O porto de São Francisco do Sul, no Litoral Norte de Santa Catarina, é o maior do estado em movimentação de carga e opera atualmente com navios de até 336 metros e capacidade de 10 mil TEUs. Segundo informações divulgadas pelo ndmais, a atracação dessas embarcações gigantes envolve uma megaoperação com práticos, rebocadores e tripulação que trabalham de forma integrada para garantir segurança em um canal de acesso que está sendo dragado para receber navios ainda maiores.
Quem coordena a manobra de atracação no porto é o prático, profissional especializado que conhece cada detalhe da navegação local, incluindo profundidade, correntes, ventos e características do canal de acesso. Quando o navio se aproxima: os rebocadores entram em ação para alinhar a embarcação e controlar seus movimentos em áreas estreitas. Como a atracação funciona: o prático auxilia o comandante do navio durante toda a manobra, os rebocadores posicionam a embarcação no berço de atracação e cabos de amarração prendem o navio ao cais, garantindo estabilidade. Por que essa operação é tão complexa: navios de 336 metros em um canal que ainda possui uma curva crítica exigem cálculo milimétrico de velocidade, ângulo e posição, onde qualquer erro pode significar colisão, encalhe ou bloqueio do tráfego marítimo.
O porto bateu recorde histórico em 2025 com 17,5 milhões de toneladas de mercadorias movimentadas, o maior volume já registrado em seus 70 anos de operação. Só em exportações de soja, foram 6,1 milhões de toneladas no ano passado, volume equivalente a 5,7% de toda a soja exportada pelo Brasil. A dragagem em andamento na Baía da Babitonga vai aprofundar o canal de acesso para 16 metros, permitindo a chegada de navios com até 16 mil TEUs, 60% maiores do que os que atualmente operam no terminal.
O prático: o profissional que guia gigantes no canal

A manobra de um navio de 336 metros em um canal portuário não é tarefa que se resolve apenas com a experiência do comandante da embarcação. O prático é o profissional que sobe a bordo antes da atracação e assume a condução tática do navio, orientando o comandante sobre cada decisão de leme, velocidade e posicionamento. Esse especialista conhece o canal de acesso ao porto como poucos: sabe onde o fundo é mais raso, onde as correntes mudam de direção, como os ventos afetam embarcações de grande porte e qual é o ponto exato em que cada manobra precisa ser executada.
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No porto de São Francisco do Sul, a atuação do prático é especialmente crítica por causa de uma curva no canal de acesso que exige precisão absoluta. Navios de 10 mil TEUs com mais de 300 metros de comprimento precisam negociar essa curva com margem reduzida, e qualquer desvio na trajetória pode resultar em encalhe ou colisão com as margens do canal. A combinação entre profundidade limitada, curvas acentuadas e correntes variáveis transforma cada atracação em uma operação que exige planejamento antecipado e comunicação constante entre prático, comandante e rebocadores.
Rebocadores: a força que alinha o navio no berço
video:ndmais
Enquanto o prático orienta a navegação dentro do canal, os rebocadores fornecem a força física necessária para posicionar o navio no berço de atracação. Essas embarcações de apoio se conectam ao navio por cabos e empurram ou puxam a embarcação lateralmente, controlando movimentos que o leme do navio sozinho não consegue executar em velocidades baixas. Em áreas estreitas como o canal de acesso ao porto de São Francisco do Sul, os rebocadores são indispensáveis para que o navio entre alinhado e pare exatamente onde precisa.
A quantidade de rebocadores envolvidos depende do tamanho do navio e das condições de vento e corrente no momento da manobra. Navios maiores exigem mais rebocadores e posicionamentos mais complexos, com embarcações de apoio atuando na proa, na popa e nas laterais simultaneamente. A comunicação entre o prático no passadiço, o comandante do navio e os mestres dos rebocadores é feita por rádio e precisa ser precisa e imediata. Um segundo de atraso na execução de uma ordem pode significar a diferença entre uma atracação limpa e um incidente no cais.
