Inauguração industrial reforça presença produtiva da JBS no Oriente Médio e antecipa movimento de expansão em um dos mercados mais estratégicos para alimentos halal, com foco em produção local, distribuição regional e construção de marca própria em meio à busca saudita por autossuficiência.
A JBS inaugurou em 22 de janeiro uma fábrica de alimentos processados em Jeddah, na Arábia Saudita.
No mesmo anúncio, a companhia informou que pretende dobrar a capacidade da unidade até o fim de 2026.
O projeto integra um investimento total de US$ 85 milhões no país.
-
Bitcoin cai para o menor nível desde outubro de 2024, perde força após recorde de US$ 126 mil e transforma a antiga festa cripto em sinal amarelo para investidores
-
Bolsa Família fica garantido enquanto análise do BPC é feita! Nova regra do governo evita corte imediato do benefício para famílias vulneráveis
-
Quase 2 milhões de novos milionários surgem em apenas um ano, riqueza global bate recorde histórico e relatório mostra por que a inteligência artificial virou motor silencioso das grandes fortunas
-
Outro mercado vai tomar o lugar do Carrefour e chegada de nova bandeira promete movimentar os bastidores do varejo com modelo que mistura atacado, supermercado e serviços completos
Esse valor contempla, além da planta de Jeddah, uma unidade já em operação em Dammam e a estrutura de distribuição local.
A estratégia tem como foco o abastecimento do mercado saudita e a ampliação das exportações regionais de produtos halal sob a marca Seara.
Segundo o CEO da Seara, João Campos, a decisão de acelerar a expansão foi motivada pela rápida absorção da produção.
“Quando ela veio, ela quadruplicou o nosso volume na Arábia Saudita e agora estamos duplicando o volume dessa planta pela aceitação da marca Seara no mercado local”, afirmou em entrevista.
Produção local em Jeddah amplia alcance regional

A unidade de Jeddah concentra a produção de alimentos processados.
Entre os itens fabricados estão empanados e cortes de frango com certificação halal.
Parte do volume já é destinada à exportação.
Atualmente, os produtos seguem para sete países da região, incluindo Kuwait, Omã e Emirados Árabes Unidos.
Apesar da prioridade ser o mercado saudita, a operação cria uma base logística para ampliar o alcance regional.
A empresa informou que não divulga a capacidade instalada da planta nem os volumes projetados após a expansão.
Ainda assim, o plano declarado é elevar gradualmente o patamar de produção local.
Dammam foi o primeiro passo da estratégia produtiva
Antes da inauguração em Jeddah, a JBS já operava uma planta de processamento em Dammam.
Essa unidade conta com cerca de 250 funcionários.
A capacidade anual informada é de 10 mil toneladas.
A operação começou em 2025 e serviu como base para ampliar a escala industrial no país.
Com a nova fábrica, a companhia informou a criação de 500 empregos diretos em Jeddah.
Somadas as duas operações, o quadro da JBS na Arábia Saudita chega a aproximadamente 950 colaboradores.
Autossuficiência saudita muda lógica das exportações
A ampliação da presença produtiva reflete um ajuste estratégico da companhia no Oriente Médio.
Durante décadas, a Arábia Saudita foi um dos principais destinos do frango exportado a partir do Brasil.
Nos últimos anos, porém, o país acelerou políticas para reduzir a dependência de importações.
Esse movimento está ligado à agenda de segurança alimentar e ao programa Visão Saudita 2030.
Estimativas citadas por analistas indicam que a participação da produção doméstica no consumo local de frango subiu de 38% em 2013 para 68% em 2024.
As projeções apontam para níveis superiores a 80% nos próximos anos.
Nesse cenário, produzir localmente passou a ser uma forma de preservar relevância comercial.
Pressão sobre exportações já foi reconhecida pela JBS
O avanço da produção saudita já havia sido citado pela própria JBS como fator de impacto.
No terceiro trimestre de 2025, o CEO global Gilberto Tomazoni afirmou que o aumento da oferta local afetou o desempenho regional.
Segundo ele, o setor passou a competir diretamente com a indústria doméstica saudita.
A leitura reforça a lógica de investir dentro do país para manter presença em um mercado estratégico.
Construção da marca Seara junto ao consumidor local
Embora exporte aves para a Arábia Saudita há mais de 30 anos, a JBS começou a estruturar a marca Seara para o consumidor local há cerca de quatro anos.
A estratégia envolve produtos processados, distribuição própria e investimento em comunicação.
Segundo Campos, o modelo busca replicar no país uma fórmula já utilizada no Brasil.
O foco está em qualidade, inovação e fortalecimento da marca nas gôndolas e no food service.
A certificação halal é tratada como elemento central para escala e penetração no mercado.
Parceria com ENTAJ amplia portfólio no país
Além da expansão industrial, a JBS anunciou uma parceria com a Arabian Company for Agricultural and Industrial Investment, conhecida como ENTAJ.
O acordo prevê a produção local de frango in natura com a marca Seara.
Segundo o CEO da divisão, a produção deve começar nos próximos meses.
A iniciativa permitirá oferecer um portfólio mais completo ao varejo e ao food service saudita.
Crescimento orgânico segue como prioridade
Questionado sobre aquisições na região, João Campos afirmou que o foco atual é o crescimento orgânico.
A posição ocorre após especulações de mercado no ano anterior.
Em março de 2025, foi noticiado que a JBS avaliou a compra da Al Watania.
A empresa é considerada a maior produtora de frango e ovos da Arábia Saudita.
A negociação, estimada em até US$ 530 milhões, não avançou.
Segundo o executivo, o objetivo permanece no longo prazo no mercado saudita.
A companhia afirmou que avalia outros investimentos para sustentar o crescimento da marca e da operação.
Com a fábrica já em operação e uma expansão prevista até o fim de 2026, a produção local da Seara pode redefinir o papel da JBS em um mercado que historicamente dependia das exportações brasileiras?

-
-
-
-
-
-
28 pessoas reagiram a isso.