Em Frutal (MG), Agrion prevê R$ 46 milhões para produzir fertilizantes com resíduos da cana dentro de uma usina. A primeira fase pode entregar 70 mil toneladas ao ano em 2027, com expansão planejada para 205 mil.
A Agrion Fertilizantes anunciou R$ 46 milhões para a primeira etapa de uma fábrica em Frutal, no Triângulo Mineiro, com capacidade inicial de produzir 70 mil toneladas de adubos por ano. A unidade ficará dentro do complexo da Cerradão Açúcar, Etanol e Bioenergia e transformará resíduos da cana-de-açúcar em insumos para lavouras.
O empreendimento tem lançamento da pedra fundamental previsto para 28 de outubro de 2026, conclusão da primeira fase projetada para junho de 2027 e uma segunda expansão que poderá elevar a produção a 205 mil toneladas anuais. A instalação aproxima a fabricação de fertilizantes da matéria-prima gerada pela usina.
Primeira fase prevê 6,5 mil metros quadrados e 50 empregos em Frutal
O cronograma divulgado prevê aproximadamente 6,5 mil metros quadrados de área construída quando a primeira etapa estiver pronta. A estimativa apresentada nessa fase é de 50 postos de trabalho, vinculados a uma estrutura capaz de produzir 70 mil toneladas de fertilizantes por ano.
-
Agronegócio brasileiro alcança R$ 1,44 trilhão em valor bruto de produção, com soja e pecuária em destaque
-
Aluguel de máquinas agrícolas avança no Brasil após preços de plantadeiras subirem até 225%
-
Sicoob prepara R$ 70 bilhões em crédito rural para a safra 2026/27 e prevê mais recursos para pequenos e médios produtores, mas a maior fatia do dinheiro terá um destino que chama atenção
-
Nordeste concentra quase 97% dos caprinos do Brasil e fortalece a criação de ovinos e cabras
A previsão de junho de 2027 marca a meta para a entrega da primeira etapa industrial. Até lá, as 70 mil toneladas anuais permanecem uma capacidade planejada, vinculada à conclusão das obras e à entrada em operação dos equipamentos.
Resíduos da produção de açúcar e etanol voltarão ao campo como fertilizantes
A matéria-prima virá da atividade sucroenergética que já movimenta a região. No modelo industrial apresentado pela Agrion, as unidades são instaladas junto às usinas e utilizam subprodutos como torta de filtro e vinhaça, materiais resultantes do processamento da cana.
Após tratamento e processamento, esses materiais integram a fabricação de fertilizantes organominerais, que combinam componentes orgânicos e minerais destinados à nutrição das plantas. A estrutura industrial permite dar uso comercial a resíduos gerados no mesmo complexo produtor de açúcar e etanol.
O arranjo também encurta parte do caminho entre a origem desses resíduos e o local de fabricação do adubo. Para a Cerradão, a parceria cria uma destinação produtiva para materiais associados à atividade da usina; para a Agrion, garante proximidade com a fonte de matéria-prima.
Expansão poderá praticamente triplicar a capacidade e elevar empregos para 90
Uma segunda fase está no planejamento da empresa. Se implantada nos termos divulgados, a capacidade passará de 70 mil para 205 mil toneladas por ano, acréscimo de 135 mil toneladas anuais e quase três vezes o volume da primeira etapa.
O número de empregos previsto no projeto completo também cresce: dos 50 postos da etapa inicial para cerca de 90 trabalhadores. A expansão virá depois da primeira fase, cuja entrega está projetada para junho de 2027; a data da segunda etapa ainda será definida pela empresa.
Anúncios sobre a nova fábrica trouxeram valores diferentes de investimento e vagas
As informações publicadas em 21 de outubro registraram duas estimativas. O detalhamento da primeira fase aponta R$ 46 milhões e 50 empregos. Já uma notícia sobre a reunião entre empresários e o prefeito Bruno Augusto informou R$ 50 milhões e 70 empregos, números atribuídos ao anúncio municipal.
A diferença aparece nas comunicações sobre o mesmo empreendimento. Para o cronograma de implantação, a apresentação que discrimina primeira e segunda etapas estabelece os R$ 46 milhões como investimento inicial e prevê chegar a 90 postos após a expansão. Os valores municipais de R$ 50 milhões e 70 empregos foram apresentados sem a mesma divisão por fases.
CEO aponta uma nova ligação entre a indústria da cana e os insumos agrícolas
Ernani Judice, CEO da Agrion, explicou ao jornal Frutal Atual que o projeto pretende “transformar aquilo que já existe dentro dessa cadeia em matéria-prima para uma nova produção”. A declaração resume a escolha de instalar a fábrica dentro de uma usina já ativa na cadeia sucroenergética.
A empresa prevê que parte da produção possa atender negócios ligados às usinas parceiras e que outros volumes sejam destinados ao mercado agrícola regional. Frutal passará a reunir, no mesmo polo, a geração do resíduo industrial e uma instalação preparada para convertê-lo em produto agrícola.

Agrion já desenvolve outra fábrica junto a uma usina em São Paulo
Frutal integra uma expansão que ultrapassa Minas Gerais. Em maio de 2026, a empresa lançou a pedra fundamental de outra unidade em Ibirarema, no interior paulista, ao lado da Usina Enersugar. Segundo comunicado da Enersugar, o projeto também transforma subprodutos da cana em fertilizantes.
Na unidade paulista, a usina entra como fornecedora dos resíduos e, ao lado da NovAmérica Agrícola, como compradora de parte do fertilizante produzido. A repetição do modelo em Frutal indica a aposta da Agrion em fábricas próximas de grandes operações agrícolas, em vez de depender apenas do transporte de resíduos até plantas distantes.

Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza
A chegada de uma nova fabricante ocorre enquanto o Brasil tenta ampliar a oferta doméstica de nutrientes agrícolas. Conforme o Ministério da Agricultura, aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, e o Plano Nacional de Fertilizantes busca ampliar a participação da indústria brasileira.
Os organominerais acrescentam uma rota de fabricação com matérias-primas disponíveis no país. Como esses produtos combinam componentes orgânicos e minerais, a formulação deve atender às necessidades de cada cultura e às características do solo, conforme orientação agronômica.
Pedra fundamental será lançada em outubro; operação é projetada para 2027
Com a cerimônia prevista para 28 de outubro, a implantação seguirá com a montagem da estrutura industrial dentro do complexo da Cerradão. A previsão divulgada é concluir a primeira fase em junho de 2027; a ampliação posterior dependerá das próximas decisões do empreendimento.
A entrega da primeira fase em 2027 permitirá iniciar a produção local de adubos feitos a partir dos resíduos da própria cadeia sucroenergética. A segunda expansão, se concretizada, levará a capacidade anual a 205 mil toneladas.
