Entre as empresas que efetivamente procuraram financiamento, 24,7% não conseguiram crédito de curto ou médio prazo e 37,2% ficaram sem recursos nas linhas de longo prazo. A sondagem da CNI também mostra que a maioria das empresas não buscou financiamento superior a cinco anos.
Juros elevados foram citados por 76% das indústrias que relataram dificuldade para obter crédito de curto ou médio prazo e por quase 69% das que enfrentaram obstáculos em financiamentos superiores a cinco anos. Os dados constam da Sondagem Especial nº 107, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (9).
O levantamento ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto e considera as experiências de contratação ou renovação de crédito registradas entre fevereiro e julho. A CNI separou as operações de até cinco anos das linhas de longo prazo, com duração superior a esse período.
-
Inflação dos alimentos volta a subir com menor oferta e pressão do clima
-
Governo amplia prazo do seguro-defeso, e pescadores poderão pedir benefício até 90 dias após o início da paralisação
-
Governo amplia medidas para segurar preços da gasolina, etanol e diesel, com desoneração e subsídios por um mês
-
Conta de luz sobe 7,98%, tomate dispara 37% e inflação volta a superar o teto da meta em setembro
Quase metade das empresas pesquisadas, 49,9%, não tentou contratar nem renovar crédito de curto ou médio prazo. Entre todas as entrevistadas, 22,9% conseguiram os recursos, enquanto 7,5% procuraram financiamento, mas não concluíram a operação com sucesso.
Nas linhas de longo prazo, a ausência de procura foi ainda maior: 54% das indústrias não buscaram contratação ou renovação. No universo total da sondagem, 15,5% conseguiram financiamento e 9,2% tentaram obter os recursos, mas não tiveram êxito.
Tentativas frustradas chegam a 37,2% no crédito de longo prazo
O resultado muda de dimensão quando o cálculo considera apenas as empresas que efetivamente procuraram financiamento. Nesse grupo, 24,7% das indústrias que tentaram contratar ou renovar crédito de curto ou médio prazo não conseguiram concluir a operação.
Nas linhas superiores a cinco anos, 37,2% das empresas que buscaram financiamento ficaram sem os recursos. O percentual não representa 37,2% de todas as 1.701 entrevistadas, porque exclui do denominador as companhias que não procuraram crédito no período.
Essa diferença explica por que a sondagem registra 9,2% de tentativas malsucedidas de longo prazo quando considera todas as empresas e 37,2% quando olha somente para quem buscou recursos. No curto ou médio prazo, a mesma distinção separa os índices de 7,5% e 24,7%.
O porte também está associado a resultados diferentes dentro do grupo que procurou financiamento. No crédito de longo prazo, 48,2% das pequenas indústrias não conseguiram a operação, percentual praticamente igual aos 48,1% das médias e superior aos 29,9% registrados entre as grandes.
Nas operações com prazo de até cinco anos, as tentativas frustradas atingiram 32% das pequenas empresas, 28,4% das médias e 20,3% das grandes. Esses percentuais também se referem apenas às empresas de cada porte que efetivamente tentaram contratar ou renovar financiamento.
Juros são menos citados que em 2025
Embora permaneçam como a barreira mais mencionada, os juros apareceram com frequência menor do que na edição anterior. No crédito de curto ou médio prazo, a proporção caiu de 80% entre as empresas com dificuldade em 2025 para 76% em 2026; no longo prazo, recuou de 71% para quase 69%.
A comparação com a Sondagem Especial nº 98, referente a 2025 mostra movimento diferente no sucesso das tentativas. Cerca de 20% das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo não conseguiram financiamento naquele levantamento, ante 24,7% em 2026.
Nas operações de longo prazo, a parcela de tentativas sem sucesso passou de aproximadamente 33% para 37,2%. A redução na frequência com que os juros foram citados como barreira, portanto, não veio acompanhada de uma queda no percentual de empresas que tentaram financiamento e não conseguiram.
Outros entraves aparecem atrás dos juros entre as empresas que relataram dificuldade. Nas operações de curto ou médio prazo, 33,4% indicaram a exigência de garantias reais, como imóveis, e 13,6% mencionaram a burocracia como uma das barreiras enfrentadas.
No crédito de longo prazo, 31,5% citaram a exigência de garantias, enquanto 18,9% apontaram prazo de carência inferior ao necessário. Esses resultados mostram quais obstáculos foram mencionados pelas empresas com dificuldade, e não a incidência dessas barreiras sobre toda a amostra.
A sondagem registrou ainda que, entre as empresas que buscaram, contrataram ou renovaram crédito de longo prazo, 28,7% apontaram o capital de giro como principal finalidade dos recursos. Investimentos em máquinas e equipamentos apareceram com 23,6%, e construção ou instalações, com 11,6%.
O recorte da pesquisa não permite afirmar quanto crédito estava disponível no mercado nem qual foi a taxa média paga por cada indústria. Os percentuais descrevem a experiência das empresas consultadas ao buscar ou renovar financiamento e os obstáculos relatados por quem encontrou dificuldade.
Nas linhas de longo prazo, o tipo de operação também exige essa distinção: o financiamento pode ser destinado a investimento, mas a contratação envolve condições como garantias, prazo de carência, custo e avaliação de risco, além da própria decisão da empresa de buscar os recursos.
