Degelo acelerado nas montanhas do Alasca está criando centenas de novos lagos gigantes glaciais que podem quadruplicar de tamanho nas próximas décadas e alterar rios, habitats de salmão e até o curso de um grande sistema fluvial
Algo inesperado está acontecendo nas montanhas do sudeste do Alasca. Onde antes havia apenas gelo sólido e rocha exposta, enormes lagos de água azul leitosa começam a aparecer e crescer com uma velocidade que surpreende cientistas.
Esses reservatórios naturais surgem à medida que geleiras gigantes recuam e deixam sulcos profundos no terreno, escavados ao longo de milhares de anos. Agora esses espaços estão sendo preenchidos por água do degelo.
O resultado é um fenômeno que pode redesenhar completamente a paisagem de uma das regiões mais frias do planeta. E o impacto vai muito além da geografia local.
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Especialistas acreditam que esses lagos podem atingir uma escala impressionante nas próximas décadas.
A retirada acelerada do gelo nas montanhas de St. Elias está criando um sistema de lagos que pode alcançar uma área comparável a um pequeno estado americano
Ao longo da costa entre Alasca e Canadá, as montanhas de St. Elias escondem mais de cem lagos formados pelo contato direto entre gelo e água.
Esses lagos gigantes já cresceram cerca de 60 por cento desde 1986. Hoje ocupam aproximadamente 1.300 quilômetros quadrados.
O número por si só já impressiona. Mas projeções indicam algo ainda maior.
Segundo especialistas, esses reservatórios naturais podem se expandir até atingir cerca de 5.500 quilômetros quadrados. Para visualizar a escala, seria uma área semelhante ao território do estado americano de Delaware.
A razão desse crescimento está no próprio comportamento da água.
Lagos absorvem calor do sol com mais facilidade do que superfícies cobertas por gelo. Quando uma geleira termina dentro de um lago, o derretimento tende a acelerar.
O resultado é um ciclo contínuo: mais gelo derrete, o lago cresce, e o lago maior acelera ainda mais o degelo.
O segredo geológico escondido sob o gelo revela milhares de quilômetros de vales escavados por geleiras antigas
Para entender até onde esse processo pode chegar, pesquisadores analisaram imagens de satélite combinadas com estimativas da espessura do gelo.
O objetivo era identificar estruturas geológicas escondidas sob as geleiras atuais.
O que apareceu nas análises surpreendeu até especialistas experientes.
Sob o gelo existem cerca de 4.200 quilômetros quadrados de sulcos profundos, escavados por antigas geleiras ao longo de eras glaciais. Esses corredores naturais funcionam como verdadeiras bacias prontas para receber água.
À medida que o gelo continua recuando, essas cavidades começam a se transformar em novos lagos.
Esse processo explica por que muitos cientistas acreditam que grande parte desses reservatórios naturais estará totalmente formada ainda neste século.
A expansão dos lagos está mudando a engenharia natural dos rios e abrindo novos habitats para salmões
O crescimento desses lagos não altera apenas o mapa da região. Ele também modifica o comportamento dos rios.
Quando uma geleira termina diretamente em terra firme, a água do degelo costuma carregar grandes quantidades de sedimentos. Isso cria planícies rochosas instáveis e canais que mudam constantemente de direção.
Essas condições são difíceis para muitas espécies de peixe.
A presença de lagos muda completamente esse cenário.
A água permanece algum tempo no lago antes de seguir para os rios. Durante esse período, sedimentos se depositam no fundo e a temperatura da água sobe alguns graus.
Esse detalhe altera toda a dinâmica do sistema fluvial.
Rios mais estáveis permitem o crescimento de vegetação nas margens e criam ambientes mais favoráveis para diversas espécies de salmão, um dos recursos naturais mais importantes da região.
Estimativas apontam que até 6 mil quilômetros de rios no sudeste do Alasca podem se transformar em habitats adequados para algumas espécies desse peixe até o final do século.
O crescimento dos lagos também traz riscos inesperados, enchentes repentinas e mudanças no curso de rios inteiros
Nem tudo nesse fenômeno representa benefícios ecológicos.
O aumento desses reservatórios naturais pode provocar mudanças abruptas na paisagem.
Em alguns casos, lagos gigantes represados por gelo liberam grandes volumes de água de uma só vez. Essas descargas repentinas provocam inundações rápidas e perigosas.
Moradores da cidade de Juneau convivem com esse problema. Pelo menos uma vez por ano, um lago represado pela geleira Mendenhall libera água de forma abrupta, causando enchentes que atravessam áreas urbanas.
Algumas residências já precisaram construir barreiras de proteção para conter a água.
Existe ainda outro efeito possível.
O recuo de duas geleiras pode permitir que lagos vizinhos se conectem. Quando isso acontece, o fluxo de água pode abrir um novo caminho até o oceano.
Especialistas acreditam que esse processo pode alterar o curso do rio Alsek, um dos principais sistemas fluviais da região.
O avanço desses novos lagos gigantes revela um planeta em transformação e um fenômeno que pode redefinir paisagens inteiras nas próximas décadas
O crescimento acelerado desses reservatórios naturais mostra um cenário de transformação profunda nas regiões glaciais do planeta.
Paisagens antes dominadas por gelo permanente começam a dar lugar a redes de lagos, rios mais estáveis e novos ecossistemas.
Ao mesmo tempo, esse processo traz riscos naturais e mudanças rápidas que podem afetar cidades próximas.
Para cientistas, entender onde esses lagos irão surgir é essencial para prever como rios, habitats e até rotas fluviais poderão mudar no futuro.
O Alasca se tornou um laboratório natural dessa transformação.
E o que está acontecendo ali pode antecipar mudanças que outras regiões glaciais do mundo também começarão a enfrentar.
O que você acha dessas mudanças gigantes acontecendo no Ártico? Você acredita que o crescimento desses lagos pode trazer mais benefícios ambientais ou mais riscos para as comunidades locais? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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