Terreno antes destinado à Ford começa a receber complexo aeronáutico bilionário em Guaíba, com promessa de empregos, montagem de aviões europeus e nova pista capaz de ampliar a infraestrutura aérea da Região Metropolitana.
A preparação do terreno em Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, começou a sair do papel para receber o AeroCITI, complexo industrial da Aeromot projetado para fabricar aeronaves e concentrar atividades de inovação, manutenção e operações aéreas em uma área antes associada à antiga promessa de uma fábrica da Ford.
A iniciativa prevê investimento total estimado em R$ 3 bilhões ao longo das fases de implantação e projeta a criação de cerca de 1,5 mil empregos diretos e indiretos, números repetidos pelo governo do Estado e pela empresa em anúncios recentes do empreendimento.
A pedra fundamental foi lançada em 23 de outubro de 2025, no Dia do Aviador, data escolhida para marcar oficialmente o início de uma etapa que, até então, convivia com a expectativa e a desconfiança deixadas por projetos anteriores que não avançaram.
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Terreno em Guaíba e histórico de investimentos frustrados
O local ganhou notoriedade por ter sido reservado, na década de 1990, para receber uma montadora de automóveis que acabou não se instalando no Rio Grande do Sul, e o novo projeto passou a ser apresentado como uma mudança de vocação da área.

Em março de 2025, o governo gaúcho formalizou a concessão do terreno à Aeromot e informou que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental entregou a licença de instalação, etapa que autoriza o início das obras e baliza o cronograma anunciado para o complexo.
Desde aquele anúncio, a principal cobrança pública girava em torno do começo efetivo dos trabalhos, justamente porque o endereço acumulou, ao longo de décadas, promessas de investimento que não se transformaram em canteiro de obras.
Agora, a fase inicial tem sido descrita como um período de limpeza e terraplanagem, seguido pela implantação de drenagem, energia e esgoto, com a expectativa de que, por um tempo, haja poucas estruturas visíveis acima do nível do solo.
Produção de aviões DA62 e parceria com fabricante europeia
O projeto tem como âncora a produção ligada à Diamond Aircraft, com a aeronave DA62 citada como modelo a ser montado no Brasil dentro do ecossistema industrial planejado para Guaíba, segundo comunicados oficiais e registros do governo estadual.
Além dos aviões, o plano também inclui um acordo com a fabricante italiana Leonardo Helicopters, descrito como uma iniciativa para ampliar a presença industrial e tecnológica no país, dentro do pacote de parcerias anunciado na cerimônia de outubro.
A concepção do complexo vai além de uma linha de montagem, com previsão de hub de inovação, centros de pesquisa e desenvolvimento, áreas de logística e serviços de manutenção aeronáutica, além de espaços de formação e apoio às operações.

Na comunicação do governo, o AeroCITI é apresentado dentro do conceito de “aerotrópole”, com integração multimodal e espaço para atrair empresas satélites, o que, na prática, busca formar um polo que combine indústria, serviços e cadeia de suprimentos.
Investimento bilionário, cronograma e geração de empregos
O investimento total estimado em R$ 3 bilhões é descrito como gradual e distribuído ao longo de anos, e a própria empresa tem afirmado que a execução completa do plano foi desenhada para um horizonte de cerca de uma década.
Para a primeira fase, uma das estimativas divulgadas aponta desembolso de R$ 240 milhões, além de R$ 60 milhões já aplicados em etapas preparatórias, como licenças e estruturação do projeto, segundo informações apresentadas durante o lançamento da pedra fundamental.
Até 2027, a empresa indicou a expectativa de concluir uma fábrica e uma pista com 1,4 mil metros, com mobilização aproximada de 700 trabalhadores diretos e cerca de 800 indiretos, números citados como referência para essa etapa do cronograma.
Em paralelo, documentos do governo que tratam do empreendimento mencionam uma pista de 1,8 mil metros no desenho do AeroCITI, indicando que as dimensões podem variar conforme a fase e o modelo de implantação anunciado ao longo do tempo.
Nova pista e possível apoio ao Aeroporto Salgado Filho
A proposta de incluir uma pista própria é apresentada como um reforço à infraestrutura aeroportuária da Região Metropolitana, com a possibilidade de o complexo funcionar como alternativa operacional ao Aeroporto Internacional Salgado Filho, especialmente em situações de necessidade.
O governo também destaca a localização como um diferencial logístico, ao mencionar proximidade com o Salgado Filho pela BR-116 e integração com rodovias e conexão fluvial, elementos usados para justificar a vocação do local para operações combinadas.
Ainda assim, o uso futuro como alternativa ao aeroporto de Porto Alegre depende do formato final de operação, do licenciamento e das condições técnicas previstas para a pista e serviços associados, pontos que aparecem nas apresentações como objetivos do projeto.
Com o terreno em preparação e o cronograma em andamento, a dúvida que passa a orientar o debate local é quando as primeiras estruturas industriais e a pista começarão a operar de forma concreta e com qual capacidade para atender às demandas da aviação regional?


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