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Maior que muitos apartamentos, uma pipa automatizada de 500 m² foi presa a um navio que leva peças da Airbus, passou a puxar o cargueiro em alto mar, ajudou os motores e reduziu parte do combustível

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 03/07/2026 às 22:15 Atualizado em 03/07/2026 às 22:17
Uma pipa automatizada de 500 m² aproveitou o vento no Atlântico para dar força extra ao Ville de Bordeaux
Uma pipa automatizada de 500 m² aproveitou o vento no Atlântico para dar força extra ao Ville de Bordeaux
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Uma pipa automatizada de 500 m² aproveitou o vento no Atlântico para dar força extra ao Ville de Bordeaux, que transporta grandes peças de avião entre Europa e Estados Unidos, enquanto os motores continuaram indispensáveis durante toda a operação marítima.

Maior que muitos apartamentos, a pipa automatizada de 500 m² foi instalada no cargueiro Ville de Bordeaux para usar o vento como apoio à navegação. Em alto mar, os cabos levaram a força da pipa até a embarcação e ajudaram a criar tração, ou seja, um puxão que contribui para o avanço do navio.

As informações foram divulgadas por Airseas, empresa francesa que desenvolve propulsão eólica naval. Em 23 de maio de 2023, a validação dos voos de tração confirmou que a pipa conseguiu puxar o Ville de Bordeaux durante testes realizados no Atlântico.

O sistema se chama Seawing e não transforma o cargueiro em uma embarcação movida apenas pelo vento. A tecnologia trabalha como reforço para os motores, com potencial de reduzir parte do combustível e das emissões em viagens longas.

Como a pipa automatizada puxa o navio no oceano

A pipa fica presa ao navio por cabos fortes. Depois de subir à frente da embarcação, ela captura a força do vento e transfere esse impulso para o casco. Essa transferência recebe o nome de tração, a força que ajuda o cargueiro a seguir em frente.

Maior que muitos apartamentos, a pipa automatizada de 500 m² foi instalada no cargueiro Ville de Bordeaux para usar o vento como apoio à navegação.
Maior que muitos apartamentos, a pipa automatizada de 500 m² foi instalada no cargueiro Ville de Bordeaux para usar o vento como apoio à navegação.

O Seawing foi criado para funcionar com automação. A equipe pode lançar, elevar, baixar e recolher a pipa com controles do próprio sistema. Isso reduz a necessidade de movimentos manuais feitos por marinheiros no convés.

Nos testes, a pipa voou em alto mar e gerou força suficiente para puxar o navio. Essa validação mostrou que o equipamento conseguiu sair da fase de voo e passar a ajudar a propulsão, colaborando com o movimento produzido pelos motores.

Testes no Atlântico levaram a pipa de 500 m² a puxar o Ville de Bordeaux

A instalação da pipa no Ville de Bordeaux foi divulgada em 14 de dezembro de 2021. O plano previa viagens mensais pelo Atlântico a partir de janeiro de 2022, com seis meses de testes no mar antes de uma operação mais ampla.

Airseas, empresa francesa que desenvolve propulsão eólica naval, registrou em 23 de maio de 2023 a validação dos voos de tração. A empresa relatou que o sistema entregou as primeiras toneladas de força para ajudar na propulsão e reduzir o consumo de combustível e as emissões.

O avanço não significou que a pipa passou a mover o cargueiro sozinha. Ele mostrou que a estrutura de 500 m² conseguiu atuar no ponto mais importante do teste, quando o vento deixa de ser apenas parte do clima e vira força de apoio ao navio.

Navio da Airbus transporta peças de avião entre Europa e Estados Unidos

O Ville de Bordeaux foi fretado pela Airbus, empresa europeia que atua na fabricação de aeronaves, para levar componentes de aviões entre a Europa e os Estados Unidos. A rota transforma o teste da pipa em uma experiência dentro de uma operação industrial real, com carga e viagens transatlânticas.

A escolha de um cargueiro que já transporta grandes peças de avião ajuda a mostrar o desafio. O navio precisa cumprir sua função logística e, ao mesmo tempo, receber uma estrutura que sobe, voa e retorna ao convés durante a operação.

A pipa também precisa ser guardada quando não está em uso. Por isso, ela não funciona como uma vela comum presa permanentemente ao navio. O conjunto depende de equipamentos de controle e de uma rotina preparada para lançar e recolher a asa.

Por que os motores continuam essenciais mesmo com a força do vento

A pipa ajuda o navio, mas não substitui os motores. O vento fornece uma força complementar, enquanto os motores seguem como parte central da operação necessária para transportar a carga pela rota marítima.

Navio da Airbus transporta peças de avião entre Europa e Estados Unidos
Navio da Airbus transporta peças de avião entre Europa e Estados Unidos

Essa diferença evita uma interpretação errada. A imagem de uma pipa gigante puxando um cargueiro pode dar a impressão de que o combustível deixou de ser necessário, mas o Seawing foi testado como propulsão assistida pelo vento, isto é, um reforço para a propulsão já existente.

A validação divulgada pela Airseas confirmou a força de tração da pipa. O comunicado não apresentou um número específico de combustível economizado pelo equipamento de 500 m² no Ville de Bordeaux.

O que faria uma pipa como essa chegar aos cargueiros brasileiros

O material divulgado sobre o Ville de Bordeaux não anuncia a instalação do Seawing em navios brasileiros. Por isso, não há confirmação de testes da pipa de 500 m² em rotas do Brasil.

Uma adoção em cargueiros brasileiros exigiria avaliação sobre instalação e controle do sistema em cada embarcação. A experiência do Ville de Bordeaux mostrou etapas de lançamento, subida, descida, recolhimento e tração antes de a pipa ser testada na função de puxar o navio.

Na prática, uma pipa desse porte não seria apenas um acessório no convés. Ela precisaria ser integrada à rotina do navio e testada em viagens reais, sem comprometer a carga e as operações que já acontecem a bordo.

A pipa automatizada de 500 m² mostrou que o vento pode ajudar um cargueiro a se deslocar pelo Atlântico sem retirar os motores do centro da operação. O Ville de Bordeaux continuou levando peças da Airbus, mas ganhou uma força extra capaz de aliviar parte do esforço feito pelo combustível.

A experiência uniu uma tecnologia visualmente incomum a uma rota industrial já existente. A pipa não elimina os motores, porém mostra que o vento pode ser aproveitado como apoio em travessias longas.

Você acha que cargueiros que operam no Brasil deveriam testar uma pipa automatizada para reduzir parte do combustível, mesmo sem substituir os motores? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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