O coração de plástico, coração artificial criado pela francesa CARMAT, já é autorizado em alguns países da Europa. Ele substitui o órgão de pacientes com insuficiência cardíaca terminal, ajusta sozinho o fluxo de sangue e funciona como ponte até o transplante, reduzindo a dependência imediata de um doador.
Um coração de plástico capaz de substituir o órgão humano e se adaptar ao esforço físico de cada paciente vem sendo apontado por cientistas como uma possível revolução no tratamento de doenças cardíacas. O dispositivo, desenvolvido pela empresa francesa CARMAT e batizado de Aeson, já recebeu autorização de uso em alguns países da Europa.
O aparelho é voltado a quem enfrenta a insuficiência cardíaca terminal, condição em que o coração perde a capacidade de bombear o sangue corretamente. Mais do que uma promessa distante, ele já vem sendo usado como uma ponte para o transplante, mantendo o paciente estável até que um doador compatível apareça, num momento em que a espera por um órgão pode levar meses ou anos.
Como funciona o coração de plástico da CARMAT

O coração de plástico reproduz o funcionamento do órgão natural e substitui os ventrículos do coração nativo. Batizado de Aeson, o equipamento da CARMAT vem com sensores inteligentes que ajustam de forma automática o fluxo de sangue no corpo, conforme a atividade física e a necessidade biológica de cada paciente. Na prática, ele acelera ou reduz o bombeamento de acordo com o esforço de quem o carrega.
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Esse coração artificial é indicado para casos graves, de insuficiência cardíaca biventricular terminal, em pacientes que não se beneficiam dos tratamentos medicamentosos máximos nem de outros dispositivos de assistência ao coração.
Segundo a fabricante, trata-se atualmente do único coração artificial total implantável com marcação CE, o selo que autoriza a comercialização na Europa.
Uma ponte para o transplante, não um substituto definitivo ainda
Aqui entra um ponto importante de precisão. Hoje, o coração de plástico funciona como uma ponte para o transplante, e não como uma substituição permanente do órgão.
Ele estabiliza pacientes em estado grave e reduz a dependência imediata de um doador, mas não elimina a necessidade da cirurgia tradicional, que segue sendo o procedimento definitivo. Especialistas reforçam que o aparelho é, por enquanto, um suporte temporário.
Os números mostram que isso já acontece na vida real. Até o fim de outubro de 2024, 30 pacientes haviam sido transplantados com sucesso depois de receberem o suporte do dispositivo da CARMAT, em sete países, com destaque para França e Alemanha.
Em média, eles usaram o coração artificial por cerca de 156 dias, com um caso que chegou a mais de 300 dias. A meta de fazer o aparelho “bater para sempre”, sem necessidade de transplante, é um objetivo futuro, chamado de terapia de destino, que ainda está em estudo e pode levar anos.
Por que isso importa: a escassez de doadores e a insuficiência cardíaca
Segundo o portal do NDMAIS, o grande problema que o coração de plástico tenta enfrentar é a escassez de órgãos. Estima-se que apenas uma pequena parcela dos pacientes que precisam de um transplante consiga de fato realizá-lo, e a fila de espera por um doador compatível pode se arrastar por meses ou anos.
Nesse intervalo, muitos pacientes com insuficiência cardíaca avançada se deterioram e chegam à cirurgia em condições piores.
É justamente nesse vão que o dispositivo se encaixa. Ao assumir a função do coração e manter o corpo irrigado, ele permite que o paciente espere pelo transplante em melhor estado físico.
Se um dia for aprovado para uso permanente, o coração de plástico poderia ir além da ponte e se tornar uma alternativa para quem nem sequer é elegível a um transplante, o que representaria um dos maiores avanços possíveis na cardiologia.
Promessa e cautela: o futuro do coração de plástico
O entusiasmo é real, mas pede equilíbrio. O coração de plástico já é autorizado em parte da Europa, teve sua certificação atualizada para o padrão europeu mais rígido em 2025 e passa por aperfeiçoamentos constantes.
Diante da escassez global de órgãos, cientistas e engenheiros projetam que a tecnologia transforme o tratamento de doenças cardíacas nas próximas décadas, ampliando as chances de sobrevivência ao redor do mundo.
Por outro lado, há um alerta que não pode ser ignorado. A CARMAT entrou em processo de recuperação judicial em julho de 2025, por falta de recursos, e desde então busca uma solução financeira para seguir operando, o que adiciona incerteza ao futuro do projeto.
Ou seja, a insuficiência cardíaca pode ganhar uma arma poderosa com o coração de plástico, mas o caminho até que ele se torne comum, acessível e talvez permanente ainda depende tanto de avanços médicos quanto da sobrevivência da própria empresa.
Um coração de plástico que se adapta ao corpo e segura a vida de quem espera por um transplante é o tipo de avanço que parecia ficção científica.
Conte nos comentários se você confiaria em um coração artificial como esse e se acredita que, no futuro, ele poderá substituir de vez a fila por um doador.
