Mais de R$ 25 bilhões em vendas registradas em 2024 revelam o peso das redes de material de construção no varejo brasileiro, com destaque para home centers e atacarejo.
Um levantamento do Instituto IRTT, divulgado em 2024, mostrou que o setor de material de construção faturou R$ 25,3 bilhões, com crescimento tímido de 6,2% em relação a 2023.
Embora o segmento represente apenas 2% do varejo nacional, ele se destaca pelo modelo de operação em grandes lojas de superfície e pela concentração regional.
De acordo com os dados, 13 empresas do setor figuraram entre as 300 maiores do varejo em 2024, confirmando sua relevância.
Mesmo assim, a expansão segue moderada, impactada pelas condições macroeconômicas e pelos juros elevados.
Impactos econômicos e cenário pós-pandemia
Durante a pandemia de 2020 e 2021, o setor cresceu rápido, impulsionado pela adaptação das residências ao home office e ao lazer doméstico. Porém, a partir de 2022 essa tendência perdeu força, e o ritmo caiu. Em 2024, o crescimento consolidado foi freado pelos juros elevados, que encareceram o crédito e reduziram o interesse da população em investir em obras e reformas.
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Esse cenário confirma que, embora o setor mantenha relevância, a demanda depende das condições de financiamento e do comportamento de consumo das famílias.
Estratégias de negócio e formatos em evidência
Além disso, os home centers se consolidaram como modelo dominante, oferecendo ampla variedade de produtos em grandes megalojas. Contudo, o atacarejo também cresceu, principalmente voltado ao público profissional.
É o caso da Obramax, rede do Grupo Adeo (controlador da Leroy Merlin). Em 2024, a empresa operava nove lojas entre São Paulo e Rio de Janeiro, voltadas para compras em volume. Esse formato mostrou-se estratégico para atender construtores e empreiteiros que buscam preços mais competitivos.
Ao mesmo tempo, a regionalização permanece como característica central do setor.
Nove das principais redes atuam com forte presença em mercados locais, limitando a expansão nacional, mas garantindo proximidade com o consumidor.
Ranking das maiores empresas em 2024
Segundo o levantamento do IRTT, o ranking das líderes em 2024 foi o seguinte:
- Leroy Merlin: manteve a liderança, com R$ 8,97 bilhões em vendas e 54 lojas no Brasil. Sua força está no modelo de megalojas e na elevada média de faturamento por unidade.
- Ferreira Costa: garantiu a segunda posição, com R$ 2,4 bilhões em vendas e apenas nove lojas, mas com eficiência por unidade acima da média do setor.
- Quero-Quero: ficou em terceiro lugar, com R$ 2,17 bilhões em vendas e 573 lojas, localizadas sobretudo em cidades de pequeno e médio porte.
- Telhanorte (Grupo Saint-Gobain): em quarto, obteve R$ 1,88 bilhão em vendas em 2024, com 68 lojas, investindo em digitalização, logística e soluções customizadas.
- Sodimac Brasil (Grupo Falabella): fechou o top 5 com R$ 1,75 bilhão em vendas e 52 lojas, consolidando sua atuação no mercado brasileiro.
Desafios financeiros e comportamento do consumidor
De acordo com especialistas, os juros altos foram um dos principais entraves em 2024. O crédito caro limitou financiamentos e reduziu o apetite por consumo. Esse impacto foi sentido sobretudo no mercado de reformas, que perdeu força após os anos de pandemia.
Ainda assim, as principais redes investiram em logística, tecnologia e expansão. A busca por eficiência e competitividade se tornou prioridade, e, segundo o IRTT, esse movimento deverá marcar o setor nos próximos anos.
O que o futuro reserva para o setor?
Com base no desempenho de 2024, analistas avaliam que o setor de material de construção seguirá relevante. Porém, enfrentará desafios para manter crescimento contínuo. A sustentabilidade das operações dependerá de estratégias inovadoras, da digitalização e da adaptação ao consumo regionalizado.
Além disso, a disputa entre home centers e atacarejos tende a se intensificar.
Enquanto isso, as redes regionais devem ampliar sua presença em mercados estratégicos.
O que você acha: o setor de material de construção no Brasil deve apostar em expansão nacional com grandes redes ou em modelos regionais e atacarejos?
