A Rota Portuária do Sul reúne trechos das BR-116 e BR-392 no Rio Grande do Sul e, na modelagem mais recente, soma cerca de 465 km. Projeto ainda está em fase de estruturação e prevê também marginais, pontos de ônibus, passagens de fauna e pedágio eletrônico.
Um corredor rodoviário usado por caminhões que transportam produtos agrícolas e industriais até o Porto de Rio Grande poderá passar por uma ampla modernização. O estudo técnico da Rota Portuária do Sul prevê mais de 83 km de duplicações, 132 acessos e 34 passarelas em trechos das BR-116 e BR-392 no Rio Grande do Sul.
A proposta avançou em setembro de 2026, quando a Agência Nacional de Transportes Terrestres atualizou a modelagem depois da audiência pública. O corredor passou a reunir 465,032 km, incluindo o acesso aos Molhes da Barra, em Rio Grande.
As intervenções, porém, ainda são previstas. Até outubro de 2026, a nova concessão permanecia em fase de estruturação, sem confirmação de que os mais de 83 km de duplicações já tivessem começado a ser executados.
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Rota Portuária do Sul reúne trechos das BR-116 e BR-392

A proposta foi desenhada para integrar rodovias que atendem tanto deslocamentos regionais quanto o transporte de cargas para o litoral sul gaúcho.
Na BR-116, o projeto abrange o trecho entre Camaquã e a região da ponte sobre o Rio Jaguarão.
Na BR-392, a concessão inclui a ligação entre o Porto Novo, em Rio Grande, e o acesso a Santana da Boa Vista.
Essas estradas exercem funções diferentes ao longo do trajeto, mas se conectam dentro de uma cadeia logística que movimenta produtos entre o interior do estado, a fronteira com o Uruguai e o Porto de Rio Grande.
O projeto pretende aumentar a capacidade e melhorar as condições de circulação desse corredor.
Mais de 83 km de duplicações estão previstos

O estudo inicial prevê mais de 83 km de duplicações.
Duplicar uma rodovia significa criar pistas separadas para os sentidos opostos de circulação.
Essa mudança tende a ampliar a capacidade dos trechos escolhidos e reduzir situações em que veículos precisam utilizar a faixa contrária para ultrapassar caminhões mais lentos.
Em segmentos de pista simples, especialmente aqueles utilizados por grande volume de carga, a diferença de velocidade entre veículos pode dificultar ultrapassagens.
A segunda pista cria uma separação física entre os sentidos e permite distribuir melhor o tráfego.
Ainda assim, os mais de 83 km não correspondem a uma nova estrada contínua de ponta a ponta.
As obras deverão ser distribuídas pelos pontos selecionados dentro das BR-116 e BR-392.
Projeto também prevê 38,58 km de vias marginais
A modernização não se limita às duplicações.
O estudo inclui 38,58 km de vias marginais.
Esses caminhos paralelos têm a função de separar parte dos deslocamentos locais do fluxo que segue pela pista principal.
Isso é especialmente relevante em trechos onde rodovias atravessam ou passam próximas a áreas urbanizadas.
Moradores que precisam entrar ou sair de bairros, propriedades e estabelecimentos próximos podem utilizar as marginais sem disputar diretamente espaço com caminhões e veículos em viagens de longa distância.
Cento e trinta e dois acessos deverão reorganizar entradas e saídas
Outro número expressivo é o de 132 acessos previstos.
Essas estruturas fazem a ligação entre a rodovia principal e vias secundárias, propriedades, bairros ou outros pontos de entrada e saída.
Uma grande quantidade de acessos diretos pode criar conflitos de tráfego quando não há organização adequada.
O projeto busca tratar essas conexões de forma mais estruturada.
A definição final de cada acesso dependerá, porém, dos documentos definitivos da concessão e dos projetos aprovados para cada trecho.
Estudo inclui 34 passarelas
Também estão previstas 34 passarelas para pedestres.
A função dessas estruturas é separar a travessia de pessoas do fluxo de veículos.
Em rodovias que atravessam áreas urbanas ou localidades com circulação frequente de moradores, atravessar diretamente a pista pode aumentar o risco de acidentes.
As passarelas criam um caminho específico para pedestres, sem necessidade de cruzar as faixas de rolamento no mesmo nível dos veículos.
A efetividade, entretanto, depende da localização escolhida e da conexão das estruturas com os trajetos usados pela população.
Corredor terá 188 pontos de ônibus
O estudo ainda prevê 188 pontos de ônibus.
Esse número mostra que o projeto não considera apenas o transporte de cargas de longa distância.
A rodovia também atende passageiros e moradores das cidades e localidades próximas.
Pontos de ônibus bem posicionados ajudam a organizar embarques e desembarques e reduzem paradas improvisadas na pista ou no acostamento.
A infraestrutura precisa funcionar em conjunto com passarelas, acessos e marginais.
Dezesseis passagens de fauna fazem parte da proposta
Outra intervenção prevista são 16 passagens de fauna.
Essas estruturas permitem que animais atravessem o corredor sem necessariamente entrar diretamente na pista.
Em áreas de presença de fauna silvestre, a travessia de animais pode gerar risco tanto para os próprios animais quanto para motoristas.
