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“Uber invertido”: Na China, o serviço dàijià oferece motorista para dirigir seu próprio carro após sair para beber, trazendo segurança e praticidade

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 08/09/2025 às 15:54
Atualizado em 08/09/2025 às 16:00
Já pensou em um serviço que leva você para casa dirigindo o seu carro após beber? Ele existe na China, é como um uber invertido.
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Já pensou em um serviço que leva você para casa dirigindo o seu carro após beber? Ele existe na China, é como um uber invertido.

Na China, surgiu uma solução inteligente para quem bebe e não quer abrir mão do próprio veículo: chamar um motorista designado para dirigir seu carro. O serviço, denominado dàijià, funciona via aplicativo e já é popular em muitos centros urbanos.

Recentemente, ele ganhou destaque por reduzir acidentes de trânsito graves.

Esse modelo inovador une conveniência à segurança, especialmente após saídas noturnas sociais ou de negócios.

Serviço dàijià: motorista chega de patinete

O diferencial do dàijià está no deslocamento do motorista até o cliente: ele chega com um patinete elétrico ou bicicleta dobrável, que cabe no porta-malas do carro.

Após dirigir até o destino, estaciona o veículo e se retira com o mesmo patinete — uma solução prática e eficiente para mobilidade urbana.

Adesão cresceu com as regras rígidas na China

Leis severas contra motoristas embriagados, com penalidades desde 2011, tornaram o serviço ainda mais relevante.

O ambiente social e empresarial valoriza o ato de brindar — “Ganbei” (干杯), que significa “copo seco” — criando um dilema entre tradição e responsabilidade. Nesse contexto, o serviço dàijià se tornou uma alternativa ideal.

Impacto positivo na segurança viária

O Ministério da Segurança Pública da China divulgou que, desde 2012, os acidentes com três ou mais vítimas mortais caíram 59,3%, mesmo com aumento expressivo no número de veículos (89%) e motoristas (123%).

O uso do serviço dàijià, com média anual de 200 milhões de solicitações, é apontado como um dos fatores determinantes para essa redução drástica.

Esse volume expressivo representa ganhos para empresas como a e-Daijia e a Didi, que disputam a liderança do mercado.

Para os condutores cadastrados, trata-se de uma fonte de renda alternativa, capaz de complementar salários e criar novas oportunidades de trabalho em meio à transformação da mobilidade urbana no país.

Competição entre gigantes da mobilidade

Duas grandes empresas disputam esse mercado.

A e-Daijia introduziu o conceito em 2011 e chegou a atingir 90% de participação até 2015.

Ainda naquele ano, a Didi — reconhecida na China como plataforma de mobilidade — lançou o Didi Daijia, integrando o serviço ao seu app e ampliando o acesso do motorista designado.

Contexto e implicações

Inovação alinhada à tradição

Na China, a cultura social promove o consumo de álcool em encontros de trabalho. Ao mesmo tempo, as leis não toleram dirigir alcoolizado.

O serviço dàijià representa uma forma de equilibrar respeito cultural com responsabilidade, mantendo a experiência social intacta e preservando vidas.

Logística inteligente e acessível

O uso de patinetes elétricos demonstra adaptação urbana eficiente: o motorista designado chega rapidamente e reutiliza o mesmo meio de transporte para retornar, evitando a necessidade de veículo próprio ou transporte público — além de ser sustentável e prático.

O serviço dàijià na China — que permite nominar um motorista para dirigir seu próprio carro — é uma ideia simples, mas poderosa.

Ele alia segurança, conveniência e preservação das tradições culturais.

Com forte impacto positivo nos índices de segurança viária, essa alternativa mostra que soluções criativas podem transformar o trânsito e a cultura de mobilidade nas cidades modernas.

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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