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Mãe alfabetizou os filhos gêmeos aos 2 anos dentro de um hospital oncológico e 16 anos depois os dois foram aprovados em duas das universidades mais difíceis do mundo nos Estados Unidos

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 24/04/2026 às 21:49 Atualizado em 24/04/2026 às 21:53
Gêmeos de Bastos (SP) foram aprovados no MIT e em Cornell após alfabetização aos 2 anos em hospital oncológico, olimpíadas de conhecimento e celular só aos 15.
Gêmeos de Bastos (SP) foram aprovados no MIT e em Cornell após alfabetização aos 2 anos em hospital oncológico, olimpíadas de conhecimento e celular só aos 15.
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Camila e Mateus Shida, gêmeos de 18 anos de Bastos (SP), foram aprovados no MIT e em Cornell após alfabetização em português aos 2 anos dentro de hospital oncológico, formação em olimpíadas de conhecimento e Soroban, celular apenas depois dos 15 e um livro por dia desde o berço.

Os gêmeos Camila e Mateus Shida, de 18 anos, nascidos e criados em Bastos, no interior paulista, acabam de ser aprovados em duas das universidades mais exigentes do planeta: Camila no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e Mateus na Cornell. A história dos gêmeos começa num leito de oncologia infantil em São Paulo, onde Camila, diagnosticada com leucemia aos 2 anos, passou oito meses internada enquanto a mãe, dentista de profissão, decidiu que aquele tempo não seria desperdiçado: em vez de entregar telas às crianças hospitalizadas, Lucila alfabetizou a filha no hospital e o filho em casa com o pai, processo de alfabetização que resultou em ambos os gêmeos aprendendo a ler em português antes dos 3 anos e em inglês logo em seguida. Os dois também colecionaram aprovações no Brasil: Camila passou em Engenharia de Produção na Poli-USP, Engenharia da Computação na Unicamp e Medicina na UFRJ, enquanto Mateus foi classificado em Engenharia de Minas e Petróleo na Poli-USP e Engenharia Elétrica na Unicamp.

O que torna o caso dos gêmeos excepcional não é genialidade declarada. Mateus ri quando alguém sugere que os dois são superdotados e resume a fórmula: “O negócio foi sentar na cadeira e estudar, não teve jeito.” A trajetória que levou duas crianças de uma cidade conhecida como “Capital do Ovo” a universidades da Ivy League foi construída sobre decisões familiares deliberadas: estímulo à leitura desde o berço, proibição de telas até a adolescência, imersão na cultura disciplinar japonesa de Bastos, participação obsessiva em olimpíadas de conhecimento e uma rivalidade saudável entre irmãos que transformava cada conquista de um no novo padrão de exigência do outro.

A alfabetização dos gêmeos no hospital que mudou tudo

Quando Camila foi internada aos 2 anos para tratar leucemia, a mãe enfrentou a realidade de que a filha passaria meses num ambiente hospitalar. Nos leitos vizinhos da oncologia pediátrica, as famílias recorriam a tablets e celulares para distrair as crianças durante o tratamento, mas Lucila optou por um caminho diferente: origami, desenho, pintura de unhas e, acima de tudo, aprender a ler. Orientada por uma amiga médica, a mãe iniciou a alfabetização de Camila no hospital enquanto o pai conduzia o mesmo processo com Mateus em casa, garantindo que os gêmeos avançassem juntos apesar da separação física.

O resultado foi que antes de completar 3 anos os dois já liam em português, e pouco depois em inglês. Os gêmeos nunca frequentaram escola de idiomas: Lucila contratou três professores particulares diferentes, de cidades distintas, dois online e um presencial, para que os filhos fossem expostos a pronúncias, metodologias e estímulos variados. Essa decisão, tomada quando os gêmeos eram praticamente bebês, criou a base linguística que 16 anos depois permitiria a ambos escrever ensaios de candidatura e realizar entrevistas em inglês com a segurança de quem cresceu bilíngue.

Um livro por dia e celular só depois dos 15 anos

A casa dos gêmeos em Bastos funcionava como biblioteca ambulante. Os pais espalhavam livros infantis ao redor dos berços, e todos os dias, sem exceção, as crianças escolhiam uma obra e ouviam a história antes de dormir, ritual que se manteve ao longo de toda a infância e adolescência. Camila se descreve como apaixonada por leitura. Mateus conta que leu mais de 50 livros num único ano durante a pandemia, transitando entre fantasia, ficção científica e romance.