17,5 milhões de toneladas: o recorde que posicionou o porto
O porto de São Francisco do Sul encerrou 2025 com a maior movimentação de carga de seus 70 anos de história. Os 17,5 milhões de toneladas movimentadas consolidaram o terminal como o maior de Santa Catarina e um dos mais relevantes do Sul do Brasil, superando marcas anteriores em um ano de forte demanda por exportações agrícolas e importações de insumos industriais. O volume inclui contêineres, grãos a granel, combustíveis e produtos diversos que entram e saem do país pelo cais.
As exportações de soja responderam por uma fatia expressiva desse recorde, com 6,1 milhões de toneladas embarcadas ao longo do ano. Esse volume equivale a 5,7% de toda a soja exportada pelo Brasil, um percentual significativo para um único porto que compete com terminais muito maiores em estados como Paraná, São Paulo e Maranhão. Para o porto, manter e ampliar esse fluxo de soja depende diretamente da capacidade do canal de receber navios graneleiros cada vez maiores, o que justifica os investimentos em dragagem atualmente em andamento.
A dragagem que vai abrir caminho para navios de 16 mil TEUs
A draga Galileo Galilei, a mesma embarcação que participou do alargamento da praia de Balneário Camboriú em 2021, está operando na Baía da Babitonga para aprofundar o canal de acesso ao porto. O objetivo principal é resolver a curva crítica que limita o tamanho dos navios que podem entrar no terminal, aprofundando o trecho de 7 metros para até 16 metros. No canal retilíneo, a profundidade já atinge 15 metros e chegará a 16 metros até o fim da obra, prevista para o segundo semestre de 2026.
Com o canal aprofundado para 16 metros em toda a extensão, o porto de São Francisco do Sul poderá receber navios com até 16 mil TEUs, embarcações 60% maiores do que os atuais navios de 10 mil TEUs que já representam desafio operacional para práticos e rebocadores. Navios de 16 mil TEUs podem ultrapassar 400 metros de comprimento, o que exigirá atualização dos protocolos de manobra, possível ampliação da frota de rebocadores e treinamento adicional dos práticos para operar com embarcações dessa escala em um canal que, mesmo dragado, continuará tendo limitações naturais.
Do canal ao cais: o que acontece depois da atracação
Depois que o prático finaliza a manobra, os rebocadores se desconectam e os cabos de amarração prendem o navio ao cais, a parte mais visível da operação começa. Guindastes de cais, chamados de portêineres, se posicionam sobre o navio e iniciam a movimentação dos contêineres, retirando caixas de 20 ou 40 pés do convés e dos porões e depositando-as em caminhões ou em áreas de armazenamento no pátio do porto. Nos berços de granéis, esteiras transportadoras carregam ou descarregam milhões de toneladas de soja, milho e outros produtos a granel.
Para que os contêineres e granéis cheguem ao porto ou saiam dele, toda uma cadeia logística terrestre precisa funcionar em sincronismo com as operações no cais. Caminhões trazem e levam cargas, trens conectam o terminal a regiões produtoras do interior e armazéns intermediários garantem que o fluxo não pare mesmo quando o ritmo de chegada de navios varia. No porto de São Francisco do Sul, que movimentou 17,5 milhões de toneladas em 2025, essa engrenagem opera praticamente sem interrupção durante o ano inteiro.
Um porto que cresce com o tamanho dos navios que recebe
O porto de São Francisco do Sul opera navios de até 336 metros, bateu recorde de 17,5 milhões de toneladas em 2025 e agora draga o canal para receber embarcações de 16 mil TEUs. Cada atracação envolve práticos que conhecem cada metro do canal, rebocadores que posicionam navios gigantes com precisão centimétrica e uma infraestrutura que precisa crescer no mesmo ritmo que os navios que chegam. A curva crítica no canal, que hoje limita o porte das embarcações, está sendo corrigida pela mesma draga que já redesenhou praias em Santa Catarina.
Você já viu um navio de mais de 300 metros sendo manobrado em um porto? Conte nos comentários se acompanha as operações do porto de São Francisco do Sul, o que acha da dragagem para receber navios maiores e se a infraestrutura portuária de Santa Catarina está no nível que o estado precisa. Queremos ouvir a sua opinião.

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