Ferramenta com criptografia nacional mira segurança digital e deve substituir o uso de mensageiros privados no setor público
A criação de um ‘WhatsApp estatal’ está oficialmente em testes no governo federal. A iniciativa, liderada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), visa reforçar a segurança das comunicações internas e reduzir a dependência de aplicativos controlados por empresas estrangeiras, como WhatsApp e Telegram.
O projeto, revelado ao Congresso Nacional, prevê que o app seja usado inicialmente por membros do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), mas com possível expansão para toda a administração pública federal. O foco principal é garantir soberania digital e proteger informações sensíveis contra vazamentos e espionagem.
Segurança, criptografia e destruição remota
Segundo a Folha de São Paulo, o aplicativo será dotado de criptografia própria, diferente das soluções oferecidas por apps convencionais. Um recurso já testado em versões anteriores — como o projeto Athena — inclui a possibilidade de apagar remotamente os dados do dispositivo, caso o celular seja perdido ou roubado.
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Durante o governo anterior, o Athena teve o uso suspenso. Agora, a nova plataforma ressurge como aposta central da Abin no contexto do Programa de Transformação Digital (PDX), que busca modernizar a comunicação oficial de forma mais ágil, segura e alinhada com as diretrizes do governo digital.
App inspirado no WhatsApp, mas sob controle estatal
Na prática, o ‘WhatsApp estatal’ deverá oferecer funcionalidades similares aos mensageiros privados: envio de mensagens de texto, áudio, vídeo, imagens, criação de grupos e chamadas de voz. O diferencial será a infraestrutura soberana e o controle sobre a base de dados, operada por instituições públicas.
O aplicativo está sendo desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), empresa estatal de tecnologia. O sistema já possui uma versão funcional em fase de testes, e aguarda validação do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos.
Integração com sistema de inteligência e banco de dados
Além da comunicação instantânea, a nova plataforma também prevê a criação de um sistema paralelo para estruturação, catalogação e compartilhamento de documentos de inteligência entre os membros do Sisbin. Essa integração amplia o alcance da ferramenta e reforça o caráter estratégico do projeto.
A expectativa é que o app se torne padrão nas instituições federais, substituindo soluções privadas que hoje dominam o cotidiano dos servidores. Apesar do avanço, a Abin afirma que não pode divulgar mais detalhes técnicos por razões de segurança nacional.
Você acha que o Brasil deve abandonar o uso de apps estrangeiros no setor público? A criação de um ‘WhatsApp estatal’ é uma medida eficaz de proteção ou exagero burocrático? Compartilhe sua visão — o debate sobre soberania digital está apenas começando.

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