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Mais de 3 milhões de cidadãos entregaram alianças, joias e até anéis infantis em plano que reuniu 227 toneladas de ouro avaliadas em US$ 2,13 bilhões para ajudar a Coreia do Sul durante a crise

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 16/07/2026 às 20:40
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Entre janeiro e abril de 1998, 3,51 milhões de pessoas entregaram joias, alianças e medalhas, gerando US$ 2,13 bilhões para ajudar a Coreia do Sul a enfrentar a crise e cumprir obrigações financeiras internacionais urgentes

A campanha do ouro levou 3,51 milhões de sul-coreanos a entregar joias e objetos pessoais entre janeiro e abril de 1998. A mobilização reuniu 227 toneladas, avaliadas em US$ 2,13 bilhões, enquanto a Coreia do Sul enfrentava a crise financeira asiática e um resgate de US$ 58 bilhões do Fundo Monetário Internacional.

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Campanha do ouro começou com filas diante de seis bancos

A coleta teve início em 5 de janeiro de 1998, quando filas se formaram diante de seis bancos encarregados de receber as peças.

A iniciativa havia sido concebida pela cadeia de televisão KBS como uma resposta cívica à emergência econômica.

A Coreia do Sul precisava ampliar suas reservas em moeda estrangeira para cumprir obrigações financeiras internacionais.

O país havia fechado um acordo de resgate de US$ 58 bilhões com o Fundo Monetário Internacional, acompanhado por exigências de reformas estruturais.

A mobilização havia sido planejada para durar pouco tempo. A adesão, porém, levou os organizadores a manter a campanha até 30 de abril de 1998, completando quase quatro meses de coleta.

Nos primeiros dois dias, cerca de 500 mil pessoas participaram. O número chegou a um milhão até 15 de janeiro e alcançou 1,67 milhão antes do encerramento daquele mês.

Ao final, 3,51 milhões de cidadãos haviam entregado alguma peça. A participação correspondia a aproximadamente 23% dos lares sul-coreanos, demonstrando a dimensão nacional alcançada pela iniciativa.

Mais de 3 milhões de cidadãos abriram mão de objetos de família para formar uma das maiores coletas de ouro da história, arrecadar US$ 2,13 bilhões e ajudar o país a enfrentar um resgate de US$ 58 bilhões
Imagem: Reprodução

Alianças, anéis infantis e medalhas foram entregues

O material não veio de grandes reservas empresariais ou institucionais. Grande parte das peças saiu de residências, gavetas familiares e coleções particulares, incluindo objetos preservados por décadas e associados a momentos importantes da vida dos participantes.

Recém-casados entregaram alianças de casamento. Pais levaram os dol-banji, anéis de ouro de 24 quilates tradicionalmente oferecidos às crianças coreanas no primeiro aniversário como símbolo de proteção e prosperidade.

Também foram recebidas insígnias militares, medalhas olímpicas e peças dadas a pessoas idosas por seus filhos.

Esses objetos ampliaram o peso simbólico da campanha do ouro, pois muitos possuíam valor afetivo além do valor financeiro.

O cardeal Stephen Kim Sou-hwan também participou. Ele entregou a cruz de ouro recebida em 1969, quando foi nomeado cardeal, reforçando a visibilidade pública da mobilização.

A campanha ainda recuperou uma tradição histórica. Em 1907, cidadãos do Império coreano tentaram arrecadar recursos para pagar uma dívida de 13 milhões de wones com o Japão, valor próximo de um ano do orçamento nacional.

Antes do acordo com o FMI, a Associação Central de Mulheres de Saemaeul já havia iniciado, em 20 de novembro de 1997, uma coleta de anéis patrióticos. A iniciativa antecipou a mobilização nacional lançada semanas depois.

Ouro foi fundido, exportado e vendido no exterior

Durante os quatro meses, a campanha do ouro reuniu aproximadamente 227 toneladas. O volume tinha valor de mercado estimado em US$ 2,13 bilhões naquele período.

As peças foram fundidas e transformadas em lingotes. Depois, o ouro foi exportado e vendido nos mercados internacionais, permitindo que os recursos fossem convertidos em dólares.

O dinheiro obtido foi usado para cobrir parte das obrigações externas da Coreia do Sul. Em comparação com o resgate de US$ 58 bilhões, a arrecadação representava aproximadamente 3,7% do pacote concedido pelo FMI.

O resultado financeiro foi relevante, mas não suficiente para solucionar sozinho a crise. A recuperação sul-coreana também envolveu mudanças econômicas exigidas no acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional.

Entre as medidas mencionadas estavam reestruturações empresariais, abertura ao investimento estrangeiro, ajustes fiscais e transformações no mercado de trabalho. O conjunto de reformas teve alcance maior e duração mais longa que a campanha popular.

Dívida com o FMI foi quitada três anos antes do previsto

Além da contribuição financeira, a entrega de objetos pessoais mostrou que milhões de cidadãos estavam dispostos a participar diretamente da recuperação econômica do país.

A mobilização também transmitiu uma imagem de coesão social dentro e fora da Coreia do Sul. Durante os quatro meses da campanha, as reservas de ouro do Banco da Coreia cresceram de forma significativa.

A campanha se tornou um dos maiores movimentos de mobilização cívica da história sul-coreana. Seu impacto reuniu arrecadação financeira, participação popular e demonstração pública de apoio ao esforço de recuperação nacional.

A Coreia do Sul terminou de pagar o empréstimo do Fundo Monetário Internacional em agosto de 2001. A quitação ocorreu aproximadamente três anos antes do prazo inicialmente previsto no acordo de resgate.

Esta matéria foi elaborada com base nas informações do material-base fornecido, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.

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Romário Pereira de Carvalho

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