As passagens fazem parte de um conjunto de medidas que ultrapassa a simples ampliação de capacidade da rodovia.
Projeto foi ampliado após audiência pública
A versão atual não é exatamente igual à modelagem inicial.
Depois de analisar contribuições recebidas na audiência pública, a ANTT promoveu ajustes no alcance da concessão, na parte financeira e na organização dos serviços.
O corredor atualizado passou a ter 465,032 km.
A versão anterior considerava 459,63 km.
Também houve mudança no volume estimado de investimentos.
A modelagem atualizada passou a prever R$ 7,5 bilhões em investimentos, contra uma estimativa anterior de R$ 6 bilhões.
Custos operacionais somam R$ 5,4 bilhões
Além dos investimentos em obras e infraestrutura, a concessão prevê R$ 5,4 bilhões em custos operacionais durante o contrato de 30 anos.
Os dois valores não representam a mesma despesa.
Os R$ 7,5 bilhões correspondem aos investimentos planejados no corredor.
Já os R$ 5,4 bilhões estão associados à operação, manutenção e aos serviços necessários ao funcionamento da concessão.
Essa distinção é importante para não tratar todo o volume financeiro como dinheiro destinado diretamente a novas pistas.
Pedágio deverá funcionar no sistema free flow
A proposta atualizada também prevê uma mudança na forma de cobrança.
O corredor deverá contar com 12 pórticos de pedágio eletrônico.
O sistema é conhecido como free flow.
Em vez de parar em uma praça tradicional com cabine, o veículo é identificado ao passar pelo pórtico.
A cobrança considera a distância percorrida nos trechos tarifados.
Esse modelo permite substituir parte da lógica de uma tarifa fixa por passagem por uma cobrança vinculada ao percurso realizado.
As tarifas definitivas, entretanto, ainda dependerão dos documentos finais e da contratação da futura concessionária.
Nova base da PRF entrou na modelagem
A revisão da proposta também incorporou investimentos em atendimento e fiscalização.
Entre eles está a previsão de uma terceira base da Polícia Rodoviária Federal na região.
O estudo atualizado também inclui mais equipamentos de comunicação.
Essas estruturas complementam as intervenções físicas de pistas, acessos e marginais.
BR-392 é ligação importante com o Porto de Rio Grande
O componente portuário ajuda a explicar a importância econômica da concessão.
A BR-392 funciona como uma das ligações utilizadas pelas cargas que chegam ao Porto de Rio Grande ou saem dele em direção ao interior.
Caminhões transportam produtos agrícolas, industriais e outras mercadorias até o complexo portuário.
Uma rodovia com maior capacidade pode melhorar a circulação principalmente nos trechos em que o tráfego de longa distância encontra movimentos urbanos e regionais.
Isso não significa, porém, que a duplicação isoladamente elimine todos os gargalos.
A eficiência do corredor depende também da qualidade dos acessos, das marginais, da conservação e da integração das diferentes intervenções.
Obras ainda dependem de licitação e contrato
Até outubro de 2026, o projeto ainda não havia entrado na fase de execução ampla das intervenções previstas.
A ANTT aprovou o relatório final da audiência pública e encaminhou o Plano de Outorga ao Ministério dos Transportes.
As próximas etapas incluem os procedimentos necessários para a licitação, a escolha da empresa responsável e a formalização do contrato.
Somente depois desse avanço será possível acompanhar os cronogramas específicos das obras.
Por isso, é necessário diferenciar uma intervenção prevista no estudo de uma obra já iniciada.
Mais de 83 km não serão duplicados de uma só vez
O volume de duplicações previsto deve ser distribuído em diferentes pontos do corredor.
Não se trata de construir uma segunda pista contínua ao longo dos 465 km.
Cada segmento terá seu próprio cronograma, projeto e processo de execução.
O mesmo vale para acessos, passarelas, marginais e demais equipamentos previstos.
A percepção dos usuários ocorrerá de forma progressiva conforme cada intervenção for concluída e liberada.
Modernização tenta combinar logística portuária e circulação local
A Rota Portuária do Sul atende necessidades que nem sempre são iguais.
Caminhões precisam de capacidade para viagens de longa distância e acesso ao porto.
Moradores precisam cruzar rodovias, utilizar transporte coletivo e entrar ou sair de áreas próximas às pistas.
Veículos regionais dividem espaço com cargas pesadas.
O estudo tenta responder a esses usos com diferentes soluções: duplicações para ampliar capacidade, marginais para organizar deslocamentos locais, passarelas para pedestres e acessos planejados para reduzir conflitos de circulação.
A modernização ainda está no campo da concessão em estruturação, mas a proposta atual já dimensiona uma intervenção de grande porte nas BR-116 e BR-392. Se o projeto avançar conforme a modelagem apresentada, o corredor que atende o Porto de Rio Grande deverá receber mais de 83 km de duplicações e dezenas de outras estruturas distribuídas ao longo das rodovias.
Na sua opinião, pedágio eletrônico sem cabines é uma boa troca por duplicações e passarelas no caminho até o Porto de Rio Grande? Deixe sua opinião nos comentários.
