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Brasil quer iniciar em 2026 uma gigantesca obra nuclear inédita na América Latina, com depósito definitivo para rejeitos radioativos, centro tecnológico e uma solução nacional que pode mudar o futuro de Angra, da medicina e da indústria

Escrito por Ana Alice
Publicado em 03/05/2026 às 23:57
Brasil quer iniciar em 2026 a construção do Centena, repositório para rejeitos radioativos ligado a Angra e à pesquisa nuclear brasileira. (Imagem: ilustrativa)
Brasil quer iniciar em 2026 a construção do Centena, repositório para rejeitos radioativos ligado a Angra e à pesquisa nuclear brasileira. (Imagem: ilustrativa)
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Projeto nuclear brasileiro prevê depósito definitivo para rejeitos radioativos, centro tecnológico e monitoramento ambiental de longo prazo, em uma obra ligada a Angra, à pesquisa científica e à gestão nacional de materiais usados em medicina e indústria.

O Brasil prevê iniciar em 2026 a construção do Centena, sigla para Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental, projeto destinado ao armazenamento definitivo de rejeitos radioativos de baixa e média atividade gerados no país.

A instalação também deverá reunir estruturas voltadas a estudos, monitoramento ambiental, radioproteção e desenvolvimento de técnicas associadas à gestão desse tipo de material, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear.

A proposta é criar uma solução nacional para receber rejeitos tratados provenientes de usinas nucleares, hospitais, indústrias, universidades, centros de pesquisa e outras atividades que utilizam radioisótopos.

No desenho informado pelo setor nuclear, o Centena foi planejado para materiais de baixa e média atividade, incluindo resíduos com meia-vida limitada a 30 anos.

Centena e a gestão de rejeitos radioativos no Brasil

O projeto está ligado a uma etapa específica da cadeia nuclear: a destinação de materiais que já passaram por tratamento, controle e acondicionamento, mas ainda exigem armazenamento em local licenciado.

Atualmente, parte dos rejeitos radioativos brasileiros permanece em depósitos junto às usinas de Angra dos Reis ou em unidades intermediárias.

A CNEN informou que já foi escolhido um local preferencial para o empreendimento.

A fase seguinte envolve a conclusão dos estudos de caracterização geofísica, necessários ao licenciamento nuclear e ao licenciamento ambiental.

De acordo com a comissão, uma consultoria foi contratada para avaliar a documentação técnica e o projeto.

O cronograma citado pelo órgão prevê início da construção em 2026 e conclusão em 2030.

Na avaliação da CNEN, caso esse prazo seja mantido, o repositório ficaria pronto antes do limite estimado para a capacidade dos depósitos atuais da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, apontado para 2031/2032.

O que será armazenado no repositório Centena

O Centena foi concebido para receber rejeitos radioativos tratados e acondicionados, gerados por diferentes usos da tecnologia nuclear.

Além da produção de eletricidade, esses materiais podem resultar de exames médicos, tratamentos, processos industriais, pesquisas científicas e atividades de controle ambiental.

A estrutura prevista inclui áreas de deposição, prédios de apoio operacional, laboratórios, sistemas de monitoramento ambiental e espaços voltados à radioproteção.

Informações divulgadas por instituições ligadas à CNEN indicam que o empreendimento ocupará cerca de 40 hectares e seguirá o conceito de múltiplas barreiras, modelo usado no setor para reduzir a possibilidade de dispersão de material radioativo.

O projeto também prevê período prolongado de acompanhamento após o encerramento da operação.

A instalação deverá funcionar por 60 anos e permanecer sob vigilância por 300 anos depois do fim das atividades, conforme informações técnicas divulgadas pelo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear.

Custo do Centena e origem dos recursos

A estimativa mais recente apresentada pela CNEN em audiência pública indica investimento de R$ 345 milhões e execução em cinco anos.