O combustível desse hábito foi a ausência de telas. Os gêmeos só receberam celular quando completaram 15 anos, decisão da mãe que substituiu o estímulo digital por livros, jogos de tabuleiro e atividades que exigiam concentração prolongada, controle emocional e desenvolvimento de estratégia. Lucila explica que jogos não eletrônicos ensinam a criança a lidar com frustração sem a opção de simplesmente “passar para o próximo”, treinamento de persistência que os gêmeos transferiram para tudo o que fizeram depois: olimpíadas, vestibulares e candidaturas internacionais.

Como o Soroban e as olimpíadas levaram os gêmeos ao mundo

Os gêmeos mergulharam cedo no Soroban, o ábaco japonês, técnica que desenvolve concentração absoluta e velocidade mental para cálculos. A dedicação era tão intensa que Mateus chegava a praticar cinco horas por dia após as aulas, inclusive nos fins de semana, e os dois viajaram para competir internacionalmente no Japão e em Taiwan, experiência que colocou crianças do interior paulista em disputas com estudantes do mundo inteiro. A influência da cultura japonesa de Bastos, cidade fundada por imigrantes nipônicos, foi determinante para que a disciplina do Soroban se tornasse rotina e não exceção.

As olimpíadas de conhecimento dominaram a adolescência dos gêmeos. De Astronomia a Robótica, tudo que começava com “O” virava alvo de participação, e como a escola local tinha limitações de material para níveis avançados, a mãe estudava os conteúdos por conta própria para conseguir ensinar os filhos em casa. Nos anos finais do ensino fundamental, os gêmeos passaram a receber tutoria à distância de professores do Colégio Etapa, e no ensino médio se mudaram para São Paulo para estudar presencialmente na instituição com bolsas de 75% e 100%, ambiente onde encontraram pares que sonhavam alto e não se contentavam com pouco.

A rivalidade saudável entre os gêmeos que elevou o padrão dos dois

A parceria entre Camila e Mateus sempre veio acompanhada de competição construtiva. Mateus explica que quando a irmã resolve fazer algo, aquilo automaticamente se torna o novo patamar de exigência: ele rende mais quando os dois estão no mesmo projeto, dinâmica que funcionou como motor de superação mútua ao longo de toda a trajetória. Nenhum dos gêmeos queria ficar para trás, e o resultado foi que ambos subiram juntos em vez de um puxar o outro para baixo.

A competição se estendeu até o momento das aprovações. Mateus recebeu o resultado de Cornell enquanto jogava no clube de Bastos, com internet ruim e senha errada travando o site, e só confirmou a aprovação em casa no computador. Camila soube do MIT no chamado Pi Day (14 de março), sozinha em São Paulo, quando os castores mascotes da universidade apareceram caindo na tela e ela entrou em estado de choque enquanto a mãe gritava ao telefone. Dois momentos diferentes, duas reações intensas, e a certeza de que os gêmeos que aprenderam a ler num hospital oncológico chegariam juntos ao outro lado do mundo.

O que a história dos gêmeos diz sobre educação no Brasil

A trajetória de Camila e Mateus não é receita replicável para qualquer família, mas contém elementos que independem de renda ou localização. Leitura diária, limitação de telas, participação em competições acadêmicas e um ambiente familiar onde estudar é valorizado são decisões que os pais dos gêmeos tomaram em Bastos, cidade de 20 mil habitantes sem nenhuma infraestrutura de escola internacional, e que produziram resultados que famílias de grandes capitais com recursos muito maiores nem sempre alcançam. O custo de estudar no MIT ou em Cornell pode chegar a US$ 100 mil por ano, mas ambas as universidades avaliam a condição econômica do aluno para oferecer apoio financeiro conforme a necessidade.

Os gêmeos pretendem cursar engenharia nos Estados Unidos, mas carregam consigo o princípio japonês de retribuição que aprenderam em Bastos. Camila afirma que quer aplicar no Brasil o que aprender fora, e os dois já deram aulas voluntárias de matemática em escolas públicas da cidade durante a adolescência. A história dos gêmeos que começaram a alfabetização num hospital oncológico e chegaram às melhores universidades do mundo não é sobre genialidade: é sobre o que acontece quando uma família decide que o tempo, mesmo o mais difícil, nunca é tempo perdido.

E você, acha que a decisão de limitar telas e priorizar leitura fez diferença na formação dos gêmeos? Conhece alguma história parecida? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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