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A moto que se mantém em pé sozinha, sem o piloto precisar apoiar os pés no chão, já saiu do papel em protótipos da Honda e da Yamaha no Japão, que usam robótica e inteligência artificial, e não giroscópios pesados, para não tombar

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/06/2026 às 17:33
Atualizado em 09/06/2026 às 17:36
Assista o vídeoA moto que se equilibra sozinha já existe em protótipos da Honda e da Yamaha, que usam robótica e IA, e não giroscópios, para a moto não tombar.
A moto que se equilibra sozinha já existe em protótipos da Honda e da Yamaha, que usam robótica e IA, e não giroscópios, para a moto não tombar.
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A Honda apresentou a Riding Assist em 2017, com a robótica dos seus robôs humanoides, enquanto a Yamaha aposta na Motoroid, que controla o próprio centro de massa com ajuda de inteligência artificial. As duas motos se equilibram sozinhas, mas seguem como protótipos, ainda sem data para chegar às lojas.

A moto que fica de pé sozinha, sem ninguém segurando e sem o piloto encostar os pés no chão, deixou de ser ficção e virou protótipo funcional no Japão. A ideia aparece em duas máquinas conhecidas, a Honda Riding Assist, revelada na feira de tecnologia CES em 2017, e a Yamaha Motoroid. Em vez de depender da força e do reflexo de quem pilota, essas motos usam robótica e inteligência artificial para se manterem equilibradas em baixa velocidade e até paradas.

O foco não é correr mais, e sim resolver o momento mais frágil de qualquer motociclista. A maioria das quedas em baixa velocidade acontece em manobras, no trânsito parado ou ao estacionar, especialmente com modelos pesados. Nesses instantes, é o corpo do piloto que segura a máquina, e é exatamente aí que entram os sistemas que mantêm a moto vertical com ou sem alguém na sela. Vale a ressalva desde já: são protótipos e conceitos, não produtos à venda.

Por que uma moto cai, e quando isso é mais perigoso

A moto que se equilibra sozinha já existe em protótipos da Honda e da Yamaha, que usam robótica e IA, e não giroscópios, para a moto não tombar.
Uma moto é, do ponto de vista da física, um pêndulo invertido, com o centro de gravidade acima do ponto de apoio no chão. 

Em velocidade de cruzeiro, o conjunto se estabiliza com facilidade, graças aos efeitos giroscópicos das rodas em movimento e às pequenas correções de direção.

O problema mora na baixa velocidade e na parada total, quando esses efeitos somem e a máquina simplesmente pende para um lado.

É nesse cenário que mora o risco que os engenheiros quiseram atacar. 

Estacionar, andar a passo no congestionamento ou manobrar uma moto pesada exige equilíbrio constante do piloto, que apoia os pés e corrige o peso o tempo todo.

A proposta da Honda e da Yamaha é transferir esse trabalho para a própria moto, reduzindo a chance de uma queda boba justamente quando a velocidade é baixa demais para a física ajudar.

Honda Riding Assist, equilíbrio sem giroscópio

A moto que se equilibra sozinha já existe em protótipos da Honda e da Yamaha, que usam robótica e IA, e não giroscópios, para a moto não tombar.
A Honda apresentou a Riding Assist na CES 2017, em Las Vegas, construída sobre a base de uma de suas motos da linha NC. 

A solução nasceu no laboratório de robótica da empresa, o mesmo do robô humanoide ASIMO e do equipamento de mobilidade UNI-CUB.

Segundo a Honda, a opção foi deliberada por não usar giroscópios, que seriam pesados e mudariam o comportamento da moto, recorrendo no lugar disso ao controle da própria geometria de direção.

Na prática, o sistema age sobre a frente da moto. 

Em velocidade de caminhada, abaixo de cerca de 5 km/h, ele altera o ângulo da coluna de direção, e, em ritmo ainda mais lento ou parado, faz microcorreções no guidão para um lado e para o outro, mantendo a máquina em pé com ou sem piloto.

Em demonstrações, a Riding Assist chegou a seguir um engenheiro a passo e a permanecer ereta sem descanso lateral.

A Honda mostrou depois a versão elétrica Riding Assist-e, no Salão de Tóquio de 2017, e, em 2021, uma segunda geração que coopera com a direção do próprio condutor.

Yamaha Motoroid, a moto que reconhece o dono

A Yamaha seguiu por outro caminho técnico com a Motoroid, conceito apresentado em 2017 e atualizado na Motoroid 2, mostrada em 2023. 

Diferente da Honda, a moto não tem guidão tradicional e se equilibra por um sistema de controle ativo de centro de massa, em que o chassi e o braço traseiro se articulam para contrabalançar o peso e manter a máquina na vertical.

A Motoroid 2 foi apresentada como protótipo funcional, não apenas como maquete.

O que chama atenção é a camada de inteligência artificial. 

Segundo a Yamaha, a moto usa reconhecimento facial e de gestos para identificar o dono a distância e se levantar sozinha do cavalete, como se fosse uma companheira eletrônica.

A proposta é uma máquina que reage ao corpo e aos comandos do piloto em tempo real, mais um exercício de relação entre humano e veículo do que um produto pronto para a rua.

Da vitrine à rua, o que é real e o que ainda é conceito

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O ponto mais importante é separar o que existe do que é promessa. 

Nem a Honda nem a Yamaha colocaram suas motos que se equilibram sozinhas à venda, e nenhuma das duas anunciou produção em série.

São protótipos e conceitos que provam que a tecnologia funciona, mas que ainda não têm preço nem data de loja.

Há ainda um caminho alternativo no mercado, o da americana Lit Motors, que aposta em um veículo elétrico fechado estabilizado por giroscópios, justamente a abordagem que a Honda preferiu evitar.

Convém também desinflar parte do barulho em torno do tema. 

Vídeos virais costumam misturar essas motos reais com motocicletas voadoras de turbina e com conceitos como o Dodge Tomahawk, cuja velocidade de mais de 480 km/h nunca foi de fato testada e ficou só no campo teórico.

As motos autoequilibradas da Honda e da Yamaha são a ponta concreta e demonstrável dessa onda, enquanto boa parte das máquinas que prometem voar segue mais perto do marketing do que da garagem.

A moto que se mantém em pé sozinha mostra como a robótica e a inteligência artificial estão chegando às duas rodas pela porta da segurança, e não só da velocidade. 

Os protótipos da Honda e da Yamaha resolvem um problema antigo e real, o equilíbrio em baixa velocidade, ainda que permaneçam, por enquanto, como demonstrações de engenharia.

O futuro da mobilidade sobre duas rodas já está em teste, mesmo que ainda não esteja na esquina.

E você, confiaria em uma moto que se equilibra sozinha sem precisar apoiar os pés no chão? Acha que esse tipo de tecnologia faria diferença na segurança do trânsito de um país com tantas motos como o Brasil? Deixe sua opinião nos comentários, com respeito às diferentes visões, e compartilhe esta matéria com quem curte motos e tecnologia.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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