Também está previsto o recebimento, no quarto trimestre de 2030, de 26.200 tambores metálicos armazenados pela Eletronuclear, equivalentes a 5.240 metros cúbicos de rejeitos prontos para deslocamento ao futuro repositório.

Os recursos para a construção e para a remoção dos rejeitos deverão vir do Fundo de Descomissionamento das usinas Angra 1 e Angra 2.

Esse fundo foi criado para custear etapas associadas ao encerramento operacional das unidades no futuro, incluindo a destinação de embalados com rejeitos radioativos para depósito definitivo.

A informação mais recente sobre o custo substitui estimativas anteriores que mencionavam cerca de R$ 130 milhões.

Como o valor atualizado foi informado pela CNEN, a referência de R$ 345 milhões passa a ser a base pública mais recente para o orçamento do empreendimento.

Alternativas para Angra em caso de atraso

A possibilidade de atraso na implantação do Centena levou a CNEN a informar medidas analisadas pela Eletronuclear.

Uma delas seria reorganizar os depósitos atuais, procedimento que, segundo a comissão, não exigiria novo processo de licenciamento ambiental.

Outra opção seria construir um novo galpão de armazenamento, o que demandaria licenciamento nuclear e ambiental.

O tema ganhou atenção após a divulgação de que Angra 1 e Angra 2 poderiam enfrentar restrições caso não houvesse nova capacidade para armazenar rejeitos.

Em nota de esclarecimento, a CNEN afirmou que o projeto está em andamento e que alternativas operacionais são avaliadas para evitar que a capacidade dos depósitos atuais se torne um fator de interrupção.

Angra 1 e Angra 2 são as duas usinas nucleares em operação no país.

As unidades ficam em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro.

Segundo a Eletronuclear, Angra 1 tem 640 megawatts de potência, enquanto Angra 2 tem capacidade nominal de 1.350 megawatts.

Relação do Centena com Angra 3 e o Reator Multipropósito

A existência de um repositório nacional também aparece nos processos relacionados a outros projetos do setor nuclear brasileiro.

A CNEN informa que o Centena integra as condições associadas ao licenciamento ambiental de Angra 3 e do Reator Multipropósito Brasileiro.

Angra 3 terá potência prevista de 1.405 megawatts.

A obra, iniciada originalmente nos anos 1980, passou por interrupções e retomadas ao longo das últimas décadas.

Em maio de 2025, a Eletronuclear informou que o empreendimento apresentava progresso físico global de 66% e seguia em avaliação pelo Conselho Nacional de Política Energética.

O Reator Multipropósito Brasileiro, por sua vez, é um projeto voltado à pesquisa, à produção de radioisótopos e a aplicações tecnológicas.

A CNEN informou que a próxima fase de construção tem início previsto para o primeiro semestre de 2026, com conclusão estimada para 2030.

O empreendimento é associado à produção de radiofármacos, a testes de materiais e ao desenvolvimento de pesquisas científicas.

Uso nuclear em medicina, indústria e pesquisa

Embora a energia nuclear no Brasil seja frequentemente associada às usinas de Angra, os radioisótopos são usados em diferentes áreas.

Na medicina, aparecem em exames de diagnóstico e tratamentos.

Na indústria, são empregados em medições, inspeções e controle de processos.

Também há aplicações em agricultura, pesquisa, conservação de alimentos e estudos ambientais.

Essas atividades podem gerar rejeitos que precisam ser identificados, tratados, acondicionados e armazenados conforme normas de segurança.

O Centena foi apresentado pela CNEN como uma estrutura destinada a organizar essa etapa em âmbito nacional, com controle técnico e monitoramento ambiental.

A implantação ainda depende de estudos, licenças e execução das obras.

O cronograma informado pela comissão coloca 2026 como ano previsto para o início da construção e 2030 como prazo estimado de conclusão.

Até lá, os depósitos existentes seguem como parte da estrutura de armazenamento em uso no país, enquanto alternativas são avaliadas para o caso de mudanças no calendário.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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