Família de Curitiba procurava um imóvel para passar temporadas em Santa Catarina quando encontrou uma casa praticamente escondida pela vegetação. A primeira tentativa de compra fracassou, mas, um mês depois, o marido aproveitou uma reviravolta na negociação e preparou a surpresa para a esposa.
Uma casa de 45 anos, abandonada e tomada pelo mato em Pomerode, em Santa Catarina, chamou a atenção da empresária Roberta Juliana Oliveira Ayres Gruber durante um passeio da família pela cidade. O imóvel tinha problemas evidentes, mas ela enxergou ali a possibilidade de construir a casa que queria para passar temporadas longe de Curitiba.
A história, relatada ao UOL Nossa, começou quando Roberta e a família se encantaram por Pomerode e passaram a procurar um imóvel na região. Durante uma das buscas, encontraram a propriedade quase escondida pela vegetação. Segundo ela, apenas uma pequena parte da casa podia ser vista em meio ao mato, enquanto uma placa informava que o local estava disponível tanto para venda quanto para aluguel.
Ao entrar, os problemas ficaram mais claros. A construção originalmente possuía apenas um quarto. Outros cômodos haviam sido acrescentados posteriormente, de maneira que desagradou à empresária, e a casa ainda tinha uma escada estreita.
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Mesmo assim, Roberta gostou do imóvel e começou a imaginar a reforma. O marido foi mais cauteloso e avaliou que as despesas para recuperar a casa poderiam acabar superando o próprio valor da propriedade.
Primeira tentativa de compra terminou com outro interessado levando a casa

Apesar das dúvidas sobre o tamanho da reforma, o casal decidiu apresentar uma proposta. O problema é que eles não eram os únicos interessados. De acordo com o relato de Roberta, cinco pessoas apareceram interessadas naquela mesma semana, e a proprietária acabou aceitando uma oferta de valor maior.
A empresária desistiu da casa e continuou procurando outros imóveis em Pomerode. Cerca de um mês se passou até que surgiu uma mudança inesperada na negociação: o comprador escolhido anteriormente não concretizou a compra.
O corretor então entrou em contato diretamente com o marido de Roberta. Dessa vez, ele decidiu agir sem contar nada à esposa. Comprou a casa e avisou outros integrantes da família, mantendo Roberta fora do plano para transformar a entrega do imóvel em uma surpresa.
No fim de semana, ele disse que havia aparecido outra casa disponível na mesma rua e convidou a esposa para ir até o local.
No caminho, Roberta viu que justamente a casa que havia perdido estava com movimentação no jardim. Para ela, era a confirmação de que o novo proprietário já começara a cuidar do terreno.
O corretor estava no quintal e convidou o casal para entrar e conhecer a suposta nova dona.
Foi então que uma mulher apareceu e, depois de conversar com Roberta sobre o quanto ela gostava daquele imóvel, entregou as chaves e revelou: “é sua”.
A mulher fazia parte da encenação preparada com a participação do corretor. O marido confirmou que havia comprado a propriedade, e outros integrantes da família entraram em seguida. Era maio de 2021, e a casa se tornou o presente de Dia das Mães de Roberta.
Reforma começa pelo jardim e os erros de medida aparecem na sequência

Receber as chaves resolveu a compra, mas abriu uma fase muito mais trabalhosa. A família começou recuperando o jardim, onde a vegetação acumulada escondia flores, plantas e pedras. Como eles moravam em Curitiba e a obra aconteceria em Pomerode, contrataram um escritório para acompanhar a parte estrutural e facilitar o andamento dos serviços à distância.
Foi durante essa etapa que começaram os problemas. Um dos casos envolveu a escada. Havia um móvel instalado embaixo dela que deveria continuar no mesmo lugar depois da reconstrução, mas, quando a nova escada ficou pronta, o armário já não cabia no espaço disponível.
A solução encontrada foi cortar os pés do móvel. O transtorno seguinte apareceu no telhado. As medidas estavam erradas e um novo lote precisou ser enviado. Conforme relatou Roberta ao UOL Nossa, os responsáveis assumiram o custo do novo frete.
Nem o banheiro escapou. Um box de vidro chegou com altura completamente desproporcional ao espaço e precisou ser substituído.
Os sucessivos problemas fizeram a família acumular experiência prática com a obra. Para Roberta, corrigir todos os erros foi uma das partes mais difíceis da transformação da casa.
Casa deveria estar pronta no Natal, mas família precisou participar da reta final da obra

As medidas erradas não foram o único problema. O cronograma também saiu do planejado. A previsão era que a casa estivesse pronta para o Natal, mas o prazo não foi cumprido. Diante do atraso, Roberta, o marido, as filhas e o cachorro viajaram de Curitiba para Pomerode e a família passou a acompanhar de perto a reta final dos trabalhos.
Eles também colocaram a mão na massa enquanto os profissionais concluíam os serviços. Depois de enfrentar a casa tomada pelo mato, perder a primeira negociação, recuperar inesperadamente a oportunidade de compra e passar por uma sequência de erros na reforma, a família finalmente conseguiu usar o imóvel que havia imaginado desde a primeira visita.
A decoração continuou sendo feita aos poucos, com móveis antigos e peças garimpadas escolhidas por Roberta. A propriedade também ganhou um perfil próprio no Instagram, identificado como @acasa_da_montanha.
Ao recordar os problemas enfrentados durante a obra, a empresária afirmou que a sensação passou a ser de alívio por tudo aquilo ter ficado para trás. A antiga casa abandonada, que inicialmente parecia exigir uma reforma cara demais, acabou se tornando o lugar onde ela dizia ainda se surpreender ao perceber que o projeto havia virado realidade.
Você encararia a reforma de uma casa abandonada depois de tantos erros na obra ou teria desistido no meio do caminho?
