Ampliação da cota muda o debate, mas pesca da tainha segue suspensa em Santa Catarina até nova portaria federal
A pesca da tainha em Santa Catarina voltou ao centro das discussões após o governo federal anunciar a ampliação da cota destinada aos pescadores artesanais do Litoral Norte. O empresário Luciano Hang, dono da Havan, criticou a manutenção das restrições durante uma transmissão ao vivo realizada na terça-feira, 9 de junho de 2026, em que conversou com pescadores e representantes do setor. A reação ocorreu depois que participantes da live informaram que a cota seria ampliada, mas a atividade continuaria sujeita a limites de captura. O episódio reacendeu a insatisfação de comunidades pesqueiras que dependem da safra para garantir renda durante o ano.
Ampliação da cota mantém restrições no centro do debate
A decisão do governo federal surgiu após o encerramento antecipado da pesca por arrasto de praia em Santa Catarina. A temporada começou em 1º de maio de 2026, porém foi interrompida no domingo, 7 de junho, depois que o limite autorizado para a modalidade foi praticamente atingido. Com isso, a safra terminou após 38 dias, prazo considerado curto por pescadores do litoral catarinense. Hang criticou o modelo de cotas e afirmou que os trabalhadores precisam de liberdade para exercer a atividade, não de novas limitações.
Encerramento da safra provoca reação em Bombinhas
Luciano Hang também mencionou uma visita recente a ranchos de pesca em Bombinhas, onde acompanhou um lanço de tainhas e conversou com pescadores locais. A interrupção da safra gerou manifestações no município, principalmente porque muitos trabalhadores afirmam depender da pesca nos meses de maio, junho e julho. Durante a transmissão, o empresário classificou a suspensão como lamentável e disse que Santa Catarina estaria sendo prejudicada pelas decisões federais. A crítica reforçou o clima de tensão entre pescadores artesanais e o governo.
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Relatos de pescadores mostram surpresa com a suspensão
O ex-secretário de Estado da Aquicultura e Pesca, Tiago Frigo, participou da live e relatou ter acompanhado um protesto em Bombinhas. Segundo ele, havia cardumes visíveis próximos à costa enquanto os pescadores estavam impedidos de atuar. O pescador Júlio, de 82 anos, também participou da conversa e afirmou que nunca havia presenciado situação semelhante. Para ele, a notícia da suspensão chegou de surpresa e interrompeu uma tradição mantida por gerações no litoral catarinense.
Governo anuncia nova cota e prepara regras oficiais
O governo federal informou, na terça-feira, 9 de junho de 2026, que ampliaria a cota destinada aos pescadores artesanais da região Norte de Santa Catarina. Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a medida busca contemplar todos os pescadores artesanais da região durante a safra de 2026. A decisão foi baseada na avaliação mais recente do estoque da espécie e tenta equilibrar atividade econômica e preservação da tainha para as próximas temporadas. Apesar disso, a pesca segue suspensa até a publicação de uma portaria conjunta.

Lula comenta impasse e diz que chamou ministros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou o caso durante agenda pública na terça-feira. Segundo ele, o assunto chegou ao governo após contato feito pelo presidente do Sebrae, Décio Lima, que relatou a insatisfação dos pescadores. Lula afirmou que chamou os ministros envolvidos para discutir o problema e buscar uma solução para Santa Catarina. Enquanto a nova regulamentação não é publicada, a pesca da tainha pelo sistema de arrasto de praia permanece proibida em todo o Estado.
O futuro da pesca da tainha em Santa Catarina
A ampliação da cota representa uma tentativa de reduzir a pressão sobre o governo federal, mas ainda não encerra o impasse. Pescadores aguardam a publicação da nova portaria para saber quando poderão retomar a atividade. O caso também mantém em evidência o desafio de conciliar sustento das comunidades tradicionais, controle da captura e preservação da espécie. A safra de 2026, marcada por interrupção antecipada e reação pública, passou a simbolizar a tensão entre regras ambientais e trabalho artesanal.
Você acredita que a pesca da tainha em Santa Catarina precisa de cotas mais flexíveis ou de regras rígidas para preservar a espécie nos próximos anos?

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