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James Webb encontra um planeta deformado em forma de limão orbitando uma estrela morta, com atmosfera de hélio e carbono, nuvens de fuligem e carbono que pode virar diamante nas profundezas; composição desafia tudo que os cientistas esperavam de um mundo do tamanho de Júpiter

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 27/05/2026 às 14:36 Atualizado em 27/05/2026 às 14:42
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Foto: Divulgação/NASA
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James Webb revela planeta em forma de limão com atmosfera rica em carbono, nuvens de fuligem e possível formação de diamantes.

O telescópio espacial James Webb revelou um dos mundos mais estranhos já observados pela astronomia moderna. O objeto se chama PSR J2322−2650b, está a aproximadamente 750 anos-luz da Terra e orbita algo ainda mais extremo do que uma estrela comum: um pulsar, o núcleo ultradenso remanescente de uma estrela que explodiu como supernova.

Mas o que realmente chocou os cientistas não foi apenas o ambiente absurdo do sistema. O James Webb detectou uma atmosfera praticamente sem equivalente conhecido, dominada por hélio e carbono molecular, com nuvens de fuligem flutuando na atmosfera e condições que podem permitir formação de diamantes nas regiões profundas do planeta. A própria NASA afirmou que a composição “desafia explicação”.

Planeta orbita uma estrela morta extremamente compacta

O hospedeiro do planeta é o pulsar PSR J2322−2650, uma estrela de nêutrons extremamente compacta que gira centenas de vezes por segundo.

Segundo os dados do sistema, o pulsar completa aproximadamente 300 rotações por segundo, emitindo feixes intensos de radiação enquanto o planeta orbita incrivelmente perto dele.

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A distância entre o planeta e o pulsar é de apenas cerca de 1,6 milhão de quilômetros, menos de 1% da distância entre a Terra e o Sol. Como resultado, o planeta completa uma órbita inteira em aproximadamente 7,8 horas. Esse ambiente extremo cria forças gravitacionais violentas sobre o planeta.

Gravidade extrema deformou o planeta em forma de limão

Uma das descobertas mais bizarras do Webb foi o formato do planeta. As forças gravitacionais do pulsar são tão intensas que o planeta foi esticado gravitacionalmente até adquirir formato parecido com um limão ou bola de rugby alongada.

Segundo os modelos citados nas análises astronômicas, o diâmetro equatorial do planeta pode ser aproximadamente 38% maior que o diâmetro polar devido ao efeito de maré extremo causado pelo pulsar.

Os cientistas afirmam que esse é um dos objetos mais deformados gravitacionalmente já identificados fora do Sistema Solar.

Atmosfera rica em carbono desafia todos os modelos conhecidos

O aspecto mais importante da descoberta está na atmosfera do planeta. Observações espectroscópicas do James Webb mostraram que a atmosfera de PSR J2322−2650b é dominada por:

  • hélio
  • carbono molecular C₂
  • tricarbono C₃

Ao mesmo tempo, os pesquisadores detectaram ausência extremamente incomum de:

  • oxigênio
  • nitrogênio
  • água
  • metano
  • dióxido de carbono

Segundo o artigo científico divulgado no The Astrophysical Journal Letters, as razões carbono/oxigênio e carbono/nitrogênio parecem absurdamente elevadas, em níveis praticamente nunca vistos em atmosferas planetárias. Isso tornou o objeto um enorme problema para os modelos tradicionais de formação planetária.

Nuvens de fuligem podem se transformar em diamantes

Outro detalhe impressionante detectado pelo Webb foi a presença provável de nuvens de carbono e fuligem na atmosfera.

James Webb revela planeta em forma de limão com atmosfera rica em carbono, nuvens de fuligem e possível formação de diamantes.
Foto: Divulgação/NASA

Segundo a NASA e pesquisadores envolvidos no estudo, partículas de carbono podem condensar em regiões profundas do planeta sob pressão extrema, potencialmente formando diamantes.

A atmosfera parece conter nuvens semelhantes a fuligem suspensas em um ambiente superaquecido de hélio e carbono puro.

Os cientistas afirmam que o planeta possui uma química atmosférica tão diferente que praticamente não existe equivalente conhecido entre os exoplanetas já estudados.

Temperatura pode ultrapassar 2.000 °C no lado iluminado

O planeta está gravitacionalmente travado ao pulsar, o que significa que um lado permanece constantemente voltado para a estrela de nêutrons.

Segundo estimativas citadas nas análises astronômicas:

  • o lado mais quente pode ultrapassar 2.040 °C
  • o lado mais frio ainda fica perto de 650 °C

Mesmo o “lado frio” do planeta é quente o suficiente para derreter muitos metais terrestres. O intenso calor ajuda a explicar por que compostos comuns como água e metano praticamente desapareceram da atmosfera observada.

Cientistas ainda não conseguem explicar como o planeta se formou

A maior crise para os pesquisadores talvez seja a origem do próprio objeto. Segundo os cientistas envolvidos, praticamente nenhum modelo conhecido consegue explicar simultaneamente:

  • a composição rica em carbono
  • a ausência de oxigênio e nitrogênio
  • a proximidade extrema do pulsar
  • a sobrevivência da atmosfera

Uma hipótese é que o planeta seja remanescente erodido de uma estrela destruída pelo pulsar em um sistema chamado de “black widow”. Nesse cenário, o pulsar teria consumido grande parte da estrela companheira, deixando apenas um núcleo extremamente modificado.

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Mas mesmo essa explicação ainda não resolve totalmente o problema químico observado.

James Webb conseguiu estudar o planeta porque praticamente não “vê” o pulsar

Curiosamente, parte do sucesso da observação aconteceu justamente porque o James Webb não enxerga bem o pulsar.

O pulsar emite principalmente radiação de altíssima energia, especialmente raios gama, enquanto o Webb opera principalmente no infravermelho. Isso permitiu que os instrumentos observassem diretamente a assinatura térmica e química do planeta sem grande interferência da estrela.

Os pesquisadores afirmaram que o sistema se tornou um laboratório único para estudar atmosferas exóticas em ambientes extremos.

Descoberta abre uma nova categoria de atmosferas planetárias

Os autores do estudo afirmam que PSR J2322−2650b pode representar uma nova classe de atmosferas planetárias. Segundo o artigo científico, o planeta inaugura:

  • um novo regime químico
  • um novo regime atmosférico
  • uma nova combinação de dinâmica extrema e composição rica em carbono

Além disso, os ventos atmosféricos parecem soprar em direção oposta à rotação do planeta, algo extremamente incomum em comparação com gigantes gasosos tradicionais.

O planeta em forma de limão virou um dos maiores enigmas já encontrados pelo James Webb

PSR J2322−2650b reúne praticamente tudo que a astronomia moderna considera extremo:

  • orbita uma estrela morta
  • tem formato deformado gravitacionalmente
  • gira ao redor do pulsar em menos de 8 horas
  • possui atmosfera rica em carbono puro
  • pode formar diamantes
  • desafia modelos de formação planetária

E talvez o detalhe mais desconfortável seja justamente este: quanto mais o James Webb observa mundos alienígenas extremos, mais a Terra parece ser apenas uma entre inúmeras possibilidades bizarras que o Universo consegue produzir.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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