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Juros viram o maior vilão da industria brasileira: levantamento com 1.701 empresas mostra que quase metade nem buscou crédito e revela um número ainda mais impactante entre as que tentaram financiamento de longo prazo

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 09/10/2026 às 18:03 Atualizado em 09/10/2026 às 18:20
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Entre as empresas que efetivamente procuraram financiamento, 24,7% não conseguiram crédito de curto ou médio prazo e 37,2% ficaram sem recursos nas linhas de longo prazo. A sondagem da CNI também mostra que a maioria das empresas não buscou financiamento superior a cinco anos.

Juros elevados foram citados por 76% das indústrias que relataram dificuldade para obter crédito de curto ou médio prazo e por quase 69% das que enfrentaram obstáculos em financiamentos superiores a cinco anos. Os dados constam da Sondagem Especial nº 107, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (9).

O levantamento ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto e considera as experiências de contratação ou renovação de crédito registradas entre fevereiro e julho. A CNI separou as operações de até cinco anos das linhas de longo prazo, com duração superior a esse período.

Quase metade das empresas pesquisadas, 49,9%, não tentou contratar nem renovar crédito de curto ou médio prazo. Entre todas as entrevistadas, 22,9% conseguiram os recursos, enquanto 7,5% procuraram financiamento, mas não concluíram a operação com sucesso.

Nas linhas de longo prazo, a ausência de procura foi ainda maior: 54% das indústrias não buscaram contratação ou renovação. No universo total da sondagem, 15,5% conseguiram financiamento e 9,2% tentaram obter os recursos, mas não tiveram êxito.

Tentativas frustradas chegam a 37,2% no crédito de longo prazo

O resultado muda de dimensão quando o cálculo considera apenas as empresas que efetivamente procuraram financiamento. Nesse grupo, 24,7% das indústrias que tentaram contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo não conseguiram concluir a operação.

Nas linhas superiores a cinco anos, 37,2% das empresas que buscaram financiamento ficaram sem os recursos. O percentual não representa 37,2% de todas as 1.701 entrevistadas, porque exclui do denominador as companhias que não procuraram crédito no período.

Essa diferença explica por que a sondagem registra 9,2% de tentativas malsucedidas de longo prazo quando considera todas as empresas e 37,2% quando olha somente para quem buscou recursos. No curto ou médio prazo, a mesma distinção separa os índices de 7,5% e 24,7%.

O porte também está associado a resultados diferentes dentro do grupo que procurou financiamento. No crédito de longo prazo, 48,2% das pequenas indústrias não conseguiram a operação, percentual praticamente igual aos 48,1% das médias e superior aos 29,9% registrados entre as grandes.

Nas operações com prazo de até cinco anos, as tentativas frustradas atingiram 32% das pequenas empresas, 28,4% das médias e 20,3% das grandes. Esses percentuais também se referem apenas às empresas de cada porte que efetivamente tentaram contratar ou renovar financiamento.

Juros são menos citados que em 2025

Embora permaneçam como a barreira mais mencionada, os juros apareceram com frequência menor do que na edição anterior. No crédito de curto ou médio prazo, a proporção caiu de 80% entre as empresas com dificuldade em 2025 para 76% em 2026; no longo prazo, recuou de 71% para quase 69%.

A comparação com a Sondagem Especial nº 98, referente a 2025 mostra movimento diferente no sucesso das tentativas. Cerca de 20% das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo não conseguiram financiamento naquele levantamento, ante 24,7% em 2026.

Nas operações de longo prazo, a parcela de tentativas sem sucesso passou de aproximadamente 33% para 37,2%. A redução na frequência com que os juros foram citados como barreira, portanto, não veio acompanhada de uma queda no percentual de empresas que tentaram financiamento e não conseguiram.

Outros entraves aparecem atrás dos juros entre as empresas que relataram dificuldade. Nas operações de curto ou médio prazo, 33,4% indicaram a exigência de garantias reais, como imóveis, e 13,6% mencionaram a burocracia como uma das barreiras enfrentadas.

No crédito de longo prazo, 31,5% citaram a exigência de garantias, enquanto 18,9% apontaram prazo de carência inferior ao necessário. Esses resultados mostram quais obstáculos foram mencionados pelas empresas com dificuldade, e não a incidência dessas barreiras sobre toda a amostra.

A sondagem registrou ainda que, entre as empresas que buscaram, contrataram ou renovaram crédito de longo prazo, 28,7% apontaram o capital de giro como principal finalidade dos recursos. Investimentos em máquinas e equipamentos apareceram com 23,6%, e construção ou instalações, com 11,6%.

O recorte da pesquisa não permite afirmar quanto crédito estava disponível no mercado nem qual foi a taxa média paga por cada indústria. Os percentuais descrevem a experiência das empresas consultadas ao buscar ou renovar financiamento e os obstáculos relatados por quem encontrou dificuldade.

Nas linhas de longo prazo, o tipo de operação também exige essa distinção: o financiamento pode ser destinado a investimento, mas a contratação envolve condições como garantias, prazo de carência, custo e avaliação de risco, além da própria decisão da empresa de buscar os recursos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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