Brasil, México e Espanha divulgaram comunicado conjunto cobrando respeito à soberania de Cuba e anunciando que vão intensificar o envio de ajuda humanitária à ilha. A nota não cita Trump diretamente, mas responde às declarações do presidente americano de que “Cuba é a próxima” após ações militares na Venezuela e no Irã. Lula criticou líderes que ameaçam guerras diariamente.
O governo do presidente Lula divulgou neste sábado (18) um comunicado conjunto com México e Espanha que cobra respeito à soberania de Cuba e informa que os três países vão “intensificar” o envio de ajuda humanitária à ilha. A nota, publicada pelo Ministério das Relações Exteriores, não faz menção direta ao presidente Donald Trump, mas responde de forma inequívoca às declarações recentes do líder americano. Após citar as ações militares na Venezuela, que levaram à prisão de Nicolás Maduro, e no Irã, que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei, Trump tem dito que “Cuba é a próxima”, uma ameaça que colocou a ilha caribenha no centro de uma crise geopolítica que mobilizou Brasil, México e Espanha em defesa do direito internacional.
A declaração conjunta reforça princípios da Carta das Nações Unidas e pede que Cuba seja tratada com respeito à integridade territorial, igualdade soberana e solução pacífica de controvérsias. Em paralelo, Lula discursou em um evento em Barcelona sobre democracia e foi direto ao criticar líderes que ameaçam outros países: “Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um tweet de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, disse, sem citar Trump pelo nome mas sem deixar dúvidas sobre a quem se referia. Para Cuba, que enfrenta a pior crise humanitária das últimas décadas, a aliança entre Brasil, México e Espanha é ao mesmo tempo um escudo diplomático e uma promessa de ajuda concreta.
O que o comunicado de Brasil, México e Espanha diz sobre Cuba
Segundo informações do portal do G1, o texto divulgado pelo Itamaraty é cuidadosamente redigido para defender Cuba sem provocar um confronto direto com os Estados Unidos. Os três países “reiteram a necessidade de respeitar, em todos os momentos, o direito internacional e os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da solução pacífica de controvérsias, consagrados na Carta das Nações Unidas”, uma formulação que se aplica tanto à situação de Cuba quanto a qualquer outro conflito em que um país mais poderoso ameace um mais fraco.
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Além da defesa diplomática, o comunicado tem um componente prático. Brasil, México e Espanha se comprometeram a “intensificar a resposta humanitária coordenada, visando a aliviar o sofrimento do povo cubano”, reconhecendo que a ilha enfrenta uma crise energética cada vez mais intensa com apagões recorrentes, falta de combustível e escassez de alimentos. O comunicado também defende um diálogo “sincero, respeitoso e em conformidade com o direito internacional” para que Cuba supere a crise, com o objetivo de “criar as condições para que o próprio povo cubano decida seu futuro em total liberdade”.
Por que Trump disse que Cuba é a próxima
As declarações de Trump sobre Cuba não surgiram no vácuo. O presidente americano tem adotado uma postura militar assertiva na América Latina e no Oriente Médio, com ações que resultaram na prisão de Nicolás Maduro na Venezuela e na morte do aiatolá Ali Khamenei no Irã. Ao citar essas operações como exemplos de sucesso, Trump passou a dizer publicamente que “Cuba é a próxima”, uma declaração que pode ser interpretada tanto como ameaça militar quanto como pressão diplomática máxima sobre o regime cubano.
Para Cuba, a ameaça chega em um momento de vulnerabilidade extrema. A ilha já enfrenta os efeitos de décadas de embargo americano, agravados por uma crise energética que provoca apagões diários e pela escassez de combustível e alimentos que afeta diretamente a vida de milhões de cubanos. A possibilidade de uma ação militar americana, mesmo que improvável na prática, intensifica a pressão sobre um país que tem poucos aliados com capacidade real de oferecer proteção.
O que Lula disse sobre guerra e líderes que ameaçam outros países
O discurso de Lula em Barcelona foi além da questão de Cuba e atacou diretamente o comportamento de líderes mundiais que buscam resolver conflitos pela força. “Nós não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com um tweet de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, declarou o presidente brasileiro em um evento sobre democracia, sem citar Trump pelo nome mas deixando claro quem era o alvo da crítica.
Lula também direcionou críticas ao Conselho de Segurança da ONU, que considera paralisado e incapaz de cumprir sua função de garantir a paz. “A querida Nações Unidas, que foi criada depois da Segunda Guerra Mundial, com cinco membros permanentes, para cuidar da paz, se transformaram em cinco senhores de guerra”, disse, referindo-se ao fato de que membros permanentes como Estados Unidos e Rússia estão diretamente envolvidos em conflitos armados enquanto deveriam mediá-los. Para Lula, aliado histórico de Cuba e crítico do embargo americano, a defesa da ilha caribenha é coerente com uma trajetória diplomática de décadas.
A crise humanitária que Cuba enfrenta enquanto o mundo debate
Independentemente da geopolítica, a situação no terreno em Cuba é grave. A ilha enfrenta uma crise energética que provoca apagões recorrentes, falta de combustível para transporte e atividades produtivas, e escassez de alimentos que atinge a população de forma generalizada. Moradores relatam dificuldades básicas de sobrevivência em um contexto em que a infraestrutura do país está deteriorada após décadas de embargo e investimento insuficiente.
A ajuda humanitária prometida por Brasil, México e Espanha pode aliviar parte do sofrimento imediato, mas não resolve as causas estruturais da crise de Cuba. O embargo americano, que Lula critica publicamente, restringe o comércio e o acesso a financiamento internacional, limitando a capacidade do governo cubano de importar combustível, medicamentos e alimentos mesmo quando tem recursos para fazê-lo. Para os defensores do embargo, a pressão econômica é necessária para forçar mudanças políticas em Cuba. Para os críticos, como Lula, o embargo pune o povo cubano por decisões de seu governo.
O que a aliança entre Brasil, México e Espanha significa para Cuba
A formação de um bloco diplomático entre Brasil, México e Espanha em defesa de Cuba tem implicações que vão além da ajuda humanitária imediata. Os três países representam um peso político significativo: o Brasil é a maior economia da América Latina, o México é vizinho direto dos Estados Unidos e a Espanha é membro da União Europeia, o que dá ao comunicado conjunto uma ressonância que Cuba sozinha não conseguiria alcançar.
Para o líder cubano Miguel Díaz-Canel, que segundo o comunicado já iniciou negociações com o governo dos Estados Unidos, a declaração de Brasil, México e Espanha fortalece a posição de Cuba nas negociações ao demonstrar que a ilha tem apoio internacional para exigir respeito à sua soberania. Se Trump pretende pressionar Cuba, agora sabe que o faz contra a oposição pública de três países democráticos que representam centenas de milhões de pessoas. A questão é se esse apoio diplomático será suficiente para conter as ambições de um presidente americano que já demonstrou estar disposto a agir militarmente quando decide fazê-lo.
Lula, México e Espanha defendem Cuba e criticam ameaças de guerra. Você concorda com a posição do Brasil? O embargo americano deveria acabar? Deixe sua opinião nos comentários.

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