. Se implantada nos termos divulgados, a capacidade passará de 70 mil para 205 mil toneladas por ano, acréscimo de 135 mil toneladas anuais e quase três vezes o volume da primeira etapa.

O número de empregos previsto no projeto completo também cresce: dos 50 postos da etapa inicial para cerca de 90 trabalhadores. A expansão virá depois da primeira fase, cuja entrega está projetada para junho de 2027; a data da segunda etapa ainda será definida pela empresa.

Anúncios sobre a nova fábrica trouxeram valores diferentes de investimento e vagas

As informações publicadas em 21 de outubro registraram duas estimativas. O detalhamento da primeira fase aponta R$ 46 milhões e 50 empregos. Já uma notícia sobre a reunião entre empresários e o prefeito Bruno Augusto informou R$ 50 milhões e 70 empregos, números atribuídos ao anúncio municipal.

A diferença aparece nas comunicações sobre o mesmo empreendimento. Para o cronograma de implantação, a apresentação que discrimina primeira e segunda etapas estabelece os R$ 46 milhões como investimento inicial e prevê chegar a 90 postos após a expansão. Os valores municipais de R$ 50 milhões e 70 empregos foram apresentados sem a mesma divisão por fases.

CEO aponta uma nova ligação entre a indústria da cana e os insumos agrícolas

Ernani Judice, CEO da Agrion, explicou ao jornal Frutal Atual que o projeto pretende “transformar aquilo que já existe dentro dessa cadeia em matéria-prima para uma nova produção”. A declaração resume a escolha de instalar a fábrica dentro de uma usina já ativa na cadeia sucroenergética.

A empresa prevê que parte da produção possa atender negócios ligados às usinas parceiras e que outros volumes sejam destinados ao mercado agrícola regional. Frutal passará a reunir, no mesmo polo, a geração do resíduo industrial e uma instalação preparada para convertê-lo em produto agrícola.

Ernani Judice conversando durante gravação no Vision Tech Summit 2026, com câmeras e iluminação de estúdio
Ernani Judice, CEO da Agrion Fertilizantes, participa de gravação durante o Vision Tech Summit 2026. Foto: Agrion Fertilizantes/Divulgação.

Agrion já desenvolve outra fábrica junto a uma usina em São Paulo

Frutal integra uma expansão que ultrapassa Minas Gerais. Em maio de 2026, a empresa lançou a pedra fundamental de outra unidade em Ibirarema, no interior paulista, ao lado da Usina Enersugar. Segundo comunicado da Enersugar, o projeto também transforma subprodutos da cana em fertilizantes.

Na unidade paulista, a usina entra como fornecedora dos resíduos e, ao lado da NovAmérica Agrícola, como compradora de parte do fertilizante produzido. A repetição do modelo em Frutal indica a aposta da Agrion em fábricas próximas de grandes operações agrícolas, em vez de depender apenas do transporte de resíduos até plantas distantes.

Participantes sentados durante cerimônia da Agrion em Ibirarema, sob tenda com canavial e estruturas industriais ao fundo
Participantes acompanham evento da Agrion em Ibirarema (SP), em 2026. Foto: Agrion Fertilizantes/Divulgação.

Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza

A chegada de uma nova fabricante ocorre enquanto o Brasil tenta ampliar a oferta doméstica de nutrientes agrícolas. Conforme o Ministério da Agricultura, aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, e o Plano Nacional de Fertilizantes busca ampliar a participação da indústria brasileira.

Os organominerais acrescentam uma rota de fabricação com matérias-primas disponíveis no país. Como esses produtos combinam componentes orgânicos e minerais, a formulação deve atender às necessidades de cada cultura e às características do solo, conforme orientação agronômica.

Pedra fundamental será lançada em outubro; operação é projetada para 2027

Com a cerimônia prevista para 28 de outubro, a implantação seguirá com a montagem da estrutura industrial dentro do complexo da Cerradão. A previsão divulgada é concluir a primeira fase em junho de 2027; a ampliação posterior dependerá das próximas decisões do empreendimento.

A entrega da primeira fase em 2027 permitirá iniciar a produção local de adubos feitos a partir dos resíduos da própria cadeia sucroenergética. A segunda expansão, se concretizada, levará a capacidade anual a 205 mil toneladas.